O povo do bairro Bom Jesus de Itapecerica sempre almejou ter ao menos uma capela dedicada ao Senhor Bom Jesus, mas nunca conseguia levar avante este ideal. Em dezembro de 1976, Dom Cristiano Pena, então Bispo Diocesano, nomeou o recém-ordenado Padre Gil Antônio Moreira como Vigário-Cooperador da Paróquia de São Bento, encarregando-o, sobretudo da pastoral urbana e da assistência espiritual à juventude. Pe.Gil, entre outros trabalhos, sugeriu ao Pároco Padre Carlos Pinto da Fonseca, dar prioridade pastoral ao bairro Bom Jesus, pois se tratava da maior concentração de famílias carentes da cidade. Sua idéia teve pronto acolhimento e incentivo por parte de Pe.Carlos.
Caminhando com a comunidade e celebrando as Missas no galpão da Escola Cônego Cesário, Pe. Gil propôs a construção não só de uma capela, mas de uma igreja de dimensões maiores e de estilo moderno. Era necessário dotar a cidade de uma igreja mais condizente com as reformas do Concílio Vaticano II, além das belas igrejas que já possuía. O povo do bairro se entusiasmou com a idéia. Pe. Gil, da mesma forma cheio de entusiasmo, uniu-se à vontade do povo, colocou-se com denodo à frente deste trabalho. Iniciaram fazendo projetos, estudando as possibilidades e depois de se reunirem várias vezes, decidiram, lá pelos meses de setembro ou outubro de 1977, dar início ao movimento para a edificação do templo.
Logo, Pe.Gil tratou de formar a Comissão de Construção que assim ficou constituída por eleição do povo: Presidente: Pe. Gil Antônio Moreira, Tesoureiro: Sr. Francisco Oliveira Neto (Lico Elias), membros: Teodoro Forcela; Geraldo Messias ; Geraldo Vanderley; Francisco Gomes de Carvalho , Antonio José Carlos de Oliveira; João José dos Santos; Gomes Carvalho de Morais. Além destes, uma série de homens e mulheres, adultos e jovens, compuseram um grande grupo de ajuda que estava sempre pronto para tudo, atendendo imediata e prazerosamente os pedidos e orientações de Pe.Gil.
Quanto ao terreno, houve uma enquete no bairro para saber a opinião do povo. Nos anos anteriores pensava-se construir a igreja na pracinha de baixo, onde passava a linha de trem-de-ferro, porém, após a extinção da Rede Mineira de Viação em 1967, todo o movimento se transferiu para cima, às margens da rodovia asfaltada. Tendo a maioria da população optado por esta região, a Comissão entrou em contato com o Sr. José Gomes Filho, proprietário da área. Havia este senhor, no passado, angariado donativos durante vários anos para a construção da mencionada capela e não tendo agora como apresentar o montante em seu poder, fez acordo com a Paróquia doando o referido terreno para a construção.
Resolvido o problema do terreno, Pe.Gil conseguiu de seu amigo arquiteto Dr. Irdevan Nogueira , de Itaúna, a doação do projeto arquitetônico. Tudo foi desenhado conforme orientação de Pe.Gil, segundo as normas litúrgicas atuais.
A Comissão arregaçou as mangas, organizou quermesses, percorreu fazendas e o comércio e deu outras providências buscando recursos. No dia 13 de dezembro de 1979, dia de Santa Luzia, deu-se inicio à abertura das caixas para os alicerces. Tempo de grande integração na comunidade, não havia quem não quisesse dar sua colaboração. Eram homens, mulheres, crianças e jovens que colocavam mãos à obra, cada um fazendo o que podia. O Sr.Lico Elias, proprietário do morro de fronte à igreja, acima de onde se localizava o aeroporto, doou todas as pedras que estavam soltas em seu terreno. Foram as valentes mulheres do bairro Bom Jesus que, unidas, rolaram um montão destas pedras que hoje fazem a base da igreja. Era mesmo assim: uns carregavam água, outros carregavam pedras na cabeça, outros transportavam a massa e o cimento para juntar os tijolos, outros ofereciam o café para os pedreiros e serventes, tudo num lindo mutirão.
Em 13 de Janeiro de 1980, fez-se a bênção da pedra-fundamental integrada na Missa que Pe. Gil celebrou no terreno. Foram colocados na caixa os nomes de todos os membros da Comissão, um documento de Puebla, uma fotografia atualizada da cidade, o projeto e algumas moedas da época.
Construindo as paredes e colunas sem interrupção de tempo, momento importante foi o da fundição da laje. Pe. Gil, conversando com os pedreiros, viu que as colunas previstas pareciam frágeis para o peso das vigas transversais. Para não correr riscos, resolveu procurar orientação de Dr. Alexandre Zsundy, engenheiro e fundador da Companhia Nacional de Grafite de Itapecerica. Obteve daquele competente e bondoso senhor não só a orientação pedida, mas o entusiasmo e o acompanhamento técnico diário da obra até o fim, sem nenhuma remuneração. Tudo ficou praticamente terminado e pronto para o uso em setembro de 1980, faltando apenas alguns acabamentos e o término da torre. A construção, quase por milagre, durou apenas 9 meses, do final de 1979 a setembro de 1980, coisa que parecia incompatível pelo preço da obra e a precariedade dos recursos da maioria das famílias do bairro.
Naquele setembro 1980, com a devida autorização do novo Bispo Diocesano, Dom José Costa Campos, foi entronizado para sempre, no corpo da igreja, o Santíssimo Sacramento, ficando resguardado num lindo Sacrário doado por uma pessoa piedosa da cidade. Todos os objetos litúrgicos, bem como as imagens, a cruz e os móveis do altar e da sacristia foram doados por féis devotos de Itapecerica. Para a compra das cadeiras, foi feita uma campanha para que cada pessoa doasse uma.
Depois de colher a opinião favorável de Pe.Carlos, em setembro de 1980, Pe. Gil fundou o Jubileu do Senhor Bom Jesus de Itapecerica. Pe. Gil mesmo escreveu a oração ao Senhor Bom Jesus que foi devidamente aprovada por Dom José Costa Campos. Esta oração é rezada desde aquela época, em todas as celebrações, de modo especial durante os 14 dias do Jubileu.
Ficou memorável a lindíssima e concorridíssima procissão da Matriz para a Igreja do Bom Jesus, no dia Sete de setembro de 1980, quando foi transladada a imagem do Senhor Bom Jesus para a nova igreja que tendo sido já terminada, foi solenemente abençoada na ocasião. A imagem tinha ficado sob a guarda de Dona Mira, avó de Pe.Gil, de abril a setembro de 1980, tendo merecido daquela piedosa senhora cuidados e orações diárias em sua residência ao lado da Matriz. A imagem fora adquirida em São Paulo, na Casa Bovis, naquele mês de abril e trazida por uma romaria organizada por Pe.Gil a Aparecida.
***Em 3 de fevereiro de 1981, por nomeação de Dom José Costa Campos, Pe.Gil assumiu a Paróquia de Igarapé e a reitoria do Seminário Diocesano, porém, continuou, com a licença do Bispo Diocesano, vindo a Itapecerica três dias por semana para acompanhar o prosseguimento da construção, deixando tudo terminado no final de 1981, com o agradável acabamento das paredes, laje, telhado, piso e janelas envidraçadas, bem como o equipamento de todo o material litúrgico e móveis necessários, e a torre iniciada.
Parece que a história do Bom Jesus repete, em certos pontos, a da Matriz de São Bento, pois em 1980, quando se celebrou a 1ª Missa no interior da Igreja, faltava a conclusão da torre, como acontecera quando Monsenhor José dos Santos Cerqueira benzeu a Matriz em 1904, que as torres não estavam concluídas.
Após a transferência definitiva de Pe. Gil em 1981, coube a Padre Bento Mateus Borges, seu sucessor, acompanhar o término da torre . No seu campanário foi colocado um sino que foi transferido da torre esquerda da Matriz (a do relógio), por estar este sino em desuso havia muitos anos.
Observa-se que, com a construção da Igreja, chegou e se acelerou o progresso para o bairro antes quase esquecido, pois à época não possuía nenhuma rua calçada, praticamente não havia rede de esgoto e a iluminação era precária. Do lado do atual Parque das Exposições, quase não havia casas, sem nenhum sinal de urbanismo. Hoje o bairro bom Jesus é bem outro, por certo, graças ao Senhor Bom Jesus!
Em 2004, quando a Paróquia comemorava os 100 anos de bênção da Matriz a Igreja do Senhor Bom Jesus comemorava os 25 anos do Jubileu. Grandes celebrações aconteceram naquele ano de Bodas de Prata.
Atualmente o Pároco Padre Pedro Gondim Ferreira vem animando o povo daquele bairro para que não se esmoreça e celebre cada vez com mais fervor os 14 dias do Jubileu. A comunidade, assim impulsionada, caminha a passos largos e vem mantendo a boa conservação da igreja e seus pertences com as arrecadações que consegue nos dias do Jubileu. A devoção vai crescendo e todo o povo de Itapecerica, unindo-se àquela comunidade, vem participando com muita fé, louvando o Senhor Bom Jesus, resultando numa verdadeira integração do bairro à vida de toda a Paróquia.
Vale perceber que uma Igreja onde está presente e é devidamente respeitado Jesus Sacramentado cresce no espírito comunitário e se torna melhor e mais forte diante de tantas dificuldades. O bairro Bom Jesus é um grande e vivo exemplo desta experiência da presença viva de Jesus Eucarístico.
Assim a história se faz e resguarda na memória a fé de um povo que na simplicidade reconhece os valores que aquele templo veio trazer para todos.
Hoje, a Paróquia São Bento conta com a comunidade fervorosa do Bom Jesus no trabalho de evangelização.
Que Deus seja louvado sempre por tantas graças!
Fonte de Pesquisa :Livro de Atas da época da Construção da Igreja
Informações de pessoas da Comissão da Construção –Moradores do bairro
Revisão do texto, confirmação de dados e enriquecimento do texto e das informações - Dom Gil Antonio Moreira
Participação e elaboração do texto inicial : Miralice Maria Moreira |