PREGAÇÕES DE DOM JOSÉ BELVINO |
Mensagem: SERMÃO DE DOM JOSE BELVINO DO NASCIMENTO
BISPO DIOCESANO DE DIVINÓPOLIS
SETENÁRIO DE DORES
SÉTIMA DOR – A SOLEDADE DE MARIA
Igreja de São Francisco de Assis
1995 – ITAPECERICA
“Pelo sinal da Santa Cruz, livra-nos Deus, Nosso Senhor, dos nossos inimigos. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo!
Ó clemens! Ó pia! Ó dulcis Virgo Maria ! ( Ó clemente, Ó piedosa , Ó doce Virgem Maria!)
Meus irmãos e minhas irmãs, faz quase mil anos, ainda na idade média, em uma família mais ou menos abastada, nascia uma linda criança e todos se rejubilaram, como sabem alegrar-se os pais e os familiares quando nasce mais alguém em casa. Só que com o passar dos dias, aqueles pais perceberam que a criança não era normal, quase não se movimentava.
E chegando à idade de andar, não andou.
E chegando a idade de falar, não falou. Tinha sofrido paralisia infantil!
Apesar de tudo, nos seus gestos difíceis com as mãozinhas pequenas, nos seus olhares ativos, os pais perceberam naquela criança uma grande inteligência e lá pelos oito/nove anos de idade, não tendo mais em casa como cuidar do filho, porque não havia hospitais naquele tempo, porque nem mesmo havia orfanatos e casas especializadas, procuraram os Monges de um Convento. E os Monges aceitaram o menino mais por caridade que por qualquer outro motivo e o menino era carregado nos braços, era cuidado com todo carinho. E começou a estudar com os outros meninos, para surpresa de todos!
Apesar de ter dificuldade pra escrever, apesar de andar numa cadeira de rodas, apesar de quase não se mexer, o menino se tornou o primeiro da classe, e mais tarde pediu para ser Monge também e foi aceito. E tornou-se também um professor famoso, especialista em várias matérias humanas como a matemática, a ciência, a geografia e depois ainda mais – doutor em filosofia e teologia. Escrevendo com dificuldade, saiu de suas mãos vários livros que percorreram o mundo. E quando alguém perguntava: “- quem é este sábio?”, os Monges respondiam; -“é o nosso santo Monge Germano!” . Como ele era todo encolhido, como ele não andava, como ele mal mal mexia um pouco com as mãos e a cabeça, chamaram-no de O MONGE CONTRAÍDO. Mais as dores da doença não lhe abandonaram.
Com o passar dos anos, lá pelos 30/40 anos de idade ele sofria muito, e numa tarde de tempo enfumaçado, numa tarde em que o tempo parece que nem anda e nem desanda, onde tudo é triste, onde tudo é quente, onde tudo é bruma, Germano o contraído, sozinho na sua cela, porque o seu irmão que cuidava dele como enfermeiro teve que sair, começou a gemer e suspirar: “-Ó meu Deus, que vida esta a minha! Eu nunca tive alegrias, eu não tive infância, eu não tive mocidade e agora aqui eu que dei toda a minha vida por vosso serviço, em prova de meu amor para convosco, olhai Senhor a paga que eu recebo: dores e mais dores! Eu não consigo mexer-me nesta cadeira.Ó meu Deus, eu não agüento mais!”
E assim falando olhou para a parede onde estava uma estampa de Nossa Senhora, a sua devoção predileta. E arrependido do que acabara de pensar e falar, olhando pra Nossa Senhora, duas lágrimas desceram de seus olhos e de seus lábios piedosos, brotaram essas palavras: “Salve Rainha, Mãe de misericórdia. Vida, doçura e esperança nossa,salve! “ Nisto chega o irmão enfermeiro e vê Germano com os olhos fitos em Nossa Senhora, as mãos em prece e lhe pergunta: “ o senhor precisa de alguma coisa?” E Germano o contraído lhe disse: “- Me leve até a igreja!” E lá chegando, na penumbra do Templo ele pediu: “ me coloque diante do altar de Nossa Senhora”. E ali ele continuou rezando: “ a vós bradamos, Maria, nós, os degredados filhos de Eva, a vós suspiramos, gemendo e chorando nesse vale de lágrimas. Eia pois advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei e depois deste desterro, mostrai Jesus, o bendito fruto de vosso ventre!” Fez uma pausa, suspirou fundo e completo!
u: “ oh clemente, oh piedosa, oh doce Virgem Maria!”
Mal sabia aquele Monge entrevado que a sua oração, depois passada para o papel, como era seu costume, iria avançar pelo mundo inteiro, iria atravessar os séculos, iria ser repetida de lugar em lugar, de casa em casa, de lábios em lábios pelos tempos e pelos lugares. Foi a primeira vez que alguém rezou a SALVE RAINHA. E a Igreja, mais tarde, completou com essas palavras: “Rogai por nós santa Mãe de Deus para se sejamos dignos das promessas de Cristo!”
Preparando-me para vir pela primeira vez, com muita alegria e honra para o meu coração participar dessa famosa e centenária cerimônia do Setenário das Dores de Itapecerica, eu me lembrei de Germano, o contraído e através dele voltei meu olhar para a Mãe do céu, que tendo passado por tudo quanto é sofrimento, por tudo quanto é ingratidão, por tudo quanto é dor, por tudo quanto é solidão, pois que sendo mãe sofreu mais e sendo mãe de Deus sofreu infinitamente, foi ali meus irmãos que eu resolvi iniciar a pregação com esta história, lembrando a história da mãe de Deus, que pela sua experiência de sofrer, entendi todos os que sofrem, como entendeu, abençôou e guiou o pobre Germano o contraído.
Como que Nossa Senhora sofreu!
Hoje vamos fixar-nos, não na última, mas em uma de suas dores, que colocamos como ultima das sete que lembramos, Maria sem o seu Jesus! Lá está ela ao pé da cruz, tendo nos braços o corpo inerme de Jesus e o contempla, e o vê naquele estado recordando o menino que teve nos braços em Belém, recordando o menino que pulava nos braços para abraçá-la em Nazaré, recordando tantas e tantas cenas da vida de seu filho, agora levado aquela condição de um corpo sem vida, ensangüentado, massacrado, martirizado! E os seus amigos, não agüentando mais tanto sofrimento de mãe, assim como quem arranca o corpo de Jesus dos braços, em procissão fazem o caminho da sepultura. O sofrimento da mãe era tanto, que para ela não parecia andar, seus pés como que voavam no ar, pois que o amor como a dor são capazes de elevar-nos acima da terra, são capazes de transformar-nos de criaturas humanas em criaturas celestes. E Maria viu seus amigos depositarem o corpo de seu filho no túmulo. Ouviu como um ba!
que no seu coração, o estalido da pedra que fechava o sepulcro. Sentiu os seus braços nos braços de suas companheiras, dizendo-lhe ao ouvido: “ tudo acabou, é hora de votar pra casa.” E chegando em casa, lá está Maria, mesmo que acompanhada pelos amigos e parentes, sozinha na sua dor. E nós, não encontrando outra palavra mais forte, para descrever o que ela passou quando chegou em casa e não levou consigo o seu Jesus, dizemos apenas: “ é a Senhora da soledade” a senhora da solidão, a senhora sozinha, sozinha com sua dor, porque para ela não ter mais Jesus era não ter nada. Na sua casa não entrar mais Jesus, não entrava mais a felicidade.
Ah meus irmãos, eu até penso que para pregar a dor e os sofrimentos de Maria, aqui no lugar de um homem deveria estar uma mulher. Mulher que é mãe! Mãe que perdeu um filho, para que ela pudesse transmitir para nós um pouco do sofrimento que é uma mãe ficar sem o seu filho. E assentada lá na sua casa, que era a casa de João evangelista, para onde ela foi, olhava para tudo e não achava graça em nada. E quando voltou para Nazaré, para sua casinha pobre, então sim a sua solidão se tornou sem limites.
Olhava para a cozinha... para os pratos..., para o banquinho..., estavam vazios, estavam sem movimentar-se. Não havia mais Jesus! Olhava para os móveis , para a cama vazia . Não havia mais Jesus! Tentava fazer uma comida, como era seu costume de mãe, não tinha vontade de comer, porque ali estava vazio o prato de Jesus e lembrava, (ah quantas lembranças), lembrava de tudo o que aconteceu, desde a anunciação do anjo, passando pelo presépio de Belém, nas suas andanças pelo Egito, na sua aflição quando Jesus sumiu em Jerusalém, até chegar a dor da noticia de que ele havia sido preso, o seu encontro com ele na rua da amargura a caminho do calvário, todo o seu sofrimento durante três horas firme de pé junto à cruz, lembrava Jesus morto em seus braços, lembrava do tumulo onde o deixaram e não havia ninguém e nada que a pudesse consolar.
Ah meus irmãos, não basta estarmos aqui entre músicas e luzes para comemorar as dores de Maria. Não basta nos reunirmos aqui, como em festa, para relembrar as dores de Maria. Não basta nem mesmo a nossa oração, que são apenas palavras saídas dos lábios, quem sabe ate saídas do coração. Nada disto basta! Para nós comemorarmos fielmente os mistérios da vida de Maria Mãe de Deus, para nós merecermos as graças e bênçãos que ela merece e deseja distribuir conosco, pobres pecadores, teremos que ir mais longe. Teríamos que ser sinceros, levando uma vida de acordo com a nossa fé, de acordo com as palavras e os mandamentos que o Evangelho de seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo!
Foi por isso que eu me lembrei também de estarmos neste ano tratando do problema da família, das famílias e quase naturalmente me veio essa verdade à mente e aos lábios: casa de Maria sem Jesus, era soledade, era a tristeza. Casa de FAMILIA sem Jesus é a infelicidade, é a desgraça, é o que estamos vendo em muitas casas de família no mundo de hoje.
Famílias sem Jesus, porque os pais pelejam, lutam, falam, ensinam e até mesmo dão exemplos, mas os filhos e filhas, influenciados por tantos males que vem de fora de casa, entrando por paredes e portas e janelas fechadas, estão apodrecendo, estão destruindo estão acabando com as nossas famílias e o pai chora porque não entende a desobediência e a rebeldia de seus filhos. E a mãe chora porque não compreende o destino e a falta de juízo de suas filhas. Mas meus irmãos, muitas vezes é o próprio pai que tem a culpa, é a própria mãe que não cumpre o seu dever como devia e então os filhos e filhas se extraviam e vão sumir e vão desaparecer e vão como que perder-se no vícios, nas drogas, nos pecados, nos assassínios, nos roubos, nos assaltos, como nos estamos vendo por toda a parte.
Ou então o pai, depois de nascido, deixá-los jogados por aí nas ruas, ao Deus dará, para não dizer – ao diabo dará! Ou então por que não reza mais, porque não tem mais espírito religioso, este pai e esta mãe não se preocupam em encaminhar os seus filhos para o caminho de Deus, para uma doutrinação, para uma missa ou uma oração na Igreja e se alguém perguntar para este pai, esta mãe : “ onde está o teu filho, a tua filha?”, eles não saberão responder.Pois é isso que eu penso e está acontecendo em muitas famílias: Jesus não está lá mais porque o filho, a filha que representam Jesus para aquela família, perderam-se, desencaminharam-se, sumiram.
Pode parecer exagero, pode parecer que eu estou falando absurdos, mas meus irmãos, sabe qual vontade que dá? De chamar esse pai irresponsável, que não cuida de sua família, que não tem carinho com a sua esposa, que a maltrata e despreza, que é infiel, que vive por aí gastando os seus poucos recursos no buraco sem fundo da jogatina ou então, se enchapurda na lama da bebida, caindo pelos cantos de rua enquanto a sua mulher e seus filhos sofrem Dá vontade de dizer assim: “ Oh homem! Oh marido! Oh pai de família, já que é assim pensas e agis, vem aqui, cospe na cara da Mãe de Deus, coloca nela uma coroa de espinhos, joga sobre seus ombros uma cruz, leva-a também para o calvário e a crucifica como a seu filho e depois blasfema diante dela, pois que é isto que fazes quando despreza a tua esposa, quando deixas ao léu o seus filhos, sem pão e sem doutrina, quando não cumpres o teu dever de esposo e de pai. Oh mãe desnaturada que não te importas com teus filhos, sobretudo com as tua!
s filhas vem também! Cospe no rosto de Maria, calca-lhe na cabeça uma coroa de espinhos! Atrevida que és com a tua vida, arranca-lhe as vestes, bate nela, crucifica-a, mata a Mãe de Deus, porque é isto que fazes com teus filhos e filhas e teu marido, quando desprezas o teu dever, quando não queres nada de sacrifício, mas só de levar uma vida folgada, nos passeios, nas modas, longe da Igreja, longe de Deus.
Eis o retrato de muitas famílias! E se eu tivesse mais tempo, pois que não quero abusar de vossa paciência, iria descrever essa cena com palavras mais fortes ainda para ver se saindo desta Igreja, depois deste Setenário, depois de contemplar as dores da mãe de Deus, quem sabe nós nos converteríamos e muitas famílias seriam salvas, e muitos filhos voltariam ao bom caminho e muitas filhas ao se sujariam na lama do pecado.
Oh Virgem Mãe de Deus! Oh Senhora das Dores! Oh Mãe da soledade, por esse sofrimento que passaste, nesse abandono de tudo e de todos, até mesmo o abandono do Pai do céu, que vos deixou nessa agonia, por todas as vossas dores.
Oh Senhora das Dores , na verdade, o que nós queremos não é isto que está acontecendo, nós queremos mudar de vida. Nós queremos salvar as nossas famílias. Nós queremos que o pai sinta alegria de ver o seu filho bom, trabalhador, virtuoso. Nós queremos que as mães contem vantagem por sua filha ser honesta, ser obediente, ser modesta, ser um exemplo de virtudes. O que nós queremos Mãe do céu é que as nossas famílias mereçam esse nome de famílias cristãs e sejam neste mundo um pedacinho do céu, um lugar onde Jesus está presente, porque onde Jesus está presente, ali está a paz, a alegria, a felicidade.
Por isso Mãe de Deus encerrando este Setenário, em nome de todas as famílias que precisam de vossa ajuda e de vossa proteção, como aquele Monge – Germano o contraído – nós, de olhar em lágrimas, de mãos postas, olhamos para a vossa imagem e lá do fundo de nosso coração, com toda a confiança, com todo amor e com toda a esperança, desejando a benção para as nossas famílias, para os pais que sejam mais responsáveis, para as mães que sejam mais santas, para os filhos que sejam mais obedientes para as famílias que sejam mais cristãs, imitando Germano o contraído na sua dor nós repetimos , (rezem comigo, todos de pé):
Salve Rainha, mãe de misericórdia. Vida, doçura, esperança nossa, salve! A Vós bradamos os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando nesse vale de lágrimas. Eia, pois, Advogada nossa esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei e depois deste desterro mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Oh clemente, oh piedosa, oh doce Virgem Maria. Rogai por nós Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!
Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, amém !”
F I M !
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“ Ponho, então à tua frente/ dois caminhos diferentes: vida e morte, e escolherás!
Sê sensato escolhe a vida/ parte o pão, cura as feridas/ sê fraterno e VIVERÁS!” (CF/2008)
Feliz e Santa Páscoa !
Marcos Aurélio Moreira
18/03/2008 |
(Para o Boletim da CNBB – não foi pregação...)
DOM ALOÍSIO LORSCHEIDER: 50 ANOS DE SACERDÓCIO
D. José Belvino do Nascimento
Sensibilizadas com a gentil decisão de D. Aloísio Lorscheider, OFM (celebrar em Divinópolis seu Jubileu de Ouro Sacerdotal – 28-08-98), a cidade e a Diocese de Divinópolis se mobilizaram para tão festiva efeméride.
Tendo chegado na véspera, D. Aloísio visitou a cidade que encontrou moderna e bem diferente, curtindo as saudades de suas primícias de estudante e de padre novo. Com sua voz amena e tranqüila, com seu coração cheio de amor e sabedoria, deixou a todos embevecidos pela sua simpatia sorridente.
Deu uma entrevista coletiva à Imprensa falada, escrita e televisiva. Respondeu a questões nos campos da História, da Sociologia, da Política, da Filosofia e da Teologia. Fala como mestre. Cativa como pai. Convence como sábio. Concedeu também uma entrevista especial à TV, entreevista que foi repassada várias vezes, dada a clareza e profundidade do seu conteúdo.
À noite do dia 21 de agosto, no salão nobre do Instituto Na. Sa. do Sagrado Coração, aconteceu a Homenagem Oficial, com discursos, encenações e cantos orfeônicos. – Discursaram: o pároco Pe. Frei Teodoro Verhuijen, OFM; Professora Maria Ângela Sena Rabelo, Superintendente de Ensino; Dr. José Lindolfo Fagundes, Presidente da Academia Divinopolitana de Letras; Pe. Frei Dario Campos, OFM, Provincial; Dr.Geraldo Magela doe Amaral, Pres. da Câmara Municipal; Dr. Domingos Sávio, Prefeito Municipal; Dr. Aluísio Pimenta, Reitor da UEMG, que deu ao homenageado o Título de Doutor Honoris Causa; Prof. Gilson Soares, Diretor do INESP-UEMG; e D.José Belvino, Bispo Diocesano.
À entrada, homenagem da Banda do 3º Batalhão da Polícia Militar. Os 5 Corais presentes entoaram o lindo Hino de Divinópolis. Veio em seguida o “Elogio das Virtudes de S. Francisco”, uma encenação teatral do INESP-UEMG, sob a direção de Osvaldo André de Melo. Coreografia “Graças de Maria” pelo Studio Art e Dança. O Coral dos Rouxinóis, com o Maestro Antônio Gontijo Filho, cantou: Noites Goianas, Reinado e Salmo 150. Já o Cocoricoral, como o Maestro Aloísio Petrus Espíndola, apresentou: Carinhoso, Canto Catalão e Edelweis. O Vox Coral, do Maestro José Carlos Gonçalves, interpretou: Salmo 150, Xangô, amigos para sempre. O Corus Exultate Voces, do Maestro Alaor José Gonçalves apresentou: Sing Unto God, Glória de Mozart, Halleluiah – Messias de Haendel. Finalmente, um Coral improvisado de Franciscanos e amigos de S. Francisco entoou o II Canto de Frate Sole, de Alaleona.
Tudo isto constituiu um verdadeiro Concerto de 1º mundo, dada a beleza e emoção sentidas e vividas. Noite inesquecível!
Dom Aloísio, comovido, agradeceu a todos. E ainda ouviu os Seresteiros do Amor que o acompanharam cantando, até o Convento, dirigidos por Maria Ângela Carvalho Mesquita.
A Missa solem do dia 22, às 10 horas, no Santuário de Santo Antônio, veio coroar as homenagens. Simplesmente solene! Presença do Cardeal Dom Serafim Fernandes de Araújo, de vários Arcebispos e Bispos, de dezenas de sacerdotes franciscanos e diocesanos, e muito povo.
Ao Evangelho, a pedido de nosso, Dom Aloísio mesmo foi quem pregou, brindando-nos com uma reflexão sobre a SS. Trindade na vida e vocação dos cristãos, como que subliminarmente falasse da própria vida e vocação. Um mimo de retórica ascética e mística.
Tudo terminou com um almoço de confraternização no salão paroquial, em meio a muita alegria e felicidade.
Não sei quem mais feliz, se D. Aloísio, se o povo de Divinópolis. Bem, na verdade, honrados fomos nós, de Divinópolis, com esta presença amiga e enriquecedora. Filho de uma florista, Dom Aloísio aprendeu a espalhar flores de bondade por onde passa. Filho de um dentista, aprendeu a espalhar sorrisos de amor pelos caminhos palmilhados. Filho de S. Francisco, aprendeu a espalhar a riqueza de ser pobre para tantos corações à míngua de paz e bem! Obrigado, Dom Aloísio!
Divinópolis – outubro de 1998. |
Sacerdote, profeta de Deus.
(Pregação na Ordenação Sacerdotal do Revmo. Sr. Pe. Marcelo Francisco da Silva.
Divinópolis, 26.05.2007)
D. José Belvino do Nascimento
Meu caro Diácono Marcelo Francisco da Silva,
É sublime a missão dos Ministros de Deus em todos os seus ministérios de sacerdotes, profetas e pastores. Mas como poderão ministrar os benefícios da Graça de Deus como sacerdotes, ou como poderão espargir as dádivas do amor de Deus como pastores, se antes não semearem nos corações dos fiéis as sementes da fé com sua voz de profetas?
“A fé vem da pregação da Palavra de Deus (Rm 10,17), nos ensina São Paulo. E a Palavra é o próprio Cristo, como nos diz São João no início do seu Evangelho: “No princípio era a Palavra e a Palavra estava com Deus e a Palavra era Deus... E a Palavra se fez carne e habitou entre nós...” (Jo 1,1-1;14) O próprio Cristo o confirmou mais tarde: “Quem vos ouve, a mim ouve; quem vos despreza, a mim despreza; e quem me despreza, despreza Aquele que me enviou” (Lc 10,16).
Eis porque o ministério da pregação constitui o preâmbulo, o alicerce de todo o trabalho sacerdotal. O Concílio Vaticano II sentenciava: “Os sacerdotes, como colaboradores dos bispos, têm como obrigação primeira anunciar a todos o Evangelho de Cristo” (LG, 25). Foi a ordem que Jesus deu a seus apóstolos: “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura” (Mc 16,16). E Jesus acrescentava: “Como o Pai me enviou, eu também vos envio” (Jo 20,21).
Aliás, São Paulo já no-lo advertia: “O Senhor mandou-me evangelizar, e não batizar” (1 Cor 1,17). E insistia para espanto e admiração de todos: “ Anunciar o Evangelho não é título de glória para mim, é, antes, uma necessidade que se impõe. Ai de mim, se eu não anunciar o Evangelho!” (1Cor 9,16). Por isso, meu caro Pe. Marcelo, eu o chamei de padre? Não faz mal, pois o será agora mesmo. Por isso, a missão de Jesus não terminou com ele, mas continua nos seus ministros, nos bispos, nos sacerdotes, nos diáconos, em você, meu caro Pe. Marcelo Francisco.
Se nós buscamos a opinião dos santos e doutores da Igreja, assusta-nos a seriedade com que falam do dever sacerdotal de pregar. Assim diz Dionísio Aeropagita: “A mais divina das obras é a pregação da Palavra de Deus”. Santo Agostinho, o mais lúcido dos Santos Padres, afirmava: “Fazer do ímpio um justo, pela fé, é mais do que criar o céu e a terra.” E falava para consolo nosso: “Pregador, salvaste uma alma, predestinaste a tua!”
Na linguagem dos santos, os pregadores auxiliam a Deus, continuam a missão de Cristo e cooperam na salvação das almas. Que dignidade para o sacerdote e que alegria para seu coração: pregar a Palavra de Deus, mais cortante que uma espada de dois gumes, mais penetrante que a luz do sol, porque vai às profundezas da alma, da mente e do coração humano.
Eis porque, meu caro Pe. Marcelo, achei por bem mimoseá-lo, no dia de sua ordenação sacerdotal, com estas palavras sobre o ministério do profeta, do pregador sagrado. Como sacerdote, profeta e pastor, você será um outro Cristo, segundo a linguagem multissecular da Igreja. Outro Cristo, como sacerdote que traz a graça de Deus para os homens; outro Cristo, como pastor que espalha o amor de Deus entre os homens. Mas, antes de tudo, você será outro Cristo como profeta que ilumina as mentes dos homens com as luzes celestes da Palavra de Deus.
O bonançoso Papa João XXIII exclamava: “Que honra e que mérito para o pregador ser convertido em instrumento de graça e salvação” (Alocução – 19.02.60). Mas, ao mesmo tempo, que responsabilidade falar em nome de Cristo, como um outro Cristo! Como, porém, falar em nome de Cristo quem não tem Cristo no coração? Santo Agostinho dizia com clareza: “Se dentro de nós não mora Aquele que ensina, é vão o som de nossa voz.” (Sobre 1 Jo,3). Se não arde o amor de Cristo no coração de quem prega, jamais ele incendiará de amor a Cristo os corações dos seus ouvintes.
Lembre-se, pois, meu caro Pe. Marcelo, de que o centro, a origem e o fim de toda pregação é o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo. “É de Cristo que temos de falar, e não de nós mesmos”, advertia S. José Maria Escrivã (É Cristo que passa, 163). Se quisermos saber o que São Paulo pregava, ele mesmo nos dá a resposta: “Nunca entre vós alguém me ouviu falar alguma coisa, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado” (1 Cor 2,2). Fazer com que os homens conheçam mais e mais a Jesus Cristo, e dos atos de fé passem às obras de amor, eis a missão do pregador.
Para tanto, o pregador precisa preparar-se pelo estudo e pela reflexão, mas sobretudo pela oração e confiança na graça de Deus. É Santo Agostinho quem nos aconselha: “Ao pregar, faça o pregador o que esteja ao seu alcance para ser ouvido com gosto e docilidade. Mas não tenha dúvida de que, se alcança algum fruto, é mais pela piedade de suas orações do que pelos seus dotes oratórios. Portanto, rezando por aqueles aos quais vai falar, seja antes um homem de oração que de oratória. E, antes de começar a pregação, eleve a alma a Deus, para que fale de Deus, e não de si mesmo” (Doutrina Cristã, 4).
Já São Boaventura explicava com franqueza: “O mérito do pregador não vem da sublimidade do discurso, nem das maravilhas da eloqüência, mas do trabalho feito por amor de Deus”. E São Francisco de Sales acrescentava: “Para ser eloqüente, basta o pregador amar mito a Deus e a seus ouvintes.”
Mas, para o pregador amar a Deus e os ouvintes, é-lhe mister conhecer o amor de Deus e seus mistérios e conhecer a cultura, os costumes e a vida de seus ouvintes. Quer dizer, precisa estudar muito. Nunca ir para uma pregação sem esquematizar as palavras e sem uma mínima preparação com o estudo do tema e do melhor modo de transmiti-lo, respeitando as circunstâncias de tempo, lugar e cultura.
Falar bem, nem sempre é falar muito. Aliás, o pregador que bem se prepara, consegue falar muito em poucas palavras. A linguagem e o modo de pregar varia, se na igreja, se na praça, se numa sala. Varia também de acordo com o auditório: simples, se para crianças; entusiasmada, se para jovens; madura, se para adultos. Palavras sábias aos sábios; palavras humildes aos humildes; palavras carinhosas aos carentes de carinho, O pregador deve, como Jesus, falar com simplicidade sobre as coisas mais profundas, mas fazê-lo de modo atraente e sugestivo, de modo a fazer-se entender tanto pelo doutor como pelo camponês. Falar com simplicidade não é tão simples assim. Supõe esforço para propor exemplos que penetrem os corações dos pecadores mais empedernidos. São Vicente Ferrer, grande pregador, ensinava: “Um modo de falar genérico sobre as virtudes e os vícios move pouco os corações” (Vida Espiritual, 13,c).
Por isso, o pregador há de transmitir a verdade, mesmo que doa aos ouvidos dos pecadores. São João Crisóstomo, o homem da palavra de ouro, lamentava: “A ruína da Igreja está em os pregadores quererem mais agradar os ouvintes do que convertê-los”. E São Paulo nos deixou sua regra de ouro: “Deus quer que todos se salvem e conheçam a verdade” ( 1 Tm 2,4).
A verdade! Pregar a verdade é pregar o próprio Cristo que disse: “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida!” (Jo 14,6). Se o pastor mostra o caminho, isto é, mostra Cristo que nos leva ao céu; e o sacerdote nos mostra Cristo, que é nossa vida divina; ao pregador, ao profeta de Deus compete a primordial missão de nos apontar Cristo, que é a verdade eterna. Desconhecer a verdade, que é Cristo, leva as pessoas a desvios, a erros, a paganismos, a barbáries, a crendices. O Santo Cura d’Ars dizia: “Se me perguntais por que há tão poucos cristãos que vivam só para agradar a Deus, é porque a maior parte dos cristãos vivem mergulhados na mais espantosa ignorância” (Sermão sobre a Verdade). E o Papa João XXIII constatava: “A ignorância religiosa é causa e como que raiz de todos os males que envenenam os povos e as almas” (29.02.59).
Mas certamente, meu caro Pe.Marcelo, a virtude básica de todo pregador é a humildade. O próprio Cristo a quem anunciamos ao mundo nos ordenou: “Aprendei de mim que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). “Se perguntais, confidenciava Santo Agostinho, o que é mais essencial na religião e na disciplina de Jesus Cristo, eu lhes responderei: primeiro, humildade; depois, humildade, e em terceiro lugar, humildade” (Epístola 118).
O pregador há de ser humilde. As palavras que ele prega não são dele, mas de Cristo. É grave a sentença de São João Vianney: “Se não tendes humildade, podeis dizer que não tendes nada”. “O homem humilde, ensinava São Basílio, é semelhante a Deus, pois o leva consigo no templo do seu peito” (Admonições). E só quem tem Deus no coração, consegue levá-lo aos corações dos outros, pela palavra e pelo testemunho de vida.
Enfim, Pe. Marcelo Francisco, faça de sua vida sacerdotal um testemunho ambulante, uma palavra viva, como aconselhava Santo Agostinho: “Quereis louvar a Deus? Vivei de acordo com o que pronunciam vossos lábios. Vós mesmos sereis o melhor louvor que podeis tributar a Deus, se é boa a vossa conduta” (Sermão 34).
Desejo, de coração, Pe.Marcelo, que seja um padre santo, um santo sacerdote, distribuindo as graças de Deus; um santo pastor, espalhando o amor e o carinho de Deus; e um santo profeta, mostrando a todos as verdades eternas que norteiam nossa vida na caminhada para o céu. Deus o abençoe, e o ilumine, e o proteja sempre. Amém. |
Deus o abençoe, Pe. Humberto!
(Pregação na Missa de ação de Graças pelas Bodas de Ouro Sacerdotais do Revmo. Sr. Pe. Humberto Henricus Meuwissen, CSSp. – Araújos – MG – 15.07.06).
D. José Belvino do Nascimento
Meu caro Pe. Humberto,
Justamente hoje o senhor celebra as suas Bodas de Ouro Sacerdotais. Nossos parabéns, nossa homenagem e nossa gratidão!
Quando me pus a refletir sobre o que falaria ao senhor, imaginei não estar à altura, por não conhecer bem sua biografia. Mas logo tantas idéias me invadiram a mente que mal consegui concatenar algumas delas, como passo a fazer.
O primeiro pensamento que me veio foi este. Até hoje não temos um bem-aventurado mineiro. Logo esta terra tão católica, tão piedosa, com suas cidades e campos salpicados de igrejas... Logo este povo de Minas tão cheio de fé em Deus, e com seu carinho à Mãe de Deus, e com suas devoções, novenas e festas a todos santos... Logo em Minas, cujo povo prima pela devoção a Jesus Sacramentado, a Jesus Morto, sobretudo na Sexta-eira da Paixão, e também a Jesus Ressuscitado, que todos esperamos ressuscitar com Ele na glória...
Pois é, foi preciso que viessem missionários de tão longe, lá da grande Europa, lá da pequenina Holanda, para que em Minas se beatificasse um santo que pisou o solo mineiro. Logo quem? Um holandês, um missionário que, por ter vivido entre nós, o temos como mineiro: o Beato Padre Eustáquio!
Aliás, os missionários holandeses invadiram e evangelizaram nossas Minas Gerais, para alegria nossa: franciscanos, redentoristas, carmelitas e... os espiritanos... Nossa diocese de Divinópolis então se sentiu privilegiada com a presença deles, inclusive dos espiritanos em Itaúna, em Divinópolis, em Perdigão, em Araújos...
Que exemplo para nós, Pe. Humberto, o senhor ter deixado sua terra, sua família, seu rincão, para vir ser missionário no Brasil. Em quantos lugares o senhor trabalhou por aqui, heim! Eu o conheci, há 11 anos atrás, quando fui visitar a nossa Igreja Irmã de Tefé no Amazonas. O senhor me recebeu na casa de apoio dos espiritanos em Manaus. Com que carinho nos tratou... Depois foi conosco para Tefé celebrar os cem anos dos espiritanos naquelas paragens. Que festa bonita! E o senhor lá presente, feliz, sorridente como responsável então pelos padres espiritanos...
Mal sabia eu que, um dia, o senhor viria aportar em nossas plagas divinopolitanas, assim como quem procurava um cantinho para passar seus últimos anos de vida. Araújos estava à sua espera, como uma pequenina Betânia, como um cantinho do céu, com seu povo acolhedor e bom...
E vivendo o senhor aqui entre nós, já nos acostumamos com seu semblante tranqüilo, com seu sorriso ameno, com sua presença certa em nossas reuniões, em nossas festas, em nossa vida. Às vezes até, na sua humildade, dá-nos a impressão de querer desculpar-se: “Perdoem-me a minha presença entre vocês; sou muito grato por me terem aceitado em seu convívio!”
Oh! Pe.Humberto, o senhor já é um dos nossos, um exemplo de fé, de esperança para nós; um estímulo, pelo seu zelo pastoral, para os nossos sacerdotes, religiosos e leigos, como bom evangelizador, catequista e sacerdote que é. Seja sempre feliz em nosso meio!...
Pe. Humberto, que bom que, há 50 anos atrás, o senhor se fez sacerdote, pela graça e para a glória de Deus. O sacerdote existe para que Jesus continue realizando na terra os seus milagres de amor: o milagre da sua Palavra pregada e ouvida; o milagre da sua Paz sofrida e conquistada; o milagre do seu Perdão desejado e alcançado; e sobretudo o milagre da sua Eucaristia, da sua presença viva em nossos corações, em nossas famílias, em nossas comunidades...
Que mistérios sublimes de Jesus Eucarístico e do sacerdote católico, sempre unidos um ao outro. Sem a graça de Cristo, o sacerdote não existiria; mas, sem o sacerdote, não teríamos a Eucaristia em nossos altares e em nossos sacrários! Encantados com estes mistérios, os mestres e doutores da Igreja exclamam palavras assim: ó sacerdote, quem és tu? Um anjo? Muito mais que os anjos, porque maior é teu poder!... Um homem? Muito mais que um simples mortal, porque és o Cristo neste vale de lágrimas!... Ó sacerdote, não és tu, porque és o Cristo entre nós!... Não és de ti, porque és de todos que procuram a Cristo!... Não és para ti, porque és somente de Deus!...
Hoje, Pe. Humberto, com São Basílio Magno, o senhor estará cantando: “Que retribuirei ao senhor por tudo quanto me deu? Ele é tão bom que não cobra remuneração, mas se satisfaz em ser amado por causa de seus dons” ( S. Basílio Magno, Regra,2,4). E, quem sabe, lembrará a oração do Santo Agostinho: “Senhor, quer louvar-te o homem, esta parcela de teu coração! Tu próprio o incitas para que sinta alegria em louvar-te. Fizeste-nos para Ti e inquieto está nosso coração enquanto não repousa em Ti! (S. Agostinho, Confissões, 1,1).
Eis porque, meu caro Pe.Humberto, estamos hoje aqui ao seu lado, para ajudar o senhor a louvar e agradecer a Deus por seus 50 anos de abençoado e santo sacerdócio!... Louvando e agradecendo suas Bodas de Ouro, é ao próprio Cristo que louvamos e agradecemos...
Sim, ó Bom Jesus, louvando o teu sacerdote douradamente jubilado, é a Ti que louvamos! Louvando-o, não lhe incentivamos a vaidade, porque ele sabe que tudo deve a Ti, Jesus!... Louvando-o, pensamos nas alegrias que ele deu a tantos filhos e filhas de Deus, pelos quais, ó Jesus, sofreste e morreste na Cruz!... Louvando-o, queremos lembrar a este mundo paganizado que só Tu, ó Jesus, és o Caminho, a Verdade e a Vida para os peregrinos deste mundo, para os que andam nas trevas do erro, para os que vivem enxafurdados na lama do pecado!... Louvando-o, queremos recordar a todos que só Tu, Jesus, podes encher os nossos corações tão vazios de felicidade e de paz!...
Permita-me, Pe.Humberto, que antes de terminar o meu louvor e através do senhor, em nome de toda a nossa diocese de Divinópolis, eu possa agradecer também aos espiritanos que merecem e como a nossa gratidão perene. Agradecer aos que já se foram para o céu, como o nosso saudoso Pe. Luís Turkemburg; agradecer aos que se foram para outras terras, como Dom Mário e o Pe. Tiago; agradecer aos que ainda permanecem entre nós, como Pe. José e o Pe. Giovanne. Deus lhes pague o amor, o zelo, e a paciência de missionários de Jesus Cristo.
E ao senhor, Pe. Humberto, digo mais uma vez: Parabéns!... Ao senhor repito muitas vezes: Obrigado!... Ao senhor, com meu abraço fraterno, eu quero agradecer em nome de todos os nossos diocesanos, sacerdotes, religiosos e leigos, ou melhor, em nome do próprio Jesus Cristo, dizendo-lhe de todo o coração:
Pe. Humberto, Deus o abençoe, Deus o abençoe muito. Deus o abençoe agora aqui na terra; Deus o abençoe sempre e por toda a eternidade. Amém! Assim seja... |
“Tenham a coragem do bem”
(Dom Orione)
(Homilia na Ordenação do Pe. Celmo Coelho de Sousa – Orionita
Entre Rios de Minas – 16.12.2001)
Meu caro em breve Pe.Celmo,
Você não imagina a alegria que me deu, convidando-me para ordená-lo sacerdote! Quando você nasceu, nasciam também as CEBs em Medellin... E começamos a implantar em nossas Comunidades Rurais o espírito e o jeito das Cebs, na Comunhão e Participação, na prática do amor e do bem!... A Comunidade de Nossa Senhora das Graças dos Coelhos foi uma delas. Que povo piedoso e bom... Como os israelitas cantavam de alegria, quando se lhes dizia: Vamos à Casa do senhor, comigo algo de semelhante se dava, indo para os Coelhos. Parece que o jipe deslisava mais lépido e meu coração batia mais feliz... Sua vocação, Pe. Celmo, nasceu ali naquele ambiente de amor e paz. Sua ordenação sacerdotal é um prêmio e uma honra para aquele povo simples e santo... Compartilho, pois, da alegria de seus pais, e parentes, e amigos em meio às luzes e flores de hoje!... Neste dia em que você se cobre de flores e exulta e se alegra com grande júbilo”, nas palavras do Profeta Isaías ouvidas na 1ª leitura ( Is 35,1).
Procurando entre os escritos e palavras de seu Pai espiritual uma mensagem, quem sabe um conselho que eu lhe pudesse deixar como lembrança de sua ordenação sacerdotal, deparei-me com uma carta belíssima que Dom Orione escreveu de Buenos Aires, em abril de 1936, como Votos de Páscoa à Família Orionita. Começava assim: “Aos Religiosos e Religiosas da Pequena Obra, aos Amigos, aos Benfeitores e Benfeitoras, aos caros Ex-alunos e alunas, a todos os nossos pobres, aos orfãozinhos, aos sadios e doentes, aos jovens e idosos, que vivem nas Casas da Congregação sob as asas da Divina Providência...” No final da carta, como chave de ouro, esta beleza de expressão orionita:
“Tenham a coragem do bem... defendam o espírito de bondade; perdoem sempre; amem a todos; sejam humildes, laboriosos, sinceros e leais em tudo: o mundo precisa muito de fé, de virtude, de honestidade!” (Dom Luiz Orione, Cartas. Vol. II, Roma, p.343, 1969).
“A coragem do bem” pode muito bem ser seu lema de vida, Pe. Celmo! Mas, para tanto, você precisa ser santo... A coragem do bem supõe a santidade, que é a primeira vocação do cristão, antes mesmo da vocação religiosa e sacerdotal. O mundo está cheio de heróis, de super-homens, de sábios, de doutores, de poderosos... Mas nem por isso é feliz, porque vive à míngua de santos, os únicos capazes de espalhar a felicidade e a salvação entre os homens. É Cristo quem nos ensina a viver na verdade e na plena humanidade, como diz o Concílio Vaticano II, na Gaudium et Spes (n. 22): “Cristo, o novo Adão, revela mais plenamente o homem ao homem. A santidade autêntica é que nos leva a ser “conformes à imagem do Filho de Deus” (Rom 8,28-30), na expressão de São Paulo. Heróis e super-homens, só os privilegiados física e intelectualmente. Mas para ser santos, podem sê-lo os fracos, os doentes, os anciãos, os jovens e as crianças, os rudes, os simples, os analfabetos, os pobrezinhos, todos... dos quais fala tão belamente o que rezamos há pouco (Sl 145,5-10). O Santo Cura d’Ars que o diga!
A coragem do bem é a virtude típica dos santos, e não dos heróis, pois não exige da gente saúde, a força física, a beleza, a juventude... Podemos dizer que foi o acontecido a Dom Orione, de quem Dom Giuseppe de Luca traçou este perfil: “Este pobre italiano simples, humilde, caridoso, foi na Itália uma das expressões mais lídimas e esplêndidas do divino...”
A coragem do bem é como a chama divina que levava Dom Orione a preocupar-se com o bem de cada pessoa e de cada comunidade. Não só o bem espiritual, mas também o bem temporal e social, no cuidado do outro, dos outros, dos mais fracos, dos anciãos, dos órfãos, dos doentes, dos abandonados... Mons. Montini, mais tarde Paulo VI, num discurso aos amigos de Dom Orione (Roma, 12.03.1944), disse: “Dom Orione sabia que, onde arde a Fé, o sucesso não pode falhar. Por isso, nas provações, às vezes tremendas, que afligiam sua pobre alma, não vacilou jamais. E dos golpes da desventura, como das batidas do martelo sobre o ferro, saiu mais viva a luz que iluminou sua vida para o bem e o amor do próximo.” Eis a mensagem belíssima de S. João na 1ª Carta: “Se Deus assim nos amou, devemos, também nós, amar-nos uns aos outros” (1 Jo 4,11).
Etimologicamente, podemos dizer que a palavra “coragem” vem da expressão latina “corde agere”, isto é, agir com o coração. Ora as leis do coração se baseiam mais no amor, na generosidade, na solidariedade que nas conveniências e certezas da razão. Só o cristão pode ter uma profunda experiência do bem.
No livro intitulado “O quinto Evangelho”, Mário Pompilio assim fala sobre a experiência cristã do bem: “Cristo nos jogou numa aventura... Cristo não tem mais mãos, mas somente as nossas mãos para fazer hoje as suas maravilhas. Cristo não tem pés, mas somente os nossos pés para ir ao encontro dos homens. Cristo não tem mais voz, mas somente a nossa voz para falar hoje sobre Ele. Cristo não tem mais Evangelhos, mas o que fazemos agora em palavras e obras é o Evangelho de Cristo pregado e escrito com nossas palavras...”
Isto faz a gente recordar o padre mexicano que, abraçando o sacrário que os comunistas queriam profanar, teve as mãos decepadas pelo cutelo dos vermelhos. Então, voltando-se para o povo com os cotos dos braços sangrando, exclamou: “Agora, minhas mãos e meus braços, isto é, as mãos e os braços de Cristo são vocês!” Acrescentaria que Cristo não tem mais aqui na terra o seu Coração de carne que tanto amou os homens. Mas tem apenas o nosso coração para amá-lo e fazê-lo amar de todos... Assim era o coração dos santos, o coração de Paulo, o coração de Dom Orione...
Ah! O coração de Paulo! Quanto amor, quanto zelo, quanto entusiasmo, quanto ardor tinha por Cristo, pela Igreja e pelo Evangelho. Ele pôde confessar com toda a verdade: “Para mim, viver é Cristo!” O grande Santo Ambrósio, ou São João Crisóstomo, não me lembro bem, num sermão sobre o Apóstolo das Gentes, no auge de suas inflamadas palavras, exclamou a todos os pulmões: “Cor Pauli, Cor Christi! O coração de Paulo era o Coração de Cristo!”
Ah! o coração de Dom Orione, que tem chamado a atenção e a admiração de tantas pessoas, pobres e ricos, analfabetos e doutores, leigos e eclesiásticos, crentes e incrédulos... Dom Primo Mazzolari assim o definiu: “Um coração sem limites, porque amava sem medida!” (Escritos de D. Orione, 102,32). Dom Giuseppe de Luca assim falava, encantado: “Um coração que foi verdadeiramente um fogo, um dos mais belos fogos destes decênios de nossa vida tão árida, tão cruel.” (Elogio de D. Orione, 1999). Paulo VI observava: “Nada do que é humano é estranho. Esta é a capacidade do coração de Dom Orione; este, o programa de suas obras: nada lhe é estranho!” (Roma, 31.05.1955). João Paulo II afirmou que Dom Orione “tinha a têmpera e o coração do Apóstolo Paulo, terno e sensível até às lágrimas, infatigável e corajoso até o esgotamento, tenaz e dinâmico até ao heroísmo...” (Homilia na beatificação, 26.10.80). O próprio Dom Orione desvendava para nós em seus escritos o segredo de seu coração: “Sinto uma grandíssima necessidade de lançar-me sobre o Coração de nosso amado Senhor crucificado e de morrer amando-o e gemendo de caridade e... abraçar todas as almas e salvar a todos, a todos...” (Carta do dia 04.05.1897, Escritos 115,1420).
E, quando Dom Orione agonizava, fulminado por infarto do coração, seus lábios repetiam até à morte só esta divina palavra, “Jesus... Jesus... Jesus...” O coração de Dom Orione era o Coração de Jesus!
Hoje, o coração de Dom Orione é venerado no Santuário dedicado a Dom Orione no Pequeno Cotolengo de Buenos Aires, na Argentina... Mas podemos dizer que o coração de Dom Orione continua vivo, e muito vivo, batendo no peito de muitos e muitas, em mais de 30 países do mundo, onde está presente a Família dos Padres, dos Irmãos, dos Eremitas, das Irmãs e dos Leigos que vivem o espírito de caridade, o espírito de amor a Cristo, à Igreja e ao Santo Padre, o Papa, isto é, o espírito de amor a Nosso Senhor Jesus Cristo, presente em cada pobre, em cada ancião, em cada órfão, em cada desvalido por este mundo afora...
Meu caro Pe. Celmo, gostaria que você guardasse no coração como lema de sua vida religiosa e sacerdotal esta palavra mágica de Dom Orione: “Tenha a coragem do bem!...” Faça de seu coração uma fornalha ardente de amor a Deus e de caridade aos irmãos e irmãs, isto é, ao Cristo vivo nos mais pobres, nos mais humildes, nos mais deserdados da sorte. Que você consiga arrancar dos olhos de tantos e tantas aquela venda de incerteza, de descrença, de racionalidade que não permitiu aos irmãos de Emaús reconhecer o Cristo vivo e ressuscitado, como continua acontecendo a tantos hoje em dia...Ungido pela graça do Espírito Santo de Deus, como lembra o Evangelho de hoje, não só nas mãos, mas sobretudo no coração, que você se faça um outro Cristo evangelizando, perdoando, abençoando, santificando, guiando o Povo de Deus nos caminhos do bem, da verdade e da santidade. ( Lc 4,14-22).
Ah! Meu caro Pe. Celmo, tenho para você um sonho... Que daqui a muitos anos, quando já estiver velhinho, de bengala na mão e de cabelos brancos pela idade e pela santidade, as pessoas possam olhar para você e dizer com toda a verdade: “Que velhinho santo! Que homem cheio de coragem... Passou a vida fazendo o bem, como Dom Orione, como o Apóstolo Paulo, como o próprio Cristo entre nós!... Por que o coração do Pe. Celmo é o coração de Dom Orione, o coração de Paulo, o Coração de Cristo vivo no meio de nós!... Cor Celmi, cor Orioni, cor Pauli, Cor Christi!... O coração de Pe. Celmo é o coração de Dom Orione, quero dizer, o Coração de Nosso Senhor Jesus Cristo!...”
Ah! Se isto acontecer, como todos esperamos, você será tão feliz e fará felizes a tantos, Pe. Celmo Coelho de Sousa, o homem de coragem para bem! Amém!...
D. José Belvino do Nascimento. |
Sacerdote, uma vida de oblação.
(Pregação na Ordenação sacerdotal dos Revmos. Pe. Carlos Henrique Alves de Resende e Pe. Marcelo Luiz Caixeta. – Itaúna, 18.05.2007).
D. José Belvino do Nascimento
Meus caros Diáconos
Carlos Henrique Alves de Resende
Marcelo Luiz Caixeta,
Imaginando e desejando que, brevemente, no dia 18.05.2057, vocês celebrem o seu Jubileu de Ouro Sacerdotal, quis oferecer-lhes esta minha homenagem antecipada, estes 50 conselhos, ou, quem sabe, este testamento de pai para filhos. Ouçam-me, portanto...
1. Sejam sacerdotes santos, como Deus quer. Ser santo é fazer a vontade de Deus, já como cristãos, muito mais como sacerdotes. A santidade do sacerdote faz resplandecer a Igreja de Cristo.
2. Vocês praticarão a vontade de Deus, cumprindo a Lei do Amor a Deus sobre todas as coisas e ao próximo com entranhada caridade.
3. Vivam na intimidade com Deus, mergulhem no Coração de Jesus, que assim farão de seus corações um cantinho do céu na terra.
4. Com Deus no coração, seus rostos se iluminarão e todos verão em vocês a imagem viva de Cristo, sacerdote, profeta e pastor.
5. Vistam a vestimenta da santidade, cinjam o cíngulo da virtude, armem-se com a arma da divina graça, que assim vocês converterão o mundo.
6. Carreguem com coragem a Cruz de Cristo, empunhando a espada do Espírito Santo, e vencerão todas as batalhas contra o espírito do mal.
7. Ah!, antes que me esqueça, digo-o, de coração: agarrem-se ao manto maternal da Virgem Maria, Mãe dos sacerdotes, mimoseando-a sempre com as flores do Terço bem rezado. E apelem para o auxílio dos santos Carlos, Marcelos, Vianney e de todos os santos.
8. Lembrem-se de que foram vocacionados, consagrados e enviados para levarem Deus às almas e as almas a Deus. Como? Servindo a Deus, dando-lhe glória; e servindo aos irmãos, dando-lhes a salvação.
9. Que dignidade vocês ganham, hoje, a maior que há na terra: o sacerdócio! Serão para todos como pais, irmãos e servos. Vocês não se pertencem mais: pertencem a Cristo, à Igreja, ao Povo de Deus.
10. Sim, sacerdotes é que vocês serão, como ministros da Graça, da Palavra e da Caridade. E não simples doutores, líderes ou feitores de coisas mundanas.
11. A mais sublime e principal ação que vocês exercem na terra é celebrar, como unção e humildade, o Sacrifício da Santa Missa. Para todos, na terra, no purgatório e no céu, vocês são Cristo vivo no altar do sacrifício.
12. Os justos e sobretudo os pecadores na terra; as almas sofridas no purgatório; e os anjos e santos no céu, todos se comoverão e se prostrarão em confiante adoração, cada vez que pronunciarem junto do altar as palavras místicas do próprio Cristo: “Isto é o meu Corpo... Este é o Cálice do meu Sangue...”
13. Muitos sacerdotes, antes de vocês, encontraram na Eucaristia a força para os trabalhos, o consolo para as aflições. Pois o sacerdote, quando celebra, se enleva e eleva a humanidade.
14. Quem poderá dizer de quantos castigos livra a humanidade e quantos benefícios atrai para as almas o sacerdote que celebra com amor o Santo Sacrifício do altar?
15. Façam, pois, de sua vida sacerdotal um sacrifício perene, uma doação contínua para a glória de Deus e o bem das almas. Não desprezem, nem desperdicem o poder divino que Deus lhes põe nas mãos.
16. Que seus corações sacerdotais, iluminados pela fé, afervorados pela esperança e incendiados pelo amor, se tornem um altar, onde Deus seja louvado, Jesus novamente sacrificado, e os homens amados e remidos.
17. Emprestem jubilosamente para Cristo sua voz, suas mãos, seu coração, para que a graça divina opere no mundo. Pois, na verdade, quando vocês celebram, pregam, perdoam e abençoam, é o próprio Cristo que, em vocês, celebra, prega, perdoa e abençoa...
18. Sejam sempre sacerdotes de fé intrépida, de esperança convicta, de caridade exuberante para com todos os filhos e filhas de Deus.
19. Pratiquem, no mais alto grau possível, as virtudes cristãs: bondade de coração e de ação, a tranqüilidade nas alegrias, a paciência nas dores, a fortaleza nos trabalhos, a perseverança nos reveses e sacrifícios da vida.
20. Mas, sobretudo, sejam humildes. Como os anjos no céu se comoveram ao contemplarem Cristo abaixando-se até o chão para lavar os pés dos apóstolos, os anjos cantam, os santos rezam, os pecadores choram e se convertem, quando um sacerdote humildemente exerce a sua missão de servir a Deus e aos homens.
21. Para serem sacerdotes assim santos e humildes rezem muito, rezem sempre. Vivam a sua fé com valentia, em pensamentos, palavras e atitudes.
22. Arranjem tempo, com teimosia, para dizerem a Liturgia das Horas. É uma questão de sobrevivência espiritual. Depois da Santa Missa, é o que mais agrada a Deus no dia-a-dia do sacerdote.
23. Amem a todos, indistintamente, santos e pecadores, pequenos e grandes, fiéis e infiéis, amigos e inimigos. Amem a todos gratuitamente, sem esperar recompensa dos homens, mas tão somente de Deus.
24. Dialoguem com Deus, sem esquecer os homens; e falem aos homens, sem esquecer a Deus. Ou melhor, junto de Deus, tratem dos homens; e, junto dos homens, tratem de Deus.
25. Alegrem-se sempre em distribuir às almas as riquezas da graça divina, na administração dos Sacramentos.
26. Mas eu lhes peço encarecidamente, em nome de tantos pecadores contritos e humilhados, atendam com carinho e misericórdia aos que lhes pedem o Sacramento da Penitência. Depois da Eucaristia, é a ação mais admirável de um coração sacerdotal.
27. Que poder divino, o de perdoar os pecadores! Um advogado que foi a Ars e conheceu João Vianney justamente no confessionário, perguntado sobre o que achara do santo, respondeu: eu vi Deus num homem!
28. Depois da Eucaristia e da Penitência, um outro sacramento que só os sacerdotes podem administrar é a Unção dos Enfermos. Visitem-nos, consolem-nos. Levem-lhes a graça da Unção, a alegria do perdão, a paz do coração. Um doente, visitado por um sacerdote, não se cansava de dizer para os amigos: “Hoje, Deus me visitou!”
29. Outra missão que vocês, sacerdotes, devem exercer, com estudo, oração e alegria, é a pregação da Palavra de Deus. É Palavra de Deus, e não de vocês. Transmitam com amor a Mensagem de Deus, e não as próprias idéias ou devaneios...
30. Um pedido especial eu lhes faço. Cuidem com carinho e destemor da catequese infantil, dos jovens e dos adultos. Povo catequizado no querigma da salvação, nos mistérios da fé, forma um exército em forma de batalha na construção do Reino de Deus.
31. Na evangelização, cuidem bem dos vários trabalhos pastorais, bem organizados e praticados. Quantos frutos vocês colherão neste labor sacerdotal, profético e pastoral.
32. Tenham um carinho paternal pelas crianças, corações dóceis às graças de Deus. Distribuam para elas o pão saboroso da doutrina, o pão reconfortante do amor e principalmente o Pão santo da Eucaristia.
33. Tenham um zelo entusiasta pelos jovens, corações iluminados de ideais e sonhos, e ávidos da verdade, da santidade, da felicidade.
34. Tenham uma caridade arraigada para com os pobres, os humildes, os deficientes, os velhinhos, os deserdados da sorte. Eles mendigam migalhas de paz, de pão, de agasalhos, de remédios, de carinho: são os prediletos de Deus.
35. Tenham um carinho pastoral imenso para com as famílias. A Pastoral Familiar deve constituir-se em uma pedra de base para toda evangelização, para que as famílias sejam igrejas domésticas, não só de nome, mas de santa realidade.
36. Façam tudo, o possível e o impossível, para que Deus seja conhecido, amado, servido e adorado em todos os lares, como pequenas comunidades de fé, esperança e amor.
37. Visitem e animem, como bons pastores à procura das ovelhas, visitem os encarcerados, à míngua de perdão e de conforto; os irmãos empobrecidos, à mingua de pão, de vestimenta e de saúde; e os irmãos pecadores ou extraviados, à míngua de socorro e de acolhida.
38. Acolhida! Que palavra mágica... Acolham com carinho, com interesse, e coração aberto e mãos disponíveis, acolham a todos em sua casa, em seu escritório, em sua igreja e onde estiverem. Acolher o irmão é acolher Jesus!
39. Pensando nos futuros sacerdotes, seus continuadores na Vinha do Senhor, mantenham viva a chama da Pastoral Vocacional, na descoberta, no amanho e no apoio às vocações sacerdotais, religiosas e leigas.
40. Apóiem os seminaristas, visitem os seminários, confortem os formadores. Os jovens e as jovens que desejam consagrar-se a Deus e aos irmãos, os leigos e leigas que sonham em ajudar a Igreja, todos os vocacionados encontrem em vocês o incentivo espiritual, pastoral e até material na consecução de seus ideais.
41. Não se descuidem da Pastoral Litúrgica. Uma cerimônia bem preparada e bem vivida comove as almas e as faz olharem para o céu e louvarem a Deus, a conviverem com os irmãos e progredirem na santidade.
42. Recordem-se ainda de que são sacerdotes, não só de sua paróquia e diocese, mas da Igreja no mundo inteiro. Que seus corações se abram aos horizontes missionários, dispostos a colaborar com os sacerdotes e as igrejas nas regiões de missão.
43. Sejam unidos ao Santo Padre, o Papa, ouvindo-lhe os ensinamentos, obedecendo-lhe às ordens e orando por suas intenções universais.
44. Sejam unidos ao seu bispo, com respeito, veneração e obediência filial. Onde está o bispo, ali esta a Igreja de Cristo.
45. Sejam unidos e fraternais com os outros sacerdotes de sua diocese, com atitudes concretas. Que o povo cristão possa dizer sempre de seus padres: Vejam como eles se amam...
46. Cuidem bem de sua saúde corporal, para melhor se dedicarem ao sagrado ministério.
47. Cuidem bem de sua saúde intelectual: estudem sempre e se atualizem para um sempre melhor trabalho pastoral.
48. Cuidem bem de sua saúde espiritual, pela oração e reflexão, para não acontecer que, tendo ajudado a tantos a se salvarem, venham vocês mesmos a perder-se eternamente.
49. Rezem pelas almas de seus pais, parentes, benfeitores e ovelhas. Sufraguem especialmente as almas dos sacerdotes falecidos. Preciso pedir-lhes que rezem também por mim, agora... e depois?
50. Eis aí, meus caros Pe. Carlos Henrique e Pe. Marcelo Caixeta (eu os chamei de padres, ouviram?), eis aí os sentimentos e os conselhos que me brotaram do coração e lhes deposito nos corações. Eu os abençôo e lhes digo, como outrora Jesus aos apóstolos: Ide por toda parte, pregai a Palavra de Deus, santificai as almas, guiai as ovelhas pelos caminhos deste mundo até à Casa do Pai nos páramos celestes. Amém. |
Sacerdote do Altíssimo!
( Pregação na Ordenação Sacerdotal do Revmo. Sr.
Pe. Adilson Luiz Umbelino Couto
na Matriz de Na. Sa. Da Piedade – Rio Espera, 29.07.06).
D. José Belvino do Nascimento
Prezada D. Ester e caros irmãos e familiares do nosso Diácono,
Meu caro Diácono Adilson,
Enquanto estás sendo ordenado Sacerdote do Altíssimo nesta majestosa Matriz de Nossa Senhora da Piedade em tua terra, que hoje se faz outra Nazaré onde Jesus vive; enquanto participamos de tua ordenação sacerdotal aqui na terra, uma grande festa acontece lá no céu!... Um anjo me contou... Ou foi imaginação minha?!...
Quem mais se agita lá no céu e fala sem parar para anjos e santos, adivinha quem? Teu pai, o Sr. Helvécio... Aponta em tua direção e vai dizendo exultante: “É meu filho, é meu filho!...”
Outro que a tudo acompanha, sorrindo, só sabe dizer, feliz: “Fui eu que o batizei, eu o batizei...!” É o Mons. Francisco Miguel Fernandes...
Também Mons. Galdino Malta, sorriso tranqüilo, comenta: “Conheci sua família, seus avós; gente piedosa e temente a Deus...”
Outros ainda se alegram lá no céu, vendo a ordenação de mais um sacerdote, filho de Rio Espera: Pe. Agostinho Resende, Pe. Argemiro de Carvalho, antigos párocos; D. José Brandão, Pe. Luís Costa, Pe. Geraldo Paiva, Pe. Geraldo Pedro, Pe. José Miranda e outros sacerdotes, filhos da tua terra, que Deus chamou...
Ah! Queres saber mais? Ora, imagina... Com um semblante de bondade e paz, assim fala para todos Maria, Mãe de Jesus, a tua Mãe da Piedade: “Ele agora, como outro Jesus na terra, é meu filho mais do que nunca! Terá sempre a minha bênção maternal...”
E Jesus, todo glorioso, todo iluminado pelo Espírito de Amor, está estendendo os braços em tua direção e dizendo numa linguagem mais celeste que terrena: “Agora, Pe. Adilson é Eu; e Eu sou ele. Se ele abençoar, quem abençoará serei Eu; se ele perdoar, serei Eu quem perdoarei; se ele salvar, Eu é que salvarei. Como sacerdote, ele será Eu e Eu serei ele...”
O divino Pai Eterno, ouvindo as palavras comovidas de seu Filho, com seu carinho e amor infinitos, vai soltando a sua voz como a de um trovão: “Eu amo este meu filho Adilson, que vai ser ungido agora, tal qual amo eternamente o meu Filho Jesus, o meu Cristo. Eu os amo com todo amor do meu Espírito Santo!...
É difícil para mim, Pe. Adilson, (por que não chamá-lo de padre?) descrever tudo o que a minha alma vê, ouve e sente ante a alegria que acontece no céu, quando és ordenado sacerdote na tua terra natal...
Eu vejo e ouço São Lucas: “Espero que ele seja um pai para os pobres, porque ‘é enviado para evangelizar os pobres’...” (Lc 4,18).
Eu vejo e ouço São Paulo exclamar: “Espero que ele leve a paz a todos, porque ‘Deus é um Deus de paz’...” ( 1 Cor 14,33).
Eu vejo e ouço São Pedro, São João, São Mateus, São Marcos falarem tanta coisa bonita... Mas quem me chama muito a atenção é um sacerdote de cabelos brancos, como tantos que conheço e conheci por aí, dizendo enternecido: “Espero que ele seja como o Bom Pastor, ‘que dá a vida pelas suas ovelhas’...” (Jo 10,11). E vai acrescentando: “A alegria do sacerdote é viver para seu rebanho, com muito amor, todos os dias e os dias todos de sua vida...”
Santo Agostinho, ouvindo o sacerdote velhinho, fez questão de comentar: “Que ele sirva a Cristo, servindo aos que Cristo serviu...” (Sobre os Salmos 103,175).
Outros santos estão por ali, absortos na beleza da cerimônia. Um deles acaba de sair-se com esta: “Agora, vamos esperar a festa de Jubileu de Prata Sacerdotal dele, em 2031...” E o outro, rindo, acrescentou: “Por que não também o Jubileu de Ouro em 2056?...”
Parece que os habitantes do céu não dão importância ao tempo, que passa rápido: 25 ou 50 anos para eles não são nada! Um terceiro santo, divertido e rindo, vai observando: “Daqui a 25 ou 50 anos, muitos dos que estão agora nesta Matriz de Rio Espera estarão conosco por aqui, participando de nossa festa no céu...” Vou pensando baixinho comigo mesmo, com medo de pensar alto: “Será que estarei lá também? Ou estarei ainda no purgatório? Ou... Nem quero pensar mais...
Mas todos agora fazem silêncio. É que São João Maria Vianney, o padroeiro dos sacerdotes, acaba de tomar a palavra, para fazer uma de suas famosas catequeses, como se fosse um programa de vida para o neo-sacerdote. Os anjos e os santos se põem a ouvi-lo atentamente, tal a seriedade de suas palavras...
“É, disse o santo Cura d’Ars, mas até o Jubileu de Prata ou de Ouro, o nosso irmão Pe. Adilson terá que trabalhar muito na vinha do Senhor... Cuidar com muito carinho das crianças... Tratar os jovens idealistas com entusiasmo... Amparar os velhinhos, com desvelo... Apoiar e orientar os pais de família... Receber com misericórdia e paciência os pecadores arrependidos... Celebrar com muita unção os sagrados mistérios, principalmente o sacrifício do altar, a Santíssima Eucaristia... Distribuir, a mãos cheias, para tantas almas famintas de Deus o Pão precioso da Palavra, o Pão santo da Graça, o Pão doce do Perdão... E tudo, insiste o santo Cura, com muita oração, com muito trabalho, com muito sacrifício... Que Deus abençoe o nosso sacerdote!...”
Todos se emocionam lá no céu com estas santas palavras e olham para cá para acompanhar a cerimônia que se desenrola nesta solene Igreja Matriz: a imposição das mãos do bispo e dos sacerdotes presentes, a unção das mãos, as bonitas palavras do Rito de Ordenação. E dentro de pouco tempo vão acompanhar o padre novo que vai abençoar o povo piedoso que lhe virá beijar as mãos consagradas, como se beijassem as mãos do próprio Jesus Cristo...
O que mais me encanta, Pe. Adilson, é olhar para a Senhora da Piedade e ouvir o que ela está dizendo, com doçura de Mãe: “Meus filhos de Rio Espera, minha bucólica cidade, minha outra Nazaré, fiquem tranqüilos. O meu Pe. Adilson será um santo sacerdote... As pessoas, olhando para ele, dirão: Ele parece Cristo vivo no meio de nós: é nosso pai, pastor e profeta, que só nos dá alegrias... E eu, sua Mãe do céu, o abençoarei sempre, como meu filho muito querido...”
Meu caro Pe. Adilson, deixando de olhar para o céu, dirijo-te estas minhas palavras, saídas do fundo do meu coração, em nome de Dom Luciano preso a um leito de hospital, que me deu a honra e a alegria de vir ordenar-te sacerdote: Vive o teu sacerdócio a vida inteira de tal modo que dês razão a todos estes santos do céu. Com humildade, com fé, esperança e amor, com muito amor, ensina as ovelhas que encontrares pelos campos do Senhor a conhecer, amar e servir a Deus, conhecendo, amando e servindo aos irmãos e irmãs. É amando os irmãos da terra que provamos o nosso amor a Deus do céu!...
Jubileu de Prata ou de Ouro sacerdotais? Não te preocupes com isso. Se fores fiel à tua vocação, as festas virão, ou na terra ou no céu, como fruto da gratidão dos que te querem bem... Eu é que não sei onde estarei então... No céu? Ah! Quem me dera!... No purgatório? Deus tenha pena de mim... Mas confio em que, pela misericórdia de Deus, acompanharei tuas alegrias de onde estiver, ao lado de muitos aqui presentes, que já terão ido também para a eternidade...
No entanto, Pe. Adilson, a tua festa vai acontecer daqui a mais de 60 anos, depois dos teus Jubileus de Prata e de Ouro, quando partires desta terra para o céu, já velhinho, já cansado de tanto evangelizar, abençoar, perdoar e salvar as almas...Então, na porta do céu, como a Irene do poeta, não precisarás pedir licença para entrar. Jesus, de braços abertos, virá ao teu encontro e te dirá: “Entra, Pe. Adilson, a casa é nossa!...” O Pai do céu o confirmará, bondoso: “Entra, meu filho!...” E a Virgem da Piedade, toda sorridente, com um abraço caloroso de Mãe, repetirá: “Entra, meu filho, entra!...” E os anjos e santos cantarão à tua entrada: “Aleluia, Aleluia!...”
E que festa não farão teus pais, teus familiares, teus amigos que lá estarão à tua espera... Como te receberão, felizes, os pecadores que converteste; os pobres, os doentes e os idosos que socorreste; os pais de família, os jovens e até as crianças que Deus levou na tua frente, com teu perdão, com a tua bênção...
E os anjos buliçosos, e os santos alegres cantarão um só coro: “Mais um santo entrou no céu! Glória a Deus, glória, glória!”
Eis aí, meu caro Pe. Adilson, o que te vai acontecer no futuro. Mas todos nós aqui participando de tua Ordenação Sacerdotal, desejando que sejas um santo sacerdote para santificar a muitos de nós e imaginando o teu porvir de um digno Ministro do Senhor Jesus, nós todos cantamos em uníssono: Deus que é Pai de bondade te guarde e te proteja! Nossa Senhora da Piedade, tua e nossa Mãe, te abençoe agora e sempre. Amém... Assim seja!... |
Pregação nos 250 anos da Paróquia de São Bento
Itapecerica – 15.02.2007
Bendita Paróquia de São Bento: 250 anos de bênçãos! A mim me concedeu a Providência o bônus e ônus de bendizer a Deus as benemerências desta abençoada e feliz Paróquia.
Mas não deixa de parecer atrevimento alevantar a voz nesta Matriz, cujas paredes ainda ressoam as pregações solenes e ungidas de tantos sacerdotes, que por aqui encantaram o povo com as maravilhas da Palavra de Deus.
Nem me preocupou repetir a história secular desta freguesia, já tão decantada por ilustres historiadores, alguns deles aqui presentes.
É, pois, com simplicidade e voz rouca e tremida que ouso balbuciar loas a esta paróquia cinco vezes dourada, quando agora me ouvem bispos e sacerdotes ágeis no raciocínio, melodiosos nas palavras, agraciados no coração, iluminados na inteligência e bafejados de santidade.
Ah! valham-me bispos e arcebispos de Mariana e Belo Horizonte que sulcaram estas terras espalhando a verdade e o bem. Ah! valham-me o santo Dom Cristiano e o sofrido Dom José Costa que fecundaram estas plagas com o sangue de sua vida e o suor de seu trabalho pastoral.
Ah! valham-me os Padres Gondim, o do início desta história, Pe. Gaspar Alves Gondim e do final, aqui presente, Pe. Pedro Gondim Ferreira, atual e zeloso pároco.
Ah! valham-me os padres que deixaram nestas terras os rastros de sua fé, amor e luz, como o Cônego Cesário do Colégio São Bento; o Monsenhor Cerqueira que por mais de 20 anos se exauriu na construção desta majestosa Igreja Matriz; o Pe. José Teódulo Mendes, o famoso Pe. Dulinho, simples e humilde, mas espargindo alegria e paz em muitos corações; e um dos últimos, que conheci pessoalmente, Pe.Carlos Pinto da Fonseca, que deu a vida por este povo por quase 50 anos, com seriedade e dedicação.
Ah! meus irmãos e irmãs, perdoem-me se apenas venho humildemente dar graças a Deus e bendizê-Lo por tão graciosa efeméride, rezando assim como que uma litania. Toda vez que eu disser: “Louvemos o Senhor”, peço que respondam em coro: “Bendito seja Deus, Pai de São Bento!”...
Pelos 250 anos desta bendita Paróquia de São Bento, outrora do Tamanduá, e agora de Itapecerica, louvemos o Senhor! (Todos...)
Pelos cerca de 50 sacerdotes aqui nascidos e agora já na glória do céu, depois de trabalharem tanto na vinha do Senhor por este Brasil afora, louvemos o Senhor!
Especialmente pela alma do bondoso, sorridente e santo Dom Antônio Carlos Mesquita, 1º bispo filho de Itapecerica, louvemos o Senhor!
Pelos dois bispos, unidos pelo sangue, pela vocação sacerdotal e pelo amor a Deus e à Igreja: Dom Sebastião Roque Rabelo Mendes, o nosso Dom Zicó, coração do tamanho do mundo, sorriso de carinho e compreensão, semblante curtido nos muitos trabalhos e sofrimentos, mas iluminado pela fé e pelo amor, louvemos o Senhor!
Pelo nosso caro Dom Gil Antônio Moreira, de privilegiada inteligência, alma de sacerdote, profeta e pastor, arraigado no amor à Igreja e às almas, espírito empreendedor e coração de artista das artes sacras, verdadeiro homem de Deus, que tanto ama a sua terra natal, louvemos o Senhor!...
Pelos 16 sacerdotes ainda vivos e soldados nos campos da evangelização e salvação das almas, vários deles aqui presentes: o patriarca e piedoso Côn. Altamiro de Faria, o alegre e feliz Pe. Bento Mateus Borges, o estudioso e estudado Pe. Nathaniel José de Oliveira, o experiente das comunicações e tarimbado Pe. Moacir Chagas Tavares, o zeloso e destemido Pe. Pedro Gondim Ferreira, o diligente e tranqüilo Pe. Paulo Sérgio Diniz Mendes, o compenetrado e perspicaz Pe. Moacir Silva Arantes, o humilde e sofrido Pe. Washington Valério da Silva, o competente e sério Pe. Adelmo Sérgio Gomes, o ativo e entusiasmado Pe. João Luiz Moreira, o irrequieto e reto Pe. Enildo Antônio Silva; e os outros que não conheço bem, mas filhos de São Bento: Pe. José Júlio Souza, Pe. Dorivaldo Pinto Góes e Pe. Frei Ivair José da Silva; por todos estes sacerdotes, glória e honra desta paróquia 5 vezes cinqüentenária, louvemos o Senhor!...
Pelas almas de todos os nossos irmãos e irmãs, que aqui nasceram e viveram, sob o manto de São Bento e as bênçãos de Deus, desde os tempos do Tamanduá até os dias de hoje, louvemos o Senhor!...
Por todos que atualmente residem no vasto território desta Paróquia, em sua sede e nas quase 40 comunidades, louvemos o Senhor!...
Pelas oito comunidades de Nossa Senhora Aparecida em: Boa Viagem, Capoeiras, Chaves, Furtados, Palmeiras, Serra dos Lopes, Peão e Potreiro; pelas três comunidades de Nª Sª do Rosário em: Alto do Rosário, Inácio Caetano e Taquara; pelas comunidades de Nª Sª das Dores em: Lamounier e Sucupira; pelas comunidades de Nª Sª da Guia e Córrego Fundo; Nª Sª da Conceição de Partidário; Nª Sª das Graças na sede; Nª Sª das Mercês na sede; pelas três comunidades dedicadas a Cristo: Bom Jesus, na sede; Santa Cruz no Cafofo de Baixo; e Sagrado Coração de Jesus no Pouso Alegre; pelas duas comunidades dedicadas a São Judas Tadeu em: Barreiro e Macedo; pelas três comunidades em louvor ao glorioso São José em: Nova Ita, Cafofo de Cima e Neolândia; pelas duas comunidades de São Sebastião em: Casa Queimada e Capivara; pelas comunidades de São Geraldo em Lameu, Santa Luzia em Gamas, Santos Reis do Alto Alegre; e finalmente pelas comunidades de Santo Antônio e São Francisco de Assis com a bonita igreja da sede; por todos estas comunidades e seus moradores, louvemos o Senhor!...
Pelas associações religiosas da paróquia, que tanto bem fizeram às almas e às famílias: Irmandade do SS. Sacramento, Apostolado da Oração, Conferências Vicentinas, Pia União das Filhas de Maria, Congregação Mariana, Cruzada Eucarística, Escola de Doutrina Cristã, e a abençoada Obra das Vocações Sacerdotais, louvemos o Senhor!...
Pelos Corais das igrejas, que tão bem, elevam e enlevam os corações, especialmente pelo Coral Itapecerica; pelas Corporações Musicais, especialmente a de Nª Sª das Dores que desde 1830 faz ressoarem músicas do céu aqui na terra de São Bento; pela Orquestras José Barbosa Mesquita e por todos os maestros e músicos desta terra visceralmente musical, louvemos o Senhor!...
Pela beleza litúrgica e melodiosa do Setenário das Dores, espalhando preces pungentes e cantos dolentes nas noites quaresmais de Itapecerica, em louvor e empatia a Nª Sª das Dores, louvemos o Senhor!...
Pelas comoventes cerimônias e silenciosas procissões da Semana Santa, com suas matracas e manjericões, com seus sermões altissonantes, com as filas intermináveis rumo aos confessionários; e com os gritos em cantos festivos de aleluia, de Páscoa, de ressurreição de Jesus, nosso Salvador, louvemos o Senhor!...
Pelas festas dos padroeiros na Matriz e nas comunidades, pelas festas de Natal com as solenes Matinas, pelas festas alegres dos Reinados, pelas várias Novenas e bênçãos do Santíssimo, pelas rezas confiantes de terços nas igrejas e nas famílias, louvemos o Senhor!...
Pela presença abençoada das Irmãs Batistinas, aqui aportadas em 1939, aqui fazendo o seu primeiro ninho em terras do Brasil, aqui salpicando de bênçãos e graças os corações, as famílias, as comunidades, louvemos o Senhor!...
Pelos muitos trabalhos pastorais plantados e vicejantes nesta paróquia após o Concílio Vaticano II, para o bem das crianças, jovens, casais, famílias e povo de Deus, louvemos o Senhor!...
Por fim, de modo especial, quero saudar o atual pároco, Pe. Pedro Gondim Ferreira e seu virtuoso Vigário paroquial Pe. Róbson José da Silva, felizes nestes 250 anos de paróquia.
E termino estas loas com uma prece ao poderoso São Bento pelo bem corporal e espiritual do nosso povo. Dizem os historiadores que São Bento foi escolhido como padroeiro desta paróquia para proteger o povo contra animais peçonhentos que infestavam estas plagas do Tamanduá, do Itapecerica. Mal sabiam estes historiadores que São Bento muito mais fez e faz contra o veneno diabólico e a peçonha infernal que podem aleijar e até matar as almas que é o pecado. O veneno dos ofídios prejudica o corpo; o veneno do maligno aleija e mata a alma. O pecado, portanto, é o veneno que só é veneno, o mal que só é mal, porque nos priva da vida divina em nossos corações.
Por isso, neste dia solene das cinco cinquentenas desta paróquia, eu rezo humildemente a São Bento por todos nós!
Glorioso e poderoso São Bento, alcançai do céu que Deus nos livre dos venenos que afetam nosso corpo, pois queremos viver com saúde...
Mas, antes e mais que tudo, pedi ao Pai divino, pela intercessão de Maria e de todos os santos, sobretudo a vossa, nos livre do único veneno que nos pode levar à morte eterna: o pecado!
Alcançai-nos, ó São Bento, a saúde do corpo e a santidade da alma. Amém. |
CAMINHO PARA O CÉU!
(Pregação na Profissão Solene da Irmã Maria Teresinha do Menino Jesus, ocd
Carmelo de Divinópolis – MG – 12.10.2006)
D. José Belvino do Nascimento
Reverenda Irmã Maria Teresinha,
No dia da tua consagração total a Deus, imaginei presentear-te com estes pensamentos, verdadeiros passos no caminho para a santidade.
1. Pelo batismo, foste chamada a ser santa, ainda mais na vida contemplativa.
2. Serás santa, se cumprires a vontade de Deus.
3. A vontade de Deus se resume no amor ao Pai do céu e aos irmãos da terra.
4. Deves amar a Deus por ser Ele quem é...
5. Regozija-te, se Deus é glorificado; afligi-te, se Ele é ofendido.
6. Ama a Deus com retidão de alma: faze tudo só por amor a Ele.
7. Nada há, neste mundo, de mais sublime do que amar a Deus.
8. Só desejes e faças o que agrada a Deus.
9. Nem sempre o que desejas é desejo de Deus.
10. Só te alegres com o que alegra a Deus.
11. Só te entristeças com o que entristece a Deus.
12. Não temas senão o que ofende a Deus.
13. Despreza as alegrias que não vêm de Deus.
14. Nas alegrias e tristezas, aceita o que Deus quiser.
15. Nas penitências, sê prudente, seguindo os conselhos do teu confessor.
16. Prefere perder tudo e suportar todo mal, antes que ofender a Deus.
17. Desapega-te de tudo na terra, para só possuíres a Deus do céu.
18. Amas a Deus, se te ocupas em dar-Lhe glória.
19. Amas a Deus, se O amas tanto quanto Ele é digno de ser amado.
20. Mas nosso amor a Deus é imperfeito, pois somos muito pequenos.
21. Amas a Deus, se evitas o pecado mortal e até o venial deliberado.
22. Se pecares, não te desesperes: maior é a misericórdia de Deus.
23. Mais amas a Deus, se te despojas do amor às criaturas.
24. Medita sempre sobre a grandeza, a bondade e o amor de Deus.
25. Tudo o que fizeres, faze-o para a glória de Deus.
26. Fortifica-te na graça, e vencerás tentações e maus hábitos.
27. Pratica as virtudes teologais, a humildade, a paciência, a mansidão.
28. Reconhece tuas faltas e pede perdão por elas.
29. Balbucia, dia e noite, pequenas preces de amor e... de dor.
30. Lembra sempre os Novíssimos, e não ousarás pecar.
31. Olha Cristo na cruz, vítima de nossos pecados.
32. Não cedas ao abatimento ou desespero, mas confia muito em Deus.
33. Coloca tuas faltas no Coração de Deus.
34. Guarda em teu coração tua intimidade com Deus.
35. Aprende a renunciar a ti mesma, para mais santamente te unires a Deus.
36. Procura viver em silêncio, adorando a Deus no teu íntimo.
37. Vê como Deus é santo e bom.
38. Deus a tudo provê com carinho de Pai.
39. Quantos benefícios já recebeste de Deus: a vida, a graça, a vocação.
40. O maior dom de Deus é Jesus, que por ti morreu na cruz.
41. Imagina, se podes, o amor que Deus tem por ti.
42. Se te inflamares do amor de Deus, serás tão feliz!
43. Em casa ou na rua, na igreja ou na cela, ama a Deus simplesmente.
44. Imagina Jesus sempre presente ao teu lado.
45. Une-te ao Menino Jesus na humildade do presépio.
46. Une-te ao jovem Jesus no zelo pelas coisas de Deus.
47. Une-te ao operário Jesus na pobreza de Nazaré.
48. Une-te ao profeta Jesus no amor à Palavra de Deus.
49. Une-te ao mártir Jesus, cravado na cruz por nosso amor.
50. Imita as virtudes de Cristo, que nisto agradarás ao Pai.
51. Se viveres em Deus, Deus viverá em ti.
52. Mostra sempre para Deus o teu amor filial.
53. Se nada da terra te perturbar, sentirás uma paz que vem do céu.
54. Envolvida no amor de Deus, maravilhas acontecerão em tua alma.
55. Procura identificar-te com Cristo, e Cristo crucificado.
56. Aceita as provações da vida: são mimos de Pai à tua alma.
57. Acredita sempre que, para Deus, és uma predileta.
58. Desprezos e zombarias não te afetem: és o que és para Deus.
59. Deus permite as provações para que O procures e ames ainda mais.
60. Regozija-te com teus sofrimentos que são carinhos de Deus.
61. Nas provações, mais te assemelhas a Jesus crucificado.
62. Viverás no amor, se renunciares a ti mesma e às criaturas.
63. Os sofrimentos te ensinarão os segredos do amor de Deus.
64. Quando sofreres, pensa em tuas faltas e na Paixão de Cristo.
65. O que fazes com esforço, mesmo sem gosto, agrada mais ao bom Deus.
66. Cuida bem da saúde, para melhor servires a Deus.
67. Na alegria e na dor mantém a serenidade e estarás perto da perfeição.
68. Procura sempre Jesus vivo na Eucaristia.
69. Procura sempre Jesus vivo na Palavra sagrada.
70. Procura sempre Jesus vivo nos irmãos e irmãs.
71. Quanto mais amares a Deus e aos filhos de Deus, mais santa serás.
72. Quanto mais te conheceres, mais te desprezarás.
73. Não esperes nada do mundo: espera tudo só de Deus, que Ele te basta.
74. Aprende com Maria, a unir contemplação com as ações do dia-a-dia.
75. Ama a Virgem Maria, que Deus ama tanto.
76. Ama a Virgem Maria, que tanto ama a Deus.
77. Ama a Virgem Maria, que o Pai ama como Filha.
78. Ama a Virgem Maria, que o Filho ama como Mãe.
79. Ama a Virgem Maria, que o Espírito Santo ama como Esposa.
80. Ama a Virgem Maria que te alcançará a graça de mais amar a Jesus.
81. Implora a intercessão dos santos: eles te guiarão nos caminhos de Deus.
82. Abre teu coração aos que sofrem, longe ou perto de ti.
83. Faz-te pequenina como Santa Teresinha.
84. Aprende a rezar por todos, principalmente pelos pecadores.
85. Aprende a meditar nas maravilhas de Deus.
86. Aprende a mergulhar no Coração de Deus pela contemplação.
87. Contemplar a Deus é simplesmente amar a Deus.
88. Recomenda sempre a Deus os vivos e os mortos.
89. Nas tuas preces e penitências põe tuas Irmãs, teus pais e familiares, e a todos nós (inclusive a mim também).
90. Se te santificares, santificarás o mundo!
Irmã Maria Teresinha,
estas pequenas reflexões, feitas uma por dia, ou uma por semana, certamente te ajudarão a mergulhar no Coração do Pai celeste.
Desejo que sejas uma Carmelita muito feliz!...
Assim seja!... |
Saudação gratulatória
À Reverenda Irmã Maria Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus, OCD – Divinópolis – 02.07.2007.
D. José Belvino do Nascimento.
Irmãos e irmãs,
Prezada Irmã Maria Teresa Margarida do Sagrado Coração de Jesus,
Aqui nos reunimos nesta casa da Mãe do Carmelo, para participar das alegrias da nossa Irmã Maria Teresa, que tem um nome tão grande, do tamanho do seu coração cheio de amor a Deus e aos irmãos e irmãs; alegria de quem celebra festivamente seu Jubileu Áureo de Vida Religiosa como Carmelita da Imaculada Conceição.
Imaginei-a, Ir. Maria Teresa, cantando o seu Magnificat à imitação da Virgem Maria. Nestes 50 anos, mergulhada no silêncio de sua consagração, como a Virgem Maria, a senhora pouco falou. E, quando falou, foi com palavras de amor, com nobreza de alma, com laivos de bondade. Da senhora podemos parafrasear o que disse Jesus sobre Natanael: “Eis aí uma mulher em quem não há fingimento” (Jo 1,47).
Sua vocação, Ir.Maria Teresa, se perde entre as montanhas de Nova Lima, onde perdeu a mãe muito cedo e foi criada pelo carinho do pai, junto com seus irmãos. Nem tinha projetos de vida religiosa; mas a mão de Deus e o sorriso da Virgem Maria a tomaram pela mão e pelo coração e a lançaram no silencio profundo do Carmelo.
Mas, meus irmãos e irmãs, minha intenção hoje não é falar com minhas palavras. Deixemos que a Ir. Maria Teresa, rompendo o seu silencio de carmelita, cante para nós o seu Magnificat, aqui do alto esta colina, como Maria cantou nas montanhas de Zacarias e Isabel.
Imaginemos, pois, ouvi-la, prestando-lhe o nosso preito de admiração e congratulação:
“A minha alma se prostra diante do meu Deus, em ação de graças por estes dez lustros de minha vida consagrada. Quem sou eu? Uma humilde serva, sumida no silêncio do claustro, na doação completa de tudo o que sou, isto é, da minha pequenez; de tudo o que tenho, isto é, da minha pobreza; de tudo o que faço, isto é, das minhas preces de cada dia, de todos os dias; dos meus humildes afazeres de cada hora, de todas as horas. Tudo para a glória de Deus, para agrado à Virgem Maria e para a salvação das almas.
A minha alma olha para Deus, que é Pai de amor e de bondade, que é tudo para mim. E minha alma O louva e O adora! Eu sou pequenina, Deus é que é grande e poderoso. É nele que meu espírito exulta de mística alegria e felicidade, porque, durante toda a minha vida, especialmente nestes 50 anos, Ele sempre olhou para a pequenez desta sua serva. Tudo o que fiz e faço, não é mérito meu, mas graça dele, que tudo fez e faz em mim e por mim. Por isso é que sou tão feliz!
É o meu bom Deus quem me deu a graça de rezar tudo quanto rezei; de realizar tudo o que realizei; de sofrer com paciência tudo o que sofri. Ele é todo-bondade, todo-graça, todo-amor. E derramou sobre a minha alma a maravilha de graças e favores, que hoje agradeço, comovida.
Minha alegria sempre foi aceitar o maior dom do Pai para mim: seu Filho, N. S. Jesus Cristo. Minha alegria sempre foi viver com Cristo, como Cristo, alegrando o Coração do meu Jesus, como o fez minha madrinha Santa Margarida Maria; alegrando o Coração de Jesus, como sua santíssima Mãe e minha Mãe do Carmelo. Para agradar a Jesus, procurei viver com Maria, como Maria. E, unindo o meu coração aos Corações de Jesus e de Maria, fiz de minha vida uma doação total para a glória do Pai e para o bem e salvação dos meus irmãos e irmãs por este mundo afora...
Durante estes 50 anos, quanta mudança no mundo! Quanto progresso técnico: estradas, automóveis, aviões supersônicos, sputinks, televisão, internete. Quanto progresso científico: cura das doenças, melhoria de vida, urbanização, industrialização. Quanto progresso cultural e social: escolas, faculdades, teatros, melhores empregos, família mais protegidas. E quanto progresso religioso e pastoral: mais dioceses, mais paróquias, o Concílio Vaticano II com a atualização da Igreja, povo mais evangelizado, cristãos mais autênticos, Deus mais conhecido e amado...
Infelizmente também, a técnica, a ciência, as invenções modernas levaram muitos ao ódio, ao terrorismo, aos assaltos, às guerras, às injustiças, à dor...
Em meio a tantas efemérides e transformações, do meu cantinho, com minhas preces, com meu humilde dia-a-dia, lembro, como Maria, que Deus aniquila o orgulho dos soberbos, derruba os poderosos em suas maldades, despede sem nada os que se escravizam às riquezas materiais. Como Maria, o testemunho de minha vida condena as injustiças, as mentiras, as hipocrisias, as vaidades, porque, como todos os filhos de Deus, sonho com um mundo mais justo, mais humano, mais fraterno, mais feliz, o que só é possível na amizade e na intimidade com Deus.!
Diante de tantas maldades do mundo, o que pude e tentei fazer foi oferecer a minha vida, minha consagração, meu silencio e minhas preces para que Deus perdoe a todos os pecadores. E diante de tanta coisa bonita que tem acontecido nas almas, nas famílias, na sociedade e na Igreja, ofereci minha vida no Carmelo, com suas alegrias e dores, com suas preces e silêncios, com suas luzes e trevas...
Por tudo, dou graças a Deus, que olhou com tanto carinho para a humildade desta sua serva. Graças, meu Deus, por minha vida, por minha família, por meus benfeitores, por meus irmãos e irmãs. Graças pela minha vocação religiosa, pela minha consagração carmelitana, pela minha perseverança no vosso amor. Graças por minhas preces, meus trabalhos, minhas vitórias e até por meus fracassos.
A minha alma vos louva, ó meu Deus. Espero de vossa misericórdia a paz, enquanto permaneço na terra de exílio; mas espero sobretudo, um dia, contemplar-vos em vossa glória, como prometestes a nossos pais, a Abraão e a seus filhos para sempre!...
Virgem Maria, Mãe do Carmelo, alegria do meu coração, abençoai-me agora sempre. Amém.”
Eis aí, prezada Irmã Maria Teresa, as poucas palavras de seu Magnificat, que pude captar com meus ouvidos moucos. Imagino quantas outras palavras, preces e suspiros, a senhora proferiu, ouvidas somente por Deus que penetra o silêncio dos corações.
O certo é que aqui estamos todos nós, alegres e felizes, para participar da sua alegria; agradecidos, para participar da sua Ação de Graças; beneficiários de suas preces e consagração a Deus, para participar do seu Jubileu de Ouro, como religiosa, como carmelita, como filha de Maria, como discípula das Teresas, e Teresinhas.
Parabéns, Ir. Maria Teresa. Deus a conserve em paz, em preces, em doação de sua vida, pois assim continuaremos usufruindo a paz, as graças, as bênçãos divinas que nos advirão de seus méritos e santidade.
Parabéns, Ir. Maria Teresa, Deus a guarde na sua Graça. E a Virgem do Carmelo, a sua e nossa Mãe do céu, a proteja sempre, sempre, com seu manto maternal. Amém. Assim seja. |
VIVER NA PRESENÇA DE DEUS.
(Pregação na Consagração da Ir. Maria Teresa de Jesus – 11.02.2207
Carmelo de Divinópolis - MG)
D. José Belvino do Nascimento
No dia mais solene de tua vida, prezada Ir. Maria Teresa, fui mendigar algumas mensagens para guardares de lembrança, para sempre, em teu coração.
Procurei, primeiro, intuir o que te desejava Deus, Pai do céu. Ouvi três palavrinhas:
“Minha filha, sê santa, porque eu sou santo” (Lv 11,44).
“Minha filha, anda na minha presença e serás santa” (Gn 17,1).
“Minha filha, nada temas: eu venho em teu auxílio” (Is 41,13).
Ainda meio assustado com as palavras do Pai, dirigi-me a Jesus, que se mostrou carinhoso e sorridente. Eis a mensagem que te mandou Jesus, todo feliz:
“Minha Irmã, sê santa como o Pai celeste é santo” ( Mt 5,48).
“Se me amares, eu e meu Pai viremos ao teu coração e faremos nele a nossa morada” (Jo 14,23).
“Não te preocupes com muita coisa. Uma só é necessária... amares a Deus e aos irmãos” ( Lc 10,41).
“Se permaneceres em mim, e eu em ti, darás muito fruto” (Jo 15,5)...
Enquanto Jesus falava, sua santa Mãe, Maria, ali ao lado, contemplava-me, toda compassiva. Pedi-lhe também uma mensagem para trazer-te, Ir. Maria Teresa. Sempre de poucas palavras, eis o que a Mãe do céu mandou dizer-te:
“Minha querida filha, faze tudo o que Jesus te mandar!” (Jo 2,5)... “És também serva do Senhor” (Lc 1,38)...
Sabes quem procurei depois? Teu pai espiritual, São João da Cruz. Meio tímido, mas consciente de que devia mandar-te palavras de ânimo, assim falou pausadamente:
“Minha Irmã Maria Teresa, se quiseres encontrar Deus, deves afastar-te de todas as coisas, segundo o afeto e a vontade, retirar-te de ti mesma, em profundo recolhimento, como se todo o resto não existisse” (Cântico 1,6).
“Se quiseres encontrar Jesus, vais achá-lo no teu próprio coração. Teu amado Esposo é um tesouro escondido no campo da tua alma. Para encontrá-lo, esqueças todas as coisas... e te refugies no esconderijo interior do teu espírito” (Cântico 1,9).
“Quer comas ou bebas, quer fales ou trates com as pessoas, quer faças qualquer outra coisa, deseja sempre a Deus, conservando nele o afeto do teu coração” (Carta 9).
“Alegra-te em teu interior recolhimento com Deus, pois o tens tão próximo. Aí o desejes e o adores, e não vás buscá-lo fora de ti” (Cântico 1,8).
“O teu amor é que unirá tua alma com Deus” (Noite escura II,18,5).
“O amor, quanto mais forte, mais unitivo a Deus” (Chama 1,13).
“A união perfeita com Deus consiste na transformação total de nossa vontade na de Deus” (Subida I,11,2).
“Não te assustes nunca, porque “quanto mais Deus deseja elevar uma criatura à infinita união com Ele, tanto mais a purifica e prova” (Chama 2,20).
O santo sorriu e disse: “chega, não é?”...
Falar o quê? Não entendo muito destas culminâncias da intimidade com Deus...
Enquanto o santo doutor falava, santa Teresa o ouvia, elevada, como se dissesse: “Meu pequeno padre, como és grande!” Então me dirigi a ela, meio temeroso, como um filho que fez uma arte (eu não sou santo!) e olha de esguelha para a sua mãe. Mas criei coragem e pedi: A senhora vai mandar uma mensagem especial e bonita para a Irmãzinha, não vai? Ela escolheu seu nome: Ir. Maria Teresa...
A Santa mestra sorriu também e explicou: “Eu quero muito bem a esta menina, quero dizer, Irmãzinha. Pode escrever o que vou mandar para ela”. E desandou a falar... Mal pude anotar o seguinte:
“Querida Ir. Maria Teresa, depende de nós procurar a oração do recolhimento, na presença de Deus, porque depende da nossa vontade” (Caminho 29,4).
“Para falares com meu Pai celeste e gozares de sua companhia, não precisas sub ir ao céu... Não precisas de asas, porque basta retirar-te em solidão e contemplá-lo em si mesmo” ( Caminho 28,2).
“Apenas te ponhas a rezar, verás recolherem-se os sentidos naturalmente... como abelhas na colméia para fabricar o mel” (Caminho 28,7).
“Recolhida em ti mesma, podes meditar a Paixão, pensar em Jesus Cristo e oferecê-lo ao Pai... Conta-lhe tuas penas, pede-lhe remédio, reconhecendo-te indigna de ser chamada sua filha” (Caminho 2,4).
“Se sabes encerrar-te deste modo no pequeno céu da tua alma, onde habita Aquele que te criou,... vais por bom caminho e não deixarás de chegar a beber da água da fonte” (Caminho 5).
“Hás de te recolher ao mais íntimo da alma, até no meio das ocupações diárias” (Caminho 29,5).
“Se puderes, pensa em Deus muitas vezes ao dia; se não puderes, sejam ao menos algumas vezes” (Caminho 7).
“Mas saibas que esta presença da sua presença, Deus a concede como quer, quando quer e a quem quer” (Moradas IV, 1,2).
“Só o amor dá valor às obras, minha filha, e o único necessário é que o amor seja tão forte que nada o possa sufocar” (Exclamações 5,4).
“Lembra-te sempre de que “a glória das almas unidas a Deus está em ajudar o Senhor crucificado... (Moradas VII, 3,6)...
Nesta altura da história, Ir.Maria Teresa, com esta avalanche de mensagens tão santas, mas tão exigentes para quem quer ser santo, ainda mais na solidão de um claustro, tratei de me escafeder...
Com pesar, deixei de ouvir as palavras de Santa Teresinha, de Ir. Elizabeth da Trindade e de outros e outras carmelitas, que me olhavam com carinho...
Agora, Ir. Maria Teresa, imagino que irás responder a todas estas mensagens, não com palavras bonitas, mas com tua vida de carmelita consagrada, recolhida no silêncio do teu coração e de tua cela, só para falar com Deus, só para contemplar a Deus, só para adorar a Deus, como hóstia pura, imolada por amor de Deus e para o bem de todos nós...
E nós, querida Ir. Maria Teresa, que lhe diremos? Apenas isto: Que sejas uma carmelita santa, para a glória do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e para a felicidade e salvação de muitas almas. Assim seja!... |
60 anos de Ir. Maria de São José – Carmelo Imaculada Conceição
Divinópolis – 02.02. 2007-02-02
D. José Belvino do Nascimento
São José e a Irmã de São José
Reverenda Ir. Maria de São José,
no seu dedo, ou melhor, no seu coração brilha hoje um diamante para Deus e para todos nós: 60 anos de vida carmelita! Alguns chamam o diamante de brilhante, tal o brilho de sua luz. Nós sabemos que o brilho de sua vida no Carmelo é para a glória de Deus, como mandou Jesus: “Assim brilhe a vossa luz diante dos homens que, vendo as vossas boas obras, glorifiquem vosso Pai que está nos céus” (Mt 5,16). Por mais que uma alma se esconda no ermo e no silêncio de um claustro, se ela vive unida com Deus, na intimidade e no amor do Pai, sua vida será luz que a muitos iluminará, como aconteceu com as santas Teresa e Teresinha. Como aconteceu com a Virgem Maria, que falou tão pouco e guardava tudo no silêncio de seu coração. Como aconteceu com seu padroeiro, São José, que não falou nada, e hoje brilha como estrela de primeira grandeza no céu da Igreja.
Ah! é sobre isto que quero tecer minhas palavras para homenagear a nossa Carmelita que é feliz há 60 anos, 720 meses, 21.900 dias, 525.600 horas e já uns 31.536.000 minutos. Vou falar sobre São José e a Irmã Maria de São José.
1. São José viveu no silêncio. Os Evangelhos não nos deixaram nenhuma palavra dele... Assim também a nossa Irmã Maria de São José escondeu sua vida no silêncio, no mistério, às vezes pressentido por um sorriso tranqüilo... Por isso, ante estes 60 anos de consagração, em vez de fazer discursos, melhor seria nos calarmos de admiração e de ação de graças...
São José, com sua vida escondida, nos ensina que alguém pode ser grande sem esplendor, feliz sem ostentação, glorioso sem renome... Assim, a nossa Ir. Maria de São José passou estes 60 anos no Carmelo com um esplendor escondido, uma felicidade sem arroubos, uma glória, não da terra, mas do céu... Tudo isto, porque, como diz São Paulo, “a nossa glória é o testemunho da nossa consciência” (2 Cor 1,12).
2. A cada um de nós, Deus dá uma vocação especial; mas todos os caminhos nos conduzem ao mesmo fim: Deus! Só Deus conhece o porquê dos nossos diferentes caminhos.
Olhemos o exemplo dos Apóstolos e de São José; ou o exemplo de nossa vida cristã no mundo e a da Ir. Maria de São José no Carmelo...
Aos Apóstolos, Jesus lhes manda que preguem o Evangelho por todo o mundo (Mt 28,19); a São José, Deus lhe impõe o mais absoluto silêncio... A nós, que labutamos lá fora, Deus nos manda que, com nossa palavra e testemunho, levemos a todos sua Palavra, sua Mensagem, sua Graça, seu amor... Mas à Ir. Maria de São José, Deus lhe pediu que vivesse no silêncio, só rezando, só contemplando, só se sacrificando, para que a Palavra, a Mensagem, a Graça e o amor de Deus chegassem aos corações, às famílias, à Igreja, ao mundo lá fora...
Aos Apóstolos, Deus permite que sejam louvados por sua eloqüência e trabalhos de evangelização... A São José, Deus lhe pede apenas o silêncio, a humildade, a aceitação de seus planos divinos... Nós nos assemelhamos aos apóstolos, pregando e pastoreando; a Ir. Maria de São José se parece com São José: nós pregamos e evangelizamos; ela se doa, se consagra e se imola a Deus por nós...
Os apóstolos são como faróis de luz a brilhar no mundo... São José, velado pelo véu do silêncio e da humildade, é como a luz de pequena vela bruxuleante em adoração ao Filho de Deus... Não sei, Ir. Maria de São José, quem mais trabalha para a glória de Deus e a salvação das almas: se nós, cá fora, iluminados, badalados, reverenciados; ou se a senhora, aí dentro, pequenina vela de doação, de adoração a Jesus, nosso Senhor... Ora, por que duvidar? A Carmelita, no seu silêncio e deserto, é que alcança de Deus a graça para que, lá fora, iluminemos e salvemos as almas...
Jesus é, para os apóstolos, a Palavra encarnada, anunciada aos quatro cantos da terra; Jesus é, para são José, a palavra do arcano, do mistério, guardada no sacrário de seu coração... Nós somos como os apóstolos, cá fora, elogiados, vangloriados, porque a todos falamos de Deus... a senhora é como São José, falando de nós para Deus...
Os apóstolos se cansam pelos caminhos a falar de Deus... São José descansa o olhar sobre o Menino no presépio, em Nazaré; e só escuta, e só admira, e se cala, e adora o Filho de Deus, que o chama carinhosamente de pai... Também nós, Ir. Maria de São José, andamos por aí afoitos, atarefados, cansados de tanto falar e trabalhar; a senhora escolheu a melhor parte: no seu silêncio, como São José, só escuta, só ama, só adora a Jesus no seu coração...
Mas é bom saber que tanto os apóstolos como São José entraram na glória do céu. Por quê? Simplesmente porque os apóstolos no mundo e São José na sua caminhada de Nazaré, todos se santificaram. Como? Fazendo a vontade de Deus!
Eu sei, Ir. Maria de São José, com tão santo e poderoso protetor, vai direitinho para o céu. Mas nós também queremos ir... Nós, nos santificando aqui fora, enfrentando espinhos e pedras; a senhora, aí dentro no silêncio da oração, da contemplação, da adoração ao Deus Altíssimo...
Sigamos, pois, cada um a sua vocação. Sejamos o que Deus quer de nós. Mas todos, a senhora na vida contemplativa e nós na vida ativa, procuremos ser dóceis às ordens, às inspirações, às graças que nos vêm do Pai, por Jesus, por graça do Espírito Santo. Como os apóstolos... Como São José... Como a Virgem Maria... Ela, mais que todos, é, para nós todos, modelo de escuta da Palavra de Deus, modelo de silêncio ante os mistérios de Deus, modelo de encantamento ante as maravilhas de Deus e sobretudo modelo de obediência e fidelidade à vontade de Deus... Que a Virgem Maria, a Senhora da Luz, que nos deu Jesus, e São José, e os Apóstolos, e Teresa, e Teresinha, e João da Cruz, e todos os santos louvem a Deus, Irmã Maria de São José, pelas suas brilhantes Bodas de Diamante...
Nós a abraçamos, saudamos e bendizemos: Deus a abençoe! Maria a proteja. Seja muito feliz! O Carmelo tem mais brilho, porque a senhora e suas companheiras brilham na sua doação e consagração para a glória de Deus e o bem de todos nós. Amém. |
FESTA DA COLHEITA
( Pregação na Missa – 11 horas – Praça do Hospital
Entre Rios de Minas – 30.09.2006)
D. José Belvino do Nascimento
É uma alegria estar aqui com vocês, celebrando a 47ª Festa da Colheita e a 28ª Exposição Agro-pecuária. E, ao mesmo tempo, agradecendo a Deus pelos meus 50 anos de sacerdócio e 25 de bispo!
Ainda me lembro, e como!, da primeira Festa da Colheita em julho de 1960. Chegando aqui em abril, Dom Oscar, nosso Arcebispo e filho desta terra, me pediu que inventasse uma festa em louvor a Nª Sª das Brotas, a divina Pastora, padroeira dos lavradores e criadores rurais. Com suas 25 comunidades rurais, com a maioria dos entrerrianos vivendo dos produtos da terra, com a Cooperativa Agro-pecuária recém-criada, funcionando então a pleno vapor, visitei as Comunidades e falei da Festa que iríamos celebrar e todos acolheram de coração a idéia da festa à qual demos o nome de Festa da Colheita...
É verdade que alguns, até mesmo padres, não acreditavam no sucesso da grande novidade. O Vigário era novo e inexperiente, teria uma grande decepção... Mas foi o contrário o que aconteceu. Na manhã da festa, a Praça do Hospital Cassiano Campolina se encheu de uma multidão: velhinhos, adultos, jovens, muitos jovens, crianças curiosas, muitas crianças; cavaleiros, muitos cavaleiros. E caminhões, e carros, e jipes, e carroças, e charretes, e carros de bois. Tudo enfeitado com produtos rurais: frutos e flores...
E a banda de música, fazendo festa. E todos sorrindo, encantados... Alguns boquiabertos, outros de queixo caindo ante a alegria de todos...
O desfile rumo à Matriz transcorreu a passo lento, com gritos, com buzinaço, com a cantiga chorosa dos carros de bois... E o Pe.José, montado numa mulinha mansa, ia à frente todo feliz com o sucesso da festa! Ao lado da matriz, já lá estavam à espera Dom Oscar, todo sorridente, e também Pe. Newton, antigo Vigário, o Cônego Galdino, o Pe. Leandro de Carvalho, o Pe. Brás, o Pe. José Marques, o Pe. Bruzzi. E sobre o altar, todo enfeitado, a linda imagem de Nª Sª das Brotas, a dona da festa, rodeada de meninas vestidas de anjos. Foi celebrada a Santa Missa para a multidão que não cabia na Praça da Matriz. Pregou Dom Oscar com entusiasmo. Falaram também os padres. Dom Rodolfo chegaria à cidade só no mês seguinte, em agosto. Tudo era uma alegria só!
Eu me lembro de que alguns meninos e meninas que estavam a cavalo do meu lado, hoje já são vovôs e vovós... No ano seguinte, em 1961, já tivemos as atividades esportivas no Campo do Brumadense. Então a Missa foi primeiro na Praça do Hospital e o desfile se dirigia para o campo de futebol: havia os cachorros amestrados, laçadas de bezerros, e o rodeio, a grande novidade da 2ª festa em diante... Depois passamos a festa para o alto do Cruzeiro, onde hoje está o Poliesportivo e ali funcionou por vários anos...
Finalmente, por volta de 1980, ainda com nossa iniciativa, foi adquirido o terreno atual, onde funciona a festa, com o campo de rodeio; fizemos as primeiras exposições de animais. Mais tarde, depois que nos fomos embora, foi construído o grande galpão, onde hoje se realizam os shows...
Ainda me lembro da reunião que fiz com cerca de 30 homens, no subsolo da nova Casa Paroquial, entregando a Festa para uma Comissão Responsável. Mas fiz um pedido sério: que nunca se separassem da Paróquia e do sentido espiritual da festa...
Infelizmente, com o tempo, a festa se tornou mais profana que religiosa. E a parte da paróquia se resumiu quase só na Missa de domingo... Com a necessidade de cobrar ingressos mais caros para enfrentar as despesas, a maioria do povo simples não mais participa... Quem sabe se pode achar uma solução, um caminho para a festa voltar a ter um cunho mais popular que traga alegria a todos?!...
Seja como for, meus irmãos e irmãs de Entre Rios, hoje é dia de agradecer por estes 47 anos de Festa da Colheita e 28 anos de Exposição... Quanta coisa aconteceu... A nossa festa hoje é imitada por muitas cidades da região... Entre Rios se tornou mais conhecida em Minas e no Brasil...
Da minha parte, só tenho a agradecer a Deus tudo o que aconteceu... Só tenho que louvar Nª Sª das Brotas pelo carinho com que zela por todos nós.
É também um dever de gratidão lembrar e louvar a tantos e tantas que nos ajudaram nestes anos todos, seja trabalhando conosco na preparação e execução das Missas, dos desfiles, dos rodeios, das exposições; seja participando com seus animais, carros, charretes e sua ajuda... Foram tantos que não posso citar nomes; mas a todos recordo e agradeço de coração...
A Missa de hoje, o desfile de hoje, o rodeio de hoje, a exposição de hoje, agora com o apoio da Prefeitura Municipal, quiseram que fossem uma homenagem aos meus 50 anos de padre e 25 anos de bispo. Fico muito emocionado e agradecido!... Deus lhes pague a bondade e carinho...
Mas o que posso fazer para este povo de Entre Rios de Minas que tanto amo, é pedir a Deus que a todos abençoe. É pedir a Nª Sª das Brotas que a todos proteja e guarde com sua benção de Mãe do céu...
E rezem sempre por mim, para que Deus me conceda, um dia, a graça da salvação eterna, para mim e para todos nós... Isto é o que importa de verdade!... |
A missão do Diácono
(Pregação na Ordenação diaconal de:
Carlos Henrique Alves Resende,
Marcelo Francisco da Silva,
Marcelo Luiz Caixeta
Matriz de São Geraldo – Nova Serrana – 03.12.06)
Pesquisando os Santos Padres sobre o que pensavam do Diaconato, encontrei esta pérola de Santo Inácio de Antioquia (+ 107): “Todos hão de honrar os diáconos como a Jesus Cristo (Ad Tralianum 3,1). Isto me fez lembrar o Concílio Vaticano II, na Lumen Gentium, ensinando que todo batizado deve ser semelhante a Cristo, sacerdote, profeta e pastor. Com mais razão, portanto, devem ser os diáconos ordenados, ministros de Deus.
O diaconato nasceu com a Igreja nascente. Desde os primórdios, lá aparecem os diáconos como servidores do santo sacrifício junto do altar, como servidores da caridade junto aos pobres e doentes, como servidores da Palavra de Deus na pregação das verdades eternas.
São Clemente de Alexandria (150-216), admirando o entusiasmo dos primeiros diáconos, presbíteros e bispos da Igreja Primitiva, exclamava, encantado: “A hierarquia eclesiástica com os bispos, sacerdotes e diáconos me parece uma imagem da glória dos anjos” (Stromata 6,13).
Diaconato é servir sem esperar recompensa dos homens, mas tão somente de Deus. É exercer entre os homens a missão de Jesus Cristo. E qual foi a missão de Cristo? Salvar o mundo pelo sacrifício da própria vida, pela pregação da palavra, pelo exercício da misericórdia para com os irmãos e irmãs nas suas misérias espirituais e corporais. E, como Cristo, o diácono fará de sua vida um serviço perpétuo, ou como diácono permanente, ou em ordem ao presbiterato, ou depois como sacerdote, bispo e, quem sabe, como papa.
Eis as três palavras-chave na vida e ministério de um diácono: sacrifício, pregação e misericórdia, exercendo a tríplice missão sacerdotal, profética e pastoral.
Sacrifício, como diz a etimologia da palavra, significa praticar ações sagradas. E o que sacraliza nossas ações é o amor a Deus e ao próximo. O que se faz por amor é santo e santifica quem o faz e aquele para quem se faz. No amor se encontra toda a causa motivadora do ministério diaconal.
Como Jesus, o diácono, o servidor, por toda a sua vida, há de aceitar a vontade do Pai como uma cruz: “Eis que venho cumprir a vossa vontade, ó Pai” (Hb 10,5-9). Como Jesus, deve aceitar os sacrifícios da vida: passar sede (Mt 4,21), fazer-se pobre com os pobres (Mt 8,55), afadigar-se nas caminhadas (Jo 4,6), às vezes não ter onde reclinar a cabeça (Mt 8,28), quem sabe sofrer prisões, flagelo e cruz (Mt 20,18), doar-se ao Pai em favor das almas (Jo 10,11). Assim poderá dizer como São Paulo: “Completo na minha carne o que faltou à Paixão de Cristo” (Cl 1,24). Aí se esconde a grande verdade da vida cristã: “Se o grão de trigo não cai na terra e não morre, não dará frutos...” (Gl 2,19).
Com que carinho, portanto, deve o diácono servir o altar, onde se renova o sacrifício de Cristo; com que amor há de participar das cerimônias litúrgicas, da Santa Missa, dos Sacramentos, exercendo o ato mais sagrado do seu ministério. Assim o diácono transforma o seu coração num altar onde, por amor, oferece a Deus, cada dia, o sacrifício da sua vida.
Depois, o diácono há de se convencer de que, quando prega a Palavra de Deus, ilumina o mundo com as luzes do céu. “Vós sois a luz do mundo” (Mt 10,17-20), disse Jesus. E acrescentou o Mestre: “Para isto vim ao mundo, para dar testemunho da verdade” (Jo 23,37). As palavras que o diácono prega, não são palavras dele, mas do próprio Cristo: “Quem vos ouve, a Mim ouve; e quem os despreza, a Mim despreza” (Lc 10,16).
E não queira o diácono pregar-se a si mesmo, vangloriar-se da sua retórica, pois Cristo afirmou: “A minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou” (Jo 7,16). E que alegria para o diácono, com sua pregação bem preparada e bem sentida, cooperar com a salvação das almas e a vida de fé, pois Jesus disse: “Quem crer, será salvo” (Mc 7,15-16). E é tal a sua responsabilidade de cumprir tal missão, que São Paulo gemia de temor: “Ai de mim, se eu não evangelizar!” (! Cor 9,16).
Em terceiro lugar, como Jesus, o Bom Pastor, o diácono há de ter entranhas de misericórdia, como ensina São João: “Nisto conhecemos o Amor: que ele deu a sua vida por nós. E nós também devemos dar a vida pelos irmãos” (1 Jo 3,16). Há de buscar no Coração de Jesus o segredo da misericórdia: “Aprendei de mim, que sou manso e humilde de coração” (Mt 11,29). Como Jesus, exercerá seu ministério em obras de caridade: “Ele passou entre nós fazendo o bem” (At 10,38). Acolherá com carinho as crianças: “Deixai vir a Mim as criancinhas” (Mt 19,14). Animará os jovens na suas dificuldades e tentações, dando-lhes nova vida, como Jesus ao jovem: “Jovem, ... levanta-te” 9Lc 7,14). Com que amor socorrerá os pobres e humildes, como Jesus se alegrava, “porque os pobres eram evangelizados” (Mt 11,3-5). Fará tudo para curar as enfermidades físicas e morais dos pecadores, como fazia Jesus (Mt 4,23). E, como zeloso diácono, irá à procura e ao encontro das ovelhas perdidas (Lc 15,4), dizendo aos pecadores: “Vai e mostra-te ao sacerdote!” (Mt 8,4).
Aos irmãos e irmãs da nossa diocese peço o que recomendava Santo Inácio de Antioquia nos inícios da Igreja: “Respeitai os diáconos como ministros instituídos por Deus” (À Igreja de Esmirna, 8,1). E eles merecem nossa gratidão pelos serviços que nos prestam, pois, como lembrava São João Crisóstomo, “emprestam sua língua e oferecem suas mãos para servir-nos” (Comentário a Joa. 86,4)
Eis aí, prezados novéis diáconos Carlos e Marcelos, as palavras que busquei no relicário do Coração de Jesus, no tesouro das santas Escrituras, na sabedoria dos antigos Padres da Igreja, para saudá-los e animá-los no seu dia.
Possam vocês dizer de coração o que São Paulo se atreveu a dizer: “Sede meus imitadores, como eu o sou de Cristo” (1 Cor 4,16). Para tanto, aprendam a servir com os modelos de diaconia apresentados pela Igreja: Santo Estevão, São Lourenço, São Francisco de Assis e São Geraldo Magela que, se não era diácono por ordenação, se tormou, de coração, um lídimo servidor de Cristo e dos irmãos.
Assim, servindo a Deus nos irmãos e servindo os irmãos por amor de Deus, você’s sentirão a alegria cristã de servir por amor, só por amor... Assim seja! |
Missa de 93 anos de Padre Pedro Vidigal
D. José Belvino do Nascimento
Meu caro Padre Pedro,
A vida é um mistério de Deus! Quantos morrem antes de nascer! Quantos morrem crianças! Hoje, é muito fácil morrer cedo, tais os perigos que atacam os jovens, seja pela imprudência nas estradas da vida, seja pela fraqueza de quem cai na lama das drogas, seja por doenças incuráveis, seja nas brutalidades de assaltos, roubos, seqüestros...
Alguns privilegiados morrem na idade adulta. Agora, alguns pouquíssimos, que nem mais privilegiados são, porque prediletos de Deus, se vão com mais de noventa anos! Meu Deus, que dom este Dom da vida!
Mas a vida, para nós cristãos, só tem sentido, se puder significar amor... Deus, de quem viemos, é Amor. A nossa vida só será plena, se voltarmos para Ele, mergulhando no seu amor eterno.
O latim dá uma definição do Ser Deus, na palavra de São João ( 1 Jo 4,16), dizendo: “Deus é Caridade: Deus Charitas est”. A nossa Bíblia moderna traduziu por: “Deus é Amor”. Até nossos irmãos evangélicos gostaram desta tradução e deram a uma igreja deles este nome: Deus é Amor... Eu sempre me perguntei: por que, no original, está “caridade! E no português, “amor”? E cheguei à conclusão de que a tradução mais perfeita seria: “Deus é Caridade”.
E qual a diferença entre “amor” e “caridade”? Infelizmente, esta palavra “amor” anda muito deturpada, serve para qualquer coisa, é usada em qualquer momento... E o amor humano sempre supõe um pouco de egoísmo, um pouco de interesse pessoal, um pouco de “venha a nós o vosso reino”. Já a caridade verdadeira, como o Amor de Deus, é totalmente gratuita. Amar mesmo só ama, quem não espera recompensa. E isto só Deus pode fazer. Só Deus ama gratuitamente, porque não espera nada de nós como retribuição.
Assim acontece com o Dom da vida, dado por Deus. Quem pode explicar o mistério da vida humana, brotada das profundezas do Amor de Deus? Nossa atitude humana, diante de um dom tão divino e sublime, é só de agradecer!...
Li uma história muito simples, de que recordo agora e vou oferecê-la como uma pequena mensagem ao nosso aniversariante... É a história de um pescador, que mantinha a família com os frutos do mar. Mas, um dia de invernada (como este que enfrentamos na fé!), o pobre homem nada conseguiu pescar... Andando na praia rumo à barca que o levaria ao lar, encontrou uma pequena sacola. Curioso, apanhou-a: estava cheia de pedrinhas. Pensou: “Deve ser brincadeira de criança! Hoje, não levarei nenhum peixe; levarei estas pedras para as crianças brincarem...” entrou na barca e começou a remar... Umas pombas provocativas apareceram e revoaram a seu redor. Ele refletiu: “Quem sabe consigo abater ao menos uma para alimento de meus filhos!” Foi atirando as pedras maiores... Sempre errando o alvo, via as pedras caírem e mergulharem nas águas do mar... Por fim, sobraram três ou quatro pedrinhas lindas, pequeninas... Em casa, já noite, quando os filhos perguntaram: “Pai, o que trouxe para nós?” Respondeu: “Trouxe estas pedrinhas para vocês brincarem”. Acendeu a lamparina e mostrou-as. E levou o maior susto. As pedrinhas brilhavam. Eram diamantes! O homem ficou louco. Voltou à praia para calcular os lugares onde jogara as pedras. Como? Impossível!
A história termina dizendo que estas pedrinhas simbolizam nossa vida: anos, meses, dias, minutos, que imprudentemente vamos jogando fora no mar de tantas ilusões... No fim, descobrimos que o tempo vale ouro, mas pode ser tarde demais...
Só que, com o nosso Pe. Pedro aconteceu justamente o contrário. Tanto no nome como no coração, aproveitou bem todos as pedras que Deus lhe deu. E como aproveitou! Se outros, na sua idade, choram o tempo perdido, ele sorri tranqüilo, porque aproveitou muito bem todo o seu tempo. Aproveitou o tempo na Igreja, aproveitou o tempo na Política, aproveitou nos caminhos deste mundo. Tenho a certeza de que ele tão bem aproveitou a vida preciosa e longa que agora vive em paz com Deus e com sua consciência.
Para ser sincero com os que estão me ouvindo, nunca convivi com Pe. Pedro. Encontramo-nos, de verdade, faz pouco tempo, de uns anos para cá. Mas, como um bichinho da terra que se encanta com as estrelas, de longe sempre me encantei com o trabalho deste extraordinário lutador, qual destemido leão, nas lutas pela verdade, pela justiça e pelo Bem; sempre me impressionou nele, sobretudo, o amor e a defesa da Verdade. A verdade parece que era ( e ainda é!) uma luz na sua vida. E fez o bem que podia e pôde, deixando-nos uma lição de sábio. Agora, tranqüilo nos seus 93 anos de vida, agradece a Deus tantas mercês (privilégio que não terei, pois eu nem aos noventa chegarei!). Que graça, meu Deus,alguém poder cantar a ação de graças por uma vida tão longa, tão proveitosa, tão bem vivida.
Uma vez, durante um Cursilho de Cristandade, uma senhora, fazendo uma palestra, contou o seguinte fato: “Meu pai se chamava João. O testemunho que ele deixou para nós foi este. Teve vinte filhos. Quando estava para nascer o vigésimo, alguém comentou: “Senhor João, mas que coisa, vinte filhos!” ‘Graças a Deus!’ Se estava chovendo demais: ‘Graças a Deus!’ Se o sol pesava: ‘Graças a Deus!’ Na hora dos trabalhos, dos sofrimentos, nas crises de família, nas dificuldades para criar e educar os filhos, se alguém comentava: “Mas, Sr. João, como o Sr. agüenta?” Ele só sabia dizer: ‘Graças a Deus!’ Fui eu, terminou a filha, que na hora de sua morte perguntei ao meu pai: “Pai, o senhor está feliz e em paz?” Ele repetiu com um leve sorriso: “Graças a Deus!” Poucos minutos depois, fechou os olhos para sempre...”
Meus irmãos e irmãs, por todos os momentos de nossa vida, devemos sempre dar Graças a Deus. Mas hoje, de modo especial, unidos aos grandes momentos da vida de nosso aniversariante Padre Pedro, estamos aqui para agradecer o Dom de tão preciosa Vida. E lembrar humildemente que não valemos nada. Tudo o que somos e temos é Deus, é Bondade, é Graça de Deus! Unidos ao nosso Padre Pedro, olhamos para o céu, festejando os seus 93 anos de vida (e que vida!), e dizemos, felizes e admirados: Graças a Deus!...
( Homilia (espontânea!)
pregada por Dom José Belvino do Nascimento, na Missa
de Ação de Graças pelos 93 anos de vida de Pe. Pedro
Vidigal, na Matriz de Santo Antônio, em Calambau,
no dia 19 de janeiro de 2002).
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