IGREJA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

250 ANOS DA PARÓQUIA DE
SÃO BENTO DO ITAPECERICA

IGREJA DE NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

O bairro do Açude, hoje parte integrante do bairro Nossa Senhora das Graças, tinha este nome porque bem próximo do local onde está a Igreja de Nossa Senhora das Graças, havia um açude que abastecia de água boa parte do antigo Arranca-Toco.
Antes não era nada, com o tempo surgiu um Cruzeiro em um terreno doado pela matriarca Dona Messias Novato.

Em 22 de junho de 1947, por ocasião de uma procissão de São Bento em peregrinação ao Cruzeiro do Açude, O Padre Sinfrônio , então vigário, em sua habitual exortação aos fiéis,

mostrou uma estampa de Nossa Senhora das Graças em cujo verso havia a fotografia de um Padre (provavelmente Padre Antônio, Frei Orlando ou padre Eustáquio). Levado pela emoção, prometeu construir ali, naquele local, uma Capela dedicada a Nossa Senhora das Graças. Foi o  incentivo que faltava.
A população do bairro mobilizou-se. Formou-se naquele mesmo dia uma Comissão encarregada de angariar fundos para a construção da Capela.

Presidente: Benjamim Medeiros (Benjamim Novato), Secretário:     Otaviano José de Araújo (Tavico Araujo), Tesoureiro: João Luiz da Silva (João Eduardo), Provedor:       D. Rosa Tolêdo, Leilôes:          José Bento filho (Zé Cúia), Quermesses: José Cândido da Silva (Juca Tita), Membros :     Olímpia Maria de Jesus, Afonso José da Silva (Afonso da Candinha),                       Cornélio Reis, José Francisco Filho (Zé Vaz), Benedito Lopes.
Construção: Encarregado: João Sergio Gondim (João Eleutério),Pedreiros:         Geraldo Basílio Gondim (Geraldo Eleutério), Manoel Guilherme Vilela (Manoelzinho da Santa), José Crisóstomo Azevedo (Zico Crisóstomo), Ajudantes:        Geraldo Roberto de Morais (Lái da D. Batistina), João Mariano Teixeira (Zico da Dulica), João Lino do Nascimento (Dão da D. Geralda), Dionísio Alves Gondim, Ovídio (?), Duca Olaia (?), Sebastiâo Olaia (?) Benedito Paulo. Carpinteiros:  Ranulfo Mendes, Antônio Cândido da Silva ( Antônio Tita), Afonso Candinho. Transporte de Materiais: João Eduardo, Sebastião de Assis Teixeira. Madeira de telhado: doação de Benedito Lopes e Landico Melo . Torneamento e arte final de castiçais, bancos, Crucifixos, : José Candido da Silva (Juca Tita).
Havia também um grupo de Mulheres lideradas por Dona Olímpia que cuidavam dos trabalhos mais leves e da arrecadação de dinheiro e materiais para prosseguimento das obras.
A “Pedra Fundamental” foi colocada em 5 de outubro de 1948. Estavam presentes além de habitantes do bairro. O Sr. Prefeito Municipal; Teodoro Afonso Lamounier Neto e o Vigário paroquial Padre Sinfrônio. Junto com a Pedra Fundamental foi enterrado no “pé direito da Igreja” um pequeno cofre de bronze, contendo uma carta proclamação do Sr. Prefeito e outras informações alusivas à data. A Pedra Fundamental foi assentada pelo pedreiro Manoel Guilherme Vilela, casado com Elvira Gondim Vilela, (Dona Santa), pais de Flor de Liz Vilela Mesquita, casada com Higino Rabelo Mesquita. O ajudante foi o Sr. João Lino dos Santos, o “Dão” da Dona Geralda, da travessa Manoel Chico.

A Igreja foi consagrada em 28 de novembro de 1949 e em 17 de junho de 1950, finalmente a imagem grande de Nossa Senhora das Graças foi entronizada na igreja, depois de uma operação apoiada, e dizem que até  certo ponto planejada pelo Padre Hiltom Gonçalves de Souza, embora sem nada que comprove,  que mais lembrava um rapto que mesmo uma procissão. O fato foi transformado pela tradição oral em um “causo” curioso na tradição do bairro.

De como a imagem de Nossa Senhora das Graças chegou à sua Igreja.

... Foi mais ou menos assim...
...A informação foi passada boca- à –boca. Produto de um acordo entre o Padre Hiltom, Vigário da época, e Dona Olímpia, esposa do “Zé Cúia”, (leiloeiro, folieiro Capitão de Moçambique), zeladora da Igreja de Nossa Senhora das Graças, com a cumplicidade do Antônio Ronca, ferreiro e ferrador, “tinha braço mais forte que uma pata de cavalo”, durante o dia: à noite era decorador de alteres e tinha” uma cara singela de anjo barroco” esculpido  a machado, de preferência pelo Manoel da Diolina.

Este Manoel da Diolina era o que os mais antigos chamavam de             “Carapina” às direitas. Tudo que;   ele;   fazia;   era   muito

seguro, mas o acabamento deixava a desejar. Ele morava e tinha sua “carapinaria” ali no comecinho da travessa Manuel Chico, perto da ponte Anibal Santos.

O Padre Hiltom discretamente sugeriu, Dona Olímpia ajuntou as palhas, e o povo do arranca-tôco pôs fogo. Eis os fatos:
A imagem de Nossa Senhora das Graças, quando chegou vinda do Rio de Janeiro, foi depositada na Igreja do Rosário, desembalada pelo Juca Tita com a supervisão de Dona Rosa Toledo. Depois de benta pelo Padre Hiltom, foi conduzida em procissão para a Matriz de São Bento, ficando ali depositada para visitação dos fiéis, ao lado do altar de Nossa Senhora da Conceição.
Segundo o “dossiê” da conspiração, montado pelo Padre Hiltom, o pessoal do centro da cidade começou a tomar afinidades indevidas com a Santa que não lhes pertencia, segundo o entendimento simplificado do pessoal do arranca- tôco.
É claro que isto causava preocupações, ainda mais sabendo, informação do Padre Ailtom, que havia uma conspiração silenciosa entre os fiéis do centro, para dificultar ao extremo a transferência da imagem para seu justo abrigo. Em troca seria dada uma imagem menor. Afinal “aquele” povinho nem vai notar.      
Padre Hiltom pensava diferente. A Imagem fora encomendada no Rio de Janeiro para a Capela do Arranca- Tôco, portanto lá é que era o lugar dela.
 Política paroquial tem que ser conciliatória, não é possível qualquer solução facciosa, entretanto são possíveis soluções inteligentes. Ele mesmo, Padre Hiltom encontrou uma. “Se nós estamos com dificuldades em mandar a Imagem, por que os interessados não a buscam.” A mensagem foi entendida na íntegra.
Dona Olímpia convocou as forças do bairro, e, em reunião histórica na própria Capela, expôs a situação, criou o ambiente para propor a “descida” do Arranca-Tôco. Marcou-se dia e hora, Padre Hiltom foi informado que as últimas providências estavam sendo tomadas.
...E O ANDOR...? - Exatamente e o andor? A santa tinha em torno de dois metros de altura de pura louça. Barro queimado e requeimado, peso para gigantes, e... ainda havia o andor que tinha que ser reforçado, coisa de agüentar terremoto e isto indicava justamente em direção ao “seu” Manuel da Diolina.
...Uns anos antes tinham vindo a Itapecerica um grupo de Missionários, Manuel da Diolina a seu modo sempre foi dedicado às coisas de Deus, assim pensou usar sua profissão e fazer um agrado aos padres. Assim escolheu um bom troco de cedro vermelho, puro cerne e bem sequinho. Esculpiu um Santo Antônio do Catigeró, porque como ele mesmo dizia: “eu também sou preto”, depois de pronto, em um Domingo depois da missa das dez, oficiada pelo Superior dos missionários, lá estava ele na sacristia da Matriz, com sua obra de arte. Logo assim que o padre se desincumbiu dos paramentos ele se aproximou com humildade, fez sua apresentação e sem mais comentários e disse ao padre que estava ali para entregar-lhe um agrado e assim dizendo levou-o até o primeiro degrau do altar de São Sebastião onde estava a escultura.
O padre, sem muito que fazer, admirou-a, elogiou o trabalho e fez a pergunta que fez a matriz desabar em cima do Manuel da Diolina: “Quanto tempo o senhor gastou para esculpir uma coruja deste tamanho”?
O Manuel da Diolina deu sua última explicação: não é coruja não seu padre, é um Santo Antônio do Catigeró, preto assim como eu. Passou a mão na sua criação pôs embaixo do braço e nunca mais tocou no assunto.
          
              -Mané, disse o Cazeca, que também era carpinteiro e carapina,tem que ser um andor resistente porque a Santa é pesada.
  - Pode deixar Cazeca, deixa as medidas aí. Eu tenho umas tábuas de
 bálsamo bem secas. É pra estas coisas mesmo...
 Uma semana depois no mesmo lugar. Cazeca e João Eduardo examinavam o andor com um certo olhar de incredulidade; Mané, quantos bois gastam para arrastar isto?
Que é isto Cazeca?- quatro homens do tipo do Antônio Ronca, carregam o andor e a Santa em cima, com facilidade.
É verdade,  mas onde seria possível encontrar mais três homens com a força de gigantes e a delicadeza  do lírio. Só havia mesmo um, o Antônio Ronca. 

A madrugada de 17 de junho de 1950, Sábado, meio seco, meio molhado, chuva vai, chuva vem. Lá pelo meio do dia o tempo deu uma firmada, mas o que estava para ser feito, seria feito com qualquer tempo. O Arranca –Tôco estava em plena efervescência; bananeiras eram arrancadas dos quintais e replantadas em linha, na rua principal. Arcos do “Triunfo” feitos de bambu, enfeitados com todo tipo de flor que foi possível encontrar, davam o toque colorido das ruas. Enfeite campesino de muito efeito.
Enquanto os homens plantavam os enfeites, as mulheres varriam cada centímetro quadrado da rua. Os chafarizes foram polidos com caldo de laranjinha e sal. As vendas foram enquadradas na “Lei seca”; aguardente só depois que a Santa passasse.
Enquanto isto na Matriz, A Capela do Coração de Jesus estava fechada por ordem do padre Hiltom. Lá dentro Juca Tita trabalhava no sentido           de “firmar” a Santa no andor, enquanto Antônio Ronca, Catirina, Delano” Colete Preto”, Dona Olímpia, Dona Rosa Tolêdo e outras santas mulheres tratavam dos enfeites.
O Maestro Cesário Mendes recebeu uma convocação para função bastante diferente, uma “festividade andante”, ou qualquer coisa do tipo.
Às quatro horas em ponto, o tempo ajudando, virtualmente passaram a mão na Santa e se mandaram para o Arranca-Tôco acima. Quatro gigantes carregavam o andor, um com a delicadeza do lírio e três com a sutileza de paquidermes: Antônio Ronca, Cazeca, Dionízio e Zé Cúia.
A procissão, com a desculpa que o tempo estava ruim, foi em ritmo de marcha batida até próxima a residência do casal José Batista de Morais e Dona Batistina Assis Teixeira de Morais, em cuja escadaria da casa que formava um patamar para rua, o andor parou para descansar os carregadores, mas aí, já estavam em pleno coração do Arranca-Toco e não havia mais nenhum perigo de um “contra ataque” por parte do pessoal do centro.
Dali para frente foi pura festa. A Santa foi conduzida com festejos incomuns à sua moradia definitiva.
O Zé Vaz, em frente à sua venda, de portas fechadas, cochichou com um passante: é comadre, cana seca quando pega fogo, queima que nem pólvora, chafariz que não tem água , também não tem serventia nenhuma, o dia que o Arranca- Tôco desce, Tamanduá não dorme a mesma !

A rima que é bom, ninguém sabe onde ficou....

 

   
   
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Pagina Atualizada em 30-Jan-2008 10:19