Mas, os poucos recursos do lugar, a falta de um bom mestre de obras, por haver enlouquecido o primeiro contratado, e outros motivos ocasionais, foram retardando a conclusão das obras ou dificultando seu andamento até o ano de 1847 quando chegou àquela cidade então Vila Nova do Tamanduá, em visita pastoral, o caridoso D. Antônio Ferreira Viçoso Bispo diocesano que muito animou o povo a concluir a obra começada.
Por uma Carta Pastoral aos fiéis daquela Freguesia, de primeiro de dezembro do mesmo ano, expedida do Arraial do Desterro, para onde havia seguido o Prelado, organizou sua Excia. Revma., uma Pia Sociedade intitulada –O Apostolado- e composta de 12 das principais pessoas do lugar, sob a Presidência do respectivo Pároco para servir durante um ano, sendo substituídos os sócios todos os anos.
Cada Apóstolo concorreria com a jóia de 50$000 ( cinqüenta mil reis), além de esmola em favor das obras; prometendo o Sr. Bispo concorrer também anualmente com(...), o que cumpriu fielmente, como já havia feito seu digno antecessor D. José da Santíssima Trindade, até sua morte.
O primeiro Apostolado compunha-se dos seguintes senhores:
Pároco Colado: João Antunes Corrêa – Presidente
Luiz José de Cerqueira – Secretário
Primeiros Apóstolos:
1- Afonso Cordeiro de Negreiro lobato 2-Domingos Rodrigues Chaves
3-Gregório Luiz de Cerqueira 4-Bernardino de Senna e Silva
5-Vicente Peixoto Guimarães 6-Luiz Mariano de Moraes
7-João Antônio Tavares 8-Antônio Afonso Lamounier Junior
9-Luiz Nunes da Costa 10-Francisco José de Carvalho
11-José Manoel Teixeira 12-Bartolomeu Rodrigues Rabello
A creação desse Apostolado produziu ótimos resultados, auxiliando eficazmente as obras e celebrando regularmente suas sessões até 12 de janeiro de 1873.
Em princípio de dezembro de 1818 ali chegaram, vindos de Ouro Preto, o mestre pedreiro Antônio José de Freitas, ( que depois enlouqueceu ) e o contra mestre Francisco das Chagas Simões.
A 24 de Agosto de 1849, retirou-se o mestre Freitas para Ouro Preto, ali ficando o contra mestre Chagas, que ali constituiu família, a qual ainda existe com o apelido ( sobrenome) de Boa Morte, até morrer.
Sobre o Chagas, conta o Frei Dimas, (o que deu a idéia da fundação da primitiva Matriz), o seguinte: Quando ao concluir as paredes laterais da Capela Mor , trabalhavam Chagas e Francisco, escravo Miguel José da Fonseca, ao passar um cadáver para o cemitério geral, Francisco que nunca distraía de seu serviço, quedou-se e ficou melancólico e pensativo; Chagas perguntou-lhe porque motivo aquele cadáver lhe atraiu tanto a atenção? É teu conhecido?
Não sei quem seja respondeu Francisco, mas julgando que seja um pai de família que vai fazer falta aos seus, podia Deus levar-me em seu lugar, porque sou um infeliz escravo, que de dia trabalho aqui e à noite vou bater taxa no engenho; e esta noite não podendo resistir o sono cochilei um pouco e a taxa queimou; ora, como todos sabem meu senhor é mau e cruel, terei hoje à noite que sofrer um castigo horrível.
Neste instante toca a sineta para o almoço e Francisco preparando-se para galgar a extremidade da parede, a taboa do andaime recuou, caindo Chagas por cima do Corpo de Francisco, batendo este com a cabeça em uma pedra, em saliência para receber a trave, ali deixou os miolos. Chagas ficou desacordado por muitos dias.
Em 31 de agosto de 1852, chegaram ali, vindos de Oliveira, o mestre pedreiro Antônio José da Silva Guimarães, outros oficiais e seu genro Francisco Pimenta, que ali residiu até à sua morte e deixou descendentes que ainda existem.
A 2 de dezembro de 1853 contratou por empreitada a obra da Capela Mor da Matriz, o mestre carpinteiro Inácio Fernandes da Silveira.
A 12 de janeiro de 1855, quando já estavam quase concluídas as paredes laterais da Capela Mor, por haverem acumulado grandes pedras sobre as vigas que as atravessavam de lado a lado, veio tudo abaixo, às 11 horas da manhã, produzindo um estampido tal, que foi ouvido em toda a cidade.
Foi uma triste catástrofe, que enlutou toda a população: Cinco oficiais ficaram moribundos, falecendo somente Nicácio e Rodrigo, este com as pernas e um braço esmagados, pedia incessantemente os Sacramentos da Igreja, sem os quais não morreria: e o seu sofrer era demais. Socorrido logo pelo vigário Domiciano Francisco de Oliveira, morreu cinco minutos depois.
Os sobreviventes: Francisco Pimenta com o corpo cheio de feridas, seu cunhado Juca , e Pio crioulo que caiu a cavalo em uma tábua na Capela Mor , levam muitos dias a se restabelecerem.
Em primeiro de fevereiro de 1856, o Governo Provincial nomeou uma comissão para se encarregar da obra da Matriz, composta de dois membros que foram: O Vigário Domiciano e o Alferes Vicente Peixoto Guimarães; seis dias depois recebe o tesoureiro da Matriz , Sidnei Delcídio do Amaral a quantia de 800$000 (oitocentos mil reis) para as obras, e, indo dar parte disto ao mestre Silveira, cai-lhe sobre a cabeça uma tábua, na Capela Mor, e Vitima-o imediatamente com o dinheiro ainda na mão.
A 18 de fevereiro de 1859, o mestre entalhador Domingos pinto Coelho, contrata por 2.500$000 (dois contos e quinhentos mil reis), a constrição do Altar Mor da Matriz, não o ultimando por haver abandonado o serviço, que foi concluído pelos seus dois discípulos: José Maria Sanches e João Ferreira da Silva.
Em !862, porém, havendo novo vigário, determinado a aproveitar a vinda do Sr. Bispo D. Viçoso, em visita pastoral, para benzer a Matriz e para ela transportar o glorioso São Bento, que até este tempo estava na Igreja de São Francisco, fez construir de madeira, um corpo provisório, por dentro das paredes de pedra, para que não fosse impedido o trabelho nelas.
De fato em dezembro deste ano estava terminado todo esse serviço. Benta pelo Sr. Bispo, a Matriz, e nela colocado o padroeiro S. Bento. Ainda assim continuou o serviço das sacristias, bem moroso, até 1873, quando tudo foi interrompido.
Apesar da geração atual,(1913), julgar impossível concluir a obra como havia sido começada, toda de pedra, com paredes largas, à semelhança de fortaleza, o Revmo. Padre José dos Santos Cerqueira, hoje Monsenhor, tomando conta da Freguesia a 7 de novembro de 1887, tratou logo de concluir as sacristias como havia sido começado.
Feito isto, faltava a grande obra do corpo da Igreja e as torres.
E desde então começou o virtuoso Vigário a empregar todos os esforços em prol de tão importante obra, angariando esmolas e donativos entre os patrícios e gentis católicos, até que em agosto deste ano viu sua obra concluída e coroada de bom êxito.
A Matriz tem 53 metros de comprimento, 26 metros de largura, altura das torres, 35 metros, espessura das paredes de pedra, 1.80m. Custou a obra depois de pronta uma quantia superior a 300.000$000 ( trezentos contos de reis).
Há nessa Matriz, cinco altares dourados e com todos os paramentos, alfaias e o mais necessário para serem celebradas 5 missas ao mesmo tempo. Todas as imagens, inclusive a do Padroeiro, de pouco menos de 2 metros, de madeira e feitos por encomenda em Lisboa e Rio de Janeiro.
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Os vigários que tem paroquiado esta Freguesia, desde a sua criação são os seguintes:
!- Gaspar Alves Gondim 2- José Francisco de Souza
3- Álvaro José de Araújo 4- João Pimenta da Costa
5- Manuel da Cunha Pacheco 6- Francisco Ferreira Lemos
7- João Antunes Corrêa, deputado que serviu de 1819 a maio de 1854, quando faleceu.
8- Cônego Domiciano Francisco de Oliveira, que serviu até 1862 e faleceu a 25-12-1885.
9- Cônego Cesário Mendes dos Santos Ribeiro, que paroquiou até 6 de novembro de 1887.
10- Mons. José dos Santos Cerqueira, tem servido desde 7 de novembro de 1887, até esta data.
E um exemplo vivo de dedicação ao culto, muito caprichoso, trazendo sua Matriz com tanto zelo e limpeza que rivaliza com as melhores catedrais do estado, tendo por isso parabéns dos seus paroquianos.
E, para sua felicidade, conta com o concurso do dedicado, ativo e zeloso sacristão, o José Macota, que é possuído de boa voz, não tem rival quando entoa seus louvores à Senhora da Conceição, aos sábados; e por isso Frei Dimas jamais quis ir a Tamanduá de medo desse competidor.
Passos ,03-11-913.
O TAMANDUENSE |