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Altar Mor N. S. das Mercês |
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250 ANOS DA PARÓQUIA DE
SÃO BENTO DO ITAPECERICA
IGREJA DA IRMANDADE DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS DOS HOMENS PARDOS.
“No alvorecer do povoamento em Itapecerica, quando os Bandeirantes aventureiros, minerando as águas tranqüilas e límpidas dos córregos Tamanduá e Rosário, descobriram na nas suas areias o ouro aluvional e aqui plantaram suas choças, não se esqueceram de, com o fervor religioso que os empolgava, misturando a supersticiosa ignorância e uma tolerância com todos os abusos, de, também, erigir no lugar uma choça especial para o culto religioso e, sob a invocação de Bom Jesus de Matosinhos, foi plantada a primeira Igreja.
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Construção precária e simples, por isto de pouca duração.
Infestada a paragem de cobras e insetos venenosos, logo os moradores, na sua crença singela e límpida, suplicaram o socorro de São Bento, tido como protetor dos homens contra animais peçonhentos. A este Orago foi construída pequena Ermida de palha, que foi a Igreja aqui encontrada, quando criada a freguesia, e, veio para estas paragens o Padre Gaspar Alves Gondim, em 1757 (.¹)”
(O texto acima é de autoria de: Antônio Carlos da Silva Paz)
Esta pequena introdução serve para nos situar no tempo e no espaço. Em meados de 1780 foi construída a Igreja de Santo Antônio do Cordão de São Francisco, a Igreja da Ordem Terceira da Penitência. Sabe-se que a Imagem de São Bento ficou ali guardada até à conclusão do Altar-Mor da Matriz.(²)
Após esta pequena digressão sabemos que a Igreja ou Capela de Nossa Senhora das Mercês é bem antiga e sua construção presume-se datar do final do século dezoito. Infelizmente, não se tem a data de sua construção, nem da autoria do projeto e ornamentação. Porém presume-se e que com grande margem de certeza ser posterior á construção da Igreja de Santo Antônio do cordão de São Francisco, a mais antiga (.³)
Foi construída pela Irmandade das Mercês, hoje desaparecida nesta cidade, e que, no entanto, teve muitos confrades.(4)
Seu interior é alegre, apesar do tipo de construção, pesado, com paredes externas de 1 (hum) metro de largura. A Capela - Mor é separada do corpo da Igreja por um arco abobadado. |
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Arquitetura
Segundo Antônio Fernando Batista dos Santos, da Universidade Federal de Minas Gerais, cursando á época (1981), o Curso de Belas Artes, em pesquisa feita em Itapecerica, a planta é composta da Nave, Capela-Mor e uma Sacristia lateral. Filia-se ao partido das Capelas Mineiras da primeira metade do século XVIII .
A fachada principal reflete o mesmo espírito tradicional, frontão com triangular com decoração acompanhando os ondulados das telhas, duas janelas com balaústres de madeira recortada à altura do Coro, e uma porta almofadada.
A estrutura é em partes em taipa e partes em alvenaria de pedra, cobertura em duas águas e beirais em cimalha.Possui três altares. O Altar - Mor no fundo da Capela-Mor e dois laterais.
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(1) “A “Barca de Pedro”, velejada pela mão firme de Bento XIV, atende o pedido do monarca, o senhor D. João V, pelo moto próprio “Candor Lucis Aeternae” de 6 de dezembro de 1745, e cria o bispado de Mariana, o de S. Paulo e as prelazias de Goiás e Cuiabá.”
Nomeado como primeiro Bispo de Mariana D. Frei Manuel da Cruz.
“ Em seu episcopado foi criada a paróquia de São Bento do Tamanduá, cuja data não é bem esclarecida”. Augusto de Lima, em uma relação de paróquias existentes em Minas no ano de 1745, quando da criação do bispado, e ainda sujeitas ao Bispado do Rio de Janeiro, enumera a de Tamanduá com a renda de 1.118,10. ( Augusto de Lima, in “Capitania de Minas Gerais” pag 95, Ed. Itatiaia, 1978. ).
Cônego Trindade, em sua obra “Arquidiocese de Mariana”, enumera as paróquias declaradas de natureza coletiva, durante o episcopado de D. Frei Manuel da Cruz, cita a de Tamanduá por alvará que não descobriu a data, mas instituída canonicamente em virtude deste alvará, em 15 de fevereiro de 1757...( Sertão de N.S. das Candeias da Picada de Goiás- João Gomide Borges)
Relativo ao Padre Gaspar Alves Gondim, primeiro vigário paroquial de Tamanduá, era irmão de Manuel Alves Gondim, um dos sócios construtores da Picada de Goiás, descobridor do ouro do Riacho das Abelhas no Sertão da Farinha Podre (domínio de Uberaba) e primo em primeiro grau de Francisco Rodrigues Gondim, patriarca da família desse nome em nossa região, também sócio construtor da Picada, sesmeiro de Pouso Alegre, comunidade rural de Itapecerica.
Padre Gaspar e outros do mesmo clã, procedem de “ Gracia de Gondim” , toponímico português de origem francesa genitivo Gondini, da latinização Gondinus , origem bretã Gundulf; Lobo ( ulf), de guerra, ( gund). GUÉRIOS, Rosário Farani Mansur, DICIONÁRIO ETIMOLÓGICO DE NOMES E SOBRENOMES, Editora Ave Maria Ltda, São Paulo, 1981.
(2)- ARQUICONFRARIA DA ORDEM TERCEIRA DE SANTO ANTÔNIO DE PÁDUA E DO SERÁFICO PADRE SÃO FRANCISCO DE ASSIS, fundada em Itapecerica pelo eremita Antônio Tristão Barbosa, em fins do Se. XVIII e oficializada na década inicial do Séc. XIX, conforme documentos originais existentes no Arquivo da Paróquia de São Bento do Itapecerica-MG- APSBI.
(3)- Idem.
(4)- IRMANDADE DE SANTA EFIGÊNIA E DE NOSSA SENHORA DAS MERCÊS DOS HOMENS PARDOS, instituída provavelmente ainda no século XVIII, a exemplo da que foi instituída em Ouro Preto por inspiração de Chico Rei, dando origem aos festejos do Reinado em Itapecerica, e mais tarde transferindo os festejos para a Irmandade de Nossa Senhora do Rosário dos Homens Pretos.
Infelizmente não possuímos documentos que comprovem esta hipótese, a citação tem como base os fatos que ocorreram em Ouro Preto, pelos finais da segunda década do Se. XVIII, conforme relara Diogo de Vasconcelos em História Antiga das Minas Grais, 2º V., 4ª edição – Editora Itatiaia Ltda.1974. |
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