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Santos Riqueza de Todos - Dom Pedro José Conti*
domingo: 04 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
O dia dos Finados e a solenidade de Todos os Santos nos permitem fazer algumas reflexões. Uma sobre a precariedade da vida humana e as suas limitações e a outra sobre o próprio sentido dos dias que passamos, tão de pressa, neste mundo.
Falar sobre a morte é sempre difícil; preferimos deixar para outra hora, mas não depende de nós. Quando menos esperamos, a doença, o pavor da morte e o próprio fim desta vida nos alcançam. Ficamos acuados, a sós com a realidade pessoal, ou de alguém que amamos e que está muito perto de nós. Não dá mais para evitar o assunto. Para quem vive deprimido, pensar na morte é perigoso, mas para |
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quem vive correndo, atarefado, sem parar, é uma reflexão salutar. Talvez nos ocupamos tanto para não ter que pensar, ou acreditamos que, não pensando na morte, ela passará sempre longe de nós. Ilusão! O certo é nos prepararmos vivendo da melhor maneira possível esta vida, justamente como um presente que recebemos, um compromisso, um caminho a percorrer. Precisamos dar sentido à nossa existência; tomar nas mãos o que podemos dos nossos dias e usá-lo bem.
Alguns entendem que isso significa aproveitar todas as chances que a vida oferece para se divertir, enriquecer, aparecer. A vida deve ser curtida. Outros escolhem um projeto, um ideal pessoal e se esforçam para alcançá-lo. Ficam satisfeitos com isso. Outros, enfim, conseguem olhar além desta vida, além da matéria e da morte, e gastam a própria vida em nome de uma fé. Decidem usar as suas capacidades para fazer o bem. Não quer dizer que tenham uma vida fácil e divertida; pelo contrário, pode ser que sofram mais por causa do bem e da justiça que buscam, mas não significa que sejam infelizes. Apenas na escolha entre os tesouros a serem acumulados neste mundo e os tesouros do céu, preferiram os de cima, confiando mais em Deus do que nas promessas e nos sucessos humanos.
É por isso que os santos e as santas não são patrimônios só dos devotos, dos que fazem promessas e dos peregrinos. São riqueza para toda a humanidade. E não falo somente dos santos e as santas famosos, aos quais os fiéis endereçam as suas orações e que são exemplos de virtude para todos. Falo de muitos santos e santas, verdadeiros tesouros para todos os que os encontram. Os santos e as santas de todos os dias que fazem este mundo melhor.
São os humildes, os simples, os mansos e os puros de coração. São os que choram os que têm fome e sede de justiça e os que são perseguidos por causa do Reino de Deus. Eles estão em todo lugar, agüentam calados, até esquecidos e desprezados. Podem estar na sua casa, no olhar de uma criança que pede carinho, ou na paciência de um doente ou de um idoso. Pode ser o seu marido, a sua esposa, o seu filho que reza no silêncio do seu quarto. Podem ser a sua mãe ou o seu pai que se cansaram de implorar para que mude de vida. No entanto só se calaram, nunca vão desistir de amá-lo ou amá-la.
Pode ser o colega de trabalho que nos faz um favor e que todos chamam de burro, porque nunca se recusa a ajudar. Essa santidade não depende da beleza, da idade, da roupa, depende do coração de quem ama sem interesse, só pela alegria de fazer o outro sorrir.
Quem serão os santos e as santas que caminham ao nosso lado? Nem sempre prestamos atenção suficiente na generosidade dos outros. Não enxergamos mais o brilho da bondade.
Nós também podemos ser “santos” para aqueles que encontramos todos os dias e todas as horas. O tesouro do bem ficaria cada vez maior e mais precioso e, com certeza, teríamos, todos, menos medo de morrer, porque teríamos amado de verdade.
*dom Pedro José Conti, 58, é bispo de Macapá (AP) - Ir para o Inicio |
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Quem é feliz - Dom José Alberto Moura*
segunda: 05 de novembro de 2007- www.cnbb.org.br
Ser feliz é desejo de todos. Nem sempre este ideal é alcançado logo. Os atrativos sensoriais e o bem-estar de uma vida prazerosa não são suficientes para tornar a pessoa plenamente realizada. Haja vista a realidade de quem tem tudo o que deseja, como prestígio, bens e prazeres dos mais variados. A propaganda consumista não apresenta, em geral, valores além do material.
Muitos até se abstêm do mais necessário para comprar o supérfluo. A vida modesta com o necessário para se ter e usar o suficiente para a vida digna nem sempre é pensada como um valor. A riqueza, boa em si, pode levar a pessoa a usá-la para o serviço à promoção do bem da comunidade. Nesse encaminhamento, o manuseio da riqueza leva a pessoa a utilizá-la não como finalidade e sim como meio para servir o semelhante
Os prazeres, buscados comedidamente, dentro do sentido criado por Deus, levam as pessoas a conviverem consigo e os outros de modo respeitador de valores maiores. A posição social e mesmo as lideranças, exercidas com humildade e espírito de serviço, tornam as pessoas sabedoras de seu papel de administradoras das oportunidades para serem promotoras do bem comum. |
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A felicidade é possível, já neste mundo, para quem tem a sabedoria suficiente de perceber a relação de si com os outros, com o mundo e com Deus. Não somos donos absolutos de nós mesmos. Nossa dependência de ajuda, desde a concepção, mostra-nos a importância de sabermos nos relacionar com tudo. Quando a dependência se torna escravidão, principalmente de nosso egoísmo, a infelicidade é crescente. A escravidão dos vícios, dos prazeres, da matéria e da ambição nos tornam sempre aflitos e insaciáveis.
Isto é base para a tristeza e tanto tipo de estresse e até de depressão. Quanto mais soubermos viver no equilíbrio da dependência de Deus, mais nos tornamos livres. Ele é a fonte da libertação. Seus parâmetros ou orientações nos ajudam a encaminhar nossa vida e todas as coisas do modo melhor para conquistarmos a verdadeira liberdade. A experiência humana mostra isso.
Quanto mais independência e fuga de Deus mais o ser humano se torna escravo de si mesmo e das coisas sensíveis, a ponto de se colocar num beco sem saída para a plena realização de si mesmo. Jesus nos mostra o caminho mais adequado para a felicidade. "Felizes os pobres em espírito... Felizes os aflitos... Felizes os mansos... Felizes os que têm fome e sede de justiça... Felizes os misericordiosos... Felizes os puros de coração... Felizes os que promovem a paz... Felizes os que são perseguidos por causa da justiça... Felizes sois vós quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vós por causa de mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus" (Mt 5, 3-12).
É tão bom convivermos com pessoas felizes de verdade! Sabem tratar as pessoas, principalmente os pobres, com amor, procurando sempre promovê-las. Sua sinceridade comove. Sua humildade é referência de humanidade. Sua vida familiar é uma felicidade para todos. Sua fé é admirável. Sua colaboração com a comunidade é comovente. Sua capacidade de diálogo provoca o bem-estar entre todos. Sua santidade invade o convívio com os outros!
*Dom José Alberto Moura, 64 anos, é Arcebispo Metropolitano de Montes Claros (MG) e Presidente da Comissão Episcopal Pastoral (CEP) para o Diálogo Ecumênico e Inter-Religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). - Ir para o Inicio |
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O Sentido da vida! - Dom Antônio de Sousa*
sexta: 02 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
Ontem houve grande fluxo de pessoas, indo e vindo do cemitério. A pé ou de automóvel, nosso pessoal fez o percurso do caminho das saudades. De fato, saudades são os primeiros sentimentos que tomam conta das pessoas no dia de finados. Ah! Sim, também eu tive ontem e tenho sempre muitas saudades de minha querida mãe, do meu pai e dos três irmãos falecidos. E dos padres? Ah! Sim, fui tomado por fortes recordações de Mons. D’Ângelo, Mons. Adolfo e Pe. Cristóvão, que estão sepultados em nosso cemitério. |
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As emoções passam, mas as lições ficam. O que nos ensina o dia de finados? Penso que a maior lição é sobre o valor da vida. Pois da nossa vida depende a nossa morte: TALIS VITA, FINIS ITA, diziam os antigos romanos. Se vivermos bem, conforme os ensinamentos do evangelho, com certeza, morreremos bem.
Viver bem! Eis a questão.
As mais antigas correntes filosóficas, latinas e gregas, ensinaram muito sobre o sentido da vida, desde os erros e aberrações das correntes epicuristas (escola fundada pelo filósofo Epicuro), que colocavam o sentido da vida na sensação do prazer físico e sensível até os filósofos de tendência espiritualistas que mediam o sentido da vida pelo amor à ciência, sobretudo à filosofia.
Os Romanos valorizavam a vida pela oportunidade das saborosas comidas e as variadas festas e diversões: pão e circo.
Para se dar verdadeiro sentido à nossa via precisamos conhecer a sua origem divina e ter absoluta certeza de seu destino eterno. Com a morte, esta vida se transforma, mas não se apaga, pois, destruído este nosso frágil corpo, nos é dada, no céu, uma eterna mansão, como afirma o prefácio da missa dos mortos.
Foi a vinda de Cristo que mudou completamente o rumo de nossas vidas.
Então, a vida venceu a morte. Uma nova luz iluminou-nos, apontando um novo caminho. Partilhando a vida conosco, Cristo afirmou: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo. 14,6) “Vim ao mundo para que tenham vida e a tenham em abundância” (Jo. 14,6; 10,10).
O apóstolo Paulo é o grande mestre em nos ensinar que viver consiste em estar unido a Jesus Cristo e a morte é a união definitiva com Ele: “Desejo morrer para estar com Cristo” (Fil. 1,23). O sentido da vida para Paulo estava na pessoa de Cristo: “Pois, minha vida é Cristo” (Fil 1,21).
Pois bem, se toda nossa vida se centraliza em Cristo, que nos leva ao Pai através do seu Espírito, vamos, então, nos firmar, de modo sólido e definitivo, na pessoa do Senhor Jesus. É o melhor propósito que podemos fazer por ocasião do Dia de Finados.
*dom Antônio de Sousa, 78, bispo emérito de Assis (SP) - Ir para o Inicio |
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O sentido da vida – Dom Orani Tempesta
segunda: 05 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
Ao iniciarmos o penúltimo mês do ano civil e entrarmos nas últimas semanas do Ano Litúrgico, temos a oportunidade de nos deparar com questionamentos profundos de nossa caminhada e de nossas vidas.
Neste mês em que encerraremos o ano Litúrgico na festa de Cristo Rei do Universo, que é também o Dia do Cristão Leigo, teremos a oportunidade de celebrar o Dia Nacional de Ação de Graças e algumas Festas Marianas: Nossa Senhora das Graças ou da Medalha Milagrosa, a Apresentação de Maria e outras comemorações que marcam a nossa caminhada litúrgica.
Porém, iniciamos o mês com duas comemorações marcantes: o dia de Finados e a Solenidade de Todos os Santos, aquele celebrado no dia 2, sexta-feira passado, e esta neste final de semana como festa transferida para o domingo.
Aqui residem duas verdades importantes para nossas vidas: apesar de toda beleza da vida e da criação temos as nossas limitações, uma das quais é a grande certeza da morte biológica! Outro anúncio é sobre o nosso destino final: a visão beatífica, a vida em Deus, a Santidade!
Muitas vezes calou-se sobre essas verdades últimas da vida, como se isso conduzisse o povo a uma alienação, esquecendo-se da construção de um mundo mais justo. O resultado foi que não se ajudou o cristão a viver a sua vocação e nem se construiu esse mundo mais justo, como constatamos com muita clareza, passado esse tempo de história. Somente homens novos conseguem construir esse mundo novo! E para nós estes são os Santos.
O ser humano sempre procurou viver para sempre: seja em seus descendentes, seja nos monumentos fúnebres que construiu (as pirâmides são um exemplo disso) e ainda nas tentativas modernas de congelamento de pessoas aguardando um futuro, quando as doenças terão curas. O fato é que todos morrem, porém na fé no Cristo que morreu e ressuscitou temos a resposta de que a morte não é o fim mas somente a passagem para o nosso destino final, o nosso fim último: Deus! O caminho é o Cristo, Deus e homem verdadeiro, Pontífice que nos conduz ao seio da Trindade! Todos nos deparamos com a experiência da morte e somos questionados a cada dia sobre o sentido último da vida, pois tudo o que construímos, armazenamos, criamos fica aqui, enquanto a nossa vida termina. É em Cristo que a nossa vida tem a resposta da Ressurreição e da alegria de optarmos e caminharmos aqui na Graça de Deus e no futuro para desfrutarmos das alegrias do Céu! Em nossa liberdade temos a possibilidade de escolher diferentemente, e aí residem as demais possibilidades de não aceitação da vida em Cristo que nos é oferecida, que nos ajuda a vivermos desde já como bem-aventurados na fé até chegarmos à visão: “nossos olhos verão a Deus”!
E justamente aí, quando pensamos em nossa limitação humana, é que a revelação nos mostra a transcendência da vida: “fomos criados para Deus e inquieto estará sempre o nosso coração enquanto não repousar n’Ele”. É a santidade!
A nossa vocação universal à santidade recorda-nos que esse é caminho comum de todo cristão. Não é para algumas pessoas extraordinárias que foram canonizadas ou beatificadas, mas para todos. Se a Igreja investiga a vida de alguns homens e mulheres e os coloca como exemplo de vida cristã é para ajudar-nos a compreender a nossa vocação à santidade. Aliás, São Bernardo, na Liturgia das Horas da Solenidade de Todos os Santos, deixa bem claro isso: “Se veneramos os Santos, sem dúvida alguma o interesse é nosso, não deles”.
Sim, e esta é a beleza de nossa fé! Temos uma multidão de exemplos de vida cristã que além do mais intercedem por nós. A Solenidade deste domingo é para recordar a todos que, além daqueles santos canonizados conhecidos, temos uma multidão com vestes brancas cantando os louvores de Deus na liturgia celeste! E esta é a nossa vocação!
Por isso mesmo é que o início do mês de novembro nos traz esses questionamentos profundos sobre o sentido de nossa vida e sobre a nossa caminhada, exortando-nos a dar passos concretos para que neste tempo que ainda temos para viver neste mundo nós o aproveitemos para fazer o bem e construirmos fraternidade em Cristo, Nosso Senhor.
Nada melhor do que após todas as belas e grandes celebrações de outubro mergulhar na busca de nosso encontro com Deus, conduzidos pelo Espírito Santo, no seguimento de Jesus Cristo que nos transforma e nos conduz para a vida nova, vivendo e construindo verdadeiramente o mundo novo!
* Dom Orani João Tempesta é arcebispo de Belém (PA) - Ir para o Inicio |
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Novembro: Mês de Oração pelos Mortos - Dom Gil Antônio Moreira*
quinta: 08 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
No dia 2 de novembro, celebrou-se, mais uma vez, com intensa participação popular, o dia litúrgico de oração pelos fiéis falecidos. A multidão que acorre aos cemitérios revela a fé, que nossa gente de formação cristã professa na vida eterna. Em nosso Brasil, todo o mês de novembro é tido popularmente por 'mês das almas', quando as orações pelos mortos e as visitas aos campos santos, aumentam, sobretudo em certas regiões. |
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Reza-se pelos mortos, não por causa da morte propriamente, mas porque se ama a existência e se crê que a vida não termina em um túmulo, mas vai muito além dele, nos mistérios de Deus.
A lembrança dos que morreram nos ajuda a refletir sobre a transitoriedade da vida e a necessidade de estarmos preparados para o nosso dia. Estaria eu preparado para partir hoje? O que eu diria diante do Juízo de Deus?
Os que têm a graça de crer em Cristo encontram no evangelho o sentido para a realidade da morte que a todos, inevitavelmente, recolhe e a resposta confortadora para situações de perda de entes queridos, às vezes em condições totalmente inesperadas.
Aos que não crêem na vida futura, a morte é terrível desespero e a existência neste mundo acaba perdendo a razão de ser.
O diálogo de Jesus com Marta e Maria, irmãs de Lázaro, morto havia quatro dias, esclarece a respeito do tema. Segundo a narrativa do evangelista João em seu capítulo 11, Cristo, sabendo do falecimento de seu particular amigo, vindo visitar suas irmãs em Betânia, encontra-as transidas pela dor. "Se estivesses aqui, meu irmão não teria morrido", interpela Marta e depois também Maria. "Teu irmão ressuscitará", responde o Senhor. "Eu sei que ele há de ressuscitar no último dia", diz Marta. Em seguida, ouvem o Senhor proclamar: "Eu sou a ressurreição e a vida; quem crê em mim, ainda que esteja morto, viverá e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá para sempre".
O episódio narrado na seqüência, pelo evangelista, sobre a oração de Jesus diante do túmulo de Lázaro e a revitalização de seu corpo é a demonstração da superioridade divina sobre as forças da morte. Lázaro, mais tarde volta a morrer, mas desta vez ressuscitará, não para este mundo, mas para a eternidade onde não há nem doença e nem morte, nem dor e nem sofrimento, nem dúvida e nem incredulidade. A ressurreição de Lázaro foi um ato de bondade do Senhor para que todos pudessem crer na ressurreição da carne.
Diante da sepultura de nossos finados, onde depositamos flores e acendemos lumes, oramos e somos fortalecidos pela certeza de que Deus nos criou não para morrer, mas para viver eternamente em seu lar paterno. Aos que crêem, diz Cristo: "Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, credes também em mim. Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se assim não fosse, eu vos teria dito. Vou preparar um lugar para vós. E, depois que eu tiver ido e vos tiver preparado o lugar, virei novamente (quando morrerdes), e tomar-vos-ei comigo, para que, onde eu estou, estejais também." (Jo.14,1-4).
Crer na ressurreição dos mortos e na vida eterna não é difícil. Nem é difícil vislumbrar a eternidade feliz, embora só saberemos perfeitamente como ela é quando lá estivermos, pois é um segredo carinhoso do Pai que nos ama. Pelo ciclo da vida humana que tem sua primeira fase na penumbra do ambiente intra-uterino e passa à claridade após o nascimento, podemos imaginar o que será a vida em Deus, na sua plenitude esplendorosa após a nossa ressurreição final. São Paulo, ao falar das moradas do Pai, descreve: "Nem o olho viu, nem o ouvido ouviu, nem jamais passou pelo pensamento do homem o que Deus preparou para aqueles que o amam" (II Cor. 2, 9).
Porém, terrível é a palavra do Senhor para aquele que se recusa a acolher a Verdade e despreza o juízo final, sobretudo vivendo no egoísmo, na ganância e na injustiça, excluindo de sua vida o amor de Deus e os apelos dos pobres e dos sofredores: "Apartai-vos de mim, malditos, ide para o fogo eterno preparado para os demônios e os seus anjos..." (Mt. 25, 41)
A oração pelos mortos que fazemos nestes dias seja estendida em benefício da atual sociedade para que esteja a serviço e favorável à cultura da vida e contrária à cultura da morte, pois fomos criados para viver e não para morrer, para amar e não para odiar, para proteger a vida das pessoas e não para destruí-las. Fomos feitos para o paraíso.
*Dom Gil Antônio Moreira, 57, é bispo diocesano de Jundiaí (SP) - Ir para o Inicio |
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Morte encontro com o absoluto - Dom Geraldo M. Agnelo*
sexta: 02 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
Dia de Finados acontecerá na próxima sexta feira.
O pensamento da morte não nos deixa colocá-lo de lado ou removê-lo com pequenas astúcias. A maioria de nós procura reprimi-lo. Empregamos notável parte de nossas energias para ter longínquo o pensamento da morte. Esforço psicológico para cobrir o que tende sempre a ser descoberto. |
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Alguns ostentam segurança de si mesmo, dizendo que sabem que devem morrer, mas não se preocupam excessivamente; pensam na vida e não na morte. É a posição do homem secularizado que procura ser independente da fé, e de Deus. Isso não é senão um de tantos modos com que se tenta exorcizar o medo.
Muitas pessoas tentaram dar resposta ao problema da morte. Os poetas não propõem soluções, mas tomam consciência de nossa situação. Parece vento impetuoso que levanta ondas altas do mar e não se sabe o que mais atingirá nem como, haja visto o tsuname. “Assim, diz um poeta, sou eu que sem rumo, giro pelo mundo, sem pensar de onde vim, nem para onde vou”.
Os filósofos tentaram explicar a morte. Não basta dizer como Epicuro que a morte é falso problema, porque “quando estou eu, não está ainda a morte, e quando está a morte eu já não estou mais”. Para o marxismo, a morte é preocupação da pessoa, e como não é a pessoa humana que conta, mas a sociedade, a espécie não morre. O homem sobrevive na sociedade que contribuiu para construir. O marxismo, porém, terminou, e o problema da morte ficou. O comunismo perdeu a batalha nos corações. Diante da morte não soube fazer outra coisa do que construir grandes mausoléus a Lênin e a Stalin.
Heidegger, filósofo moderno, disse que a morte não é incidente que põe termo à vida, mas é a substância mesma da vida. Não podemos viver senão morrendo, Cada minuto que passa é fragmento que queima nossa vida. Morro cada dia um pouco.
Em nossos dias difunde-se a doutrina da reencarnação. Quem se recordará do que foi ou fez em vidas precedentes? E a consciência de ser a mesma pessoa? Se existisse, seria não um suplemento de vida, mas de sofrimento; não seria motivo de consolação mas de susto. É como se dissesse a um encarcerado que ao fim de sua detenção sua pena foi redobrada e tudo deve começar de novo.
A carta aos Hebreus 9,27, afirma: “Foi estabelecido que os homens morrem uma só vez; depois dela vem o julgamento”. A fé cristã professa a ressurreição da morte.
O Documento de Aparecida dos Bispos da América Latina e Caribe nos diz: “Jesus Cristo nos foi dado, a plenitude da revelação de Deus, tesouro incalculável, a “pérola preciosa”, cf. Mateus 13,45-46, o Verbo de Deus feito carne, Caminho, Verdade e Vida dos homens e das mulheres, aos quais abre um destino de plena justiça e felicidade. Ele é o único Libertador e Salvador que, com sua morte e ressurreição, rompeu as cadeias opressivas do pecado e da morte, revelando o amor misericordioso do Pai e a vocação, dignidade e destino da pessoa humana”.
Mas a que serve pensar na morte? É necessário ou útil fazê-lo? Sim é útil e necessário. Serve antes de tudo a preparar-se e a morrer bem. Vale a pena recordar de novo o Salmo 89, 12: “Ensinai-nos a contar os nossos dias, e atingiremos à sabedoria do coração”. Não existe melhor ponto em que se colocar para ver o mundo, a si mesmo e todos os acontecimentos em sua verdade, do que no da morte.
A interrogação sobre a morte suscita e orienta para uma resposta, resposta que vem de Cristo, resposta que manifesta como na morte a vida se recria, se completa e se totaliza, “a criação mesmo espera com impaciência a revelação dos filhos de Deus” (Romanos 8,19), porque a experiência mortal foi vencida pelo Ressuscitado. O drama do “por que” permanece, mesmo se “as almas dos justos estão junto do Senhor; a escuridão da noite e das inquietudes existe mesmo se a luz de Deus, às vezes fraca e apenas palpitante para nossas pupilas doentes, nos conduz à uma festa de sol e de paz. O Senhor eliminará para sempre a morte.
Recordamos os nossos mortos, todos, os nossos e os outros, os grandes e os pequenos, os que têm um monumento e os que têm somente um pouco de terra que os cobre, recordamos como riquezas dadas por Cristo, como sinal do drama humano, como testemunho do encontro com a salvação.
*Dom Geraldo M. Agnelo, 74, é Cardeal Arcebispo de Salvador (BA) - Ir para o Inicio |
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Meu e Minha - Dom Pedro José Conti* (Lucas 20,27-38)
sexta: 09 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
Se for verdade que no mundo tem mais mulheres do que homens, talvez a pergunta que fizeram a Jesus, hoje deveria ser feita ao contrário; seriam mais mulheres para um só homem. Mas, fiquemos com o que está escrito, sem incomodar as estatísticas. |
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O caso da mulher que teve sete maridos nesta vida, apresentado pelos saduceus a Jesus, tinha a clara finalidade de por em xeque a mensagem dele sobre a ressurreição. Queriam ridicularizar uma visão do céu cópia, mais ou menos aperfeiçoada, deste mundo. Daí a curiosidade deles em querer saber com quem, afinal, a mulher ia ficar, pelo fato de ter sido esposa de sete maridos. Tudo isso não intimidou Jesus. Ele tinha muito mais a dizer sobre este mundo e o outro.
Difícil, mesmo, era para eles entenderem algo que não fosse tão parecido com essa realidade, com todo o peso da corporeidade, dos costumes e das acomodações de quem não sabe olhar além dos seus interesses, do seu prestígio, dos seus negócios. Queriam tudo bem visível, palpável e ao seu alcance.
O Bom Mestre aproveitou para dar uma lição, mais do que sobre o céu, sobre esta vida, visto que o céu é a meta dos que souberam fazer o bem sobre esta terra.
Em primeiro lugar, Jesus nos lembra que ninguém é propriedade de ninguém, nem neste mundo, nem no outro. Menos, ainda, o homem é dono da mulher.
O amor conjugal só é bonito quando se baseia sobre o dom recíproco, a oferta gratuita de si mesmo ao outro, ou à outra, que amamos, para sermos também amados. Propriedade não é relação de amor!
A segunda lição é, também, sobre o matrimônio e, indiretamente, sobre a vida eterna. Quando um casal se ama, deveria ser feliz, dentro das limitações, dos altos e baixos da vida. Esse amor, feito de momentos e acontecimentos, é um ensaio do grande amor, aquele que nunca acabará, porque consistirá em participar do próprio amor de Deus. O amor conjugal é um caminho, nem sempre fácil, para descobrir e reconhecer o quanto seria bonito amar-se sempre, caminhar unidos toda a vida. Porém tudo isso, neste mundo, não é perfeito. Passa por fraquezas, decepções, voltas e mais voltas.
O reconhecimento da nossa fragilidade, das nossas infidelidades, com os conseqüentes sofrimentos, não deveria nos afastar do sonho, do desejo de um amor verdadeiro, grande, perfeito, incorruptível. Não deveríamos cair na tentação de desistir, mas deveríamos procurar sempre o caminho da conversão, entendida como busca do melhor; e com isso chegar ao reconhecimento que somente em Deus encontraremos o Amor perfeito, inclusive o verdadeiro amor conjugal.
E aí, com quem “ficará” a famosa mulher dos sete maridos, perguntaram os curiosos? No céu os esposos e as esposas se amarão de maneira perfeita, não por ser um propriedade do outro, e sim por ser Deus a comunhão e a felicidade total para todos.
Vai chegar lá quem souber gastar energia, tempo e vontade para construir o amor, desde já, aqui, nesta vida, ficando o desejo de algo mais e melhor para depois. Se a hipotética mulher conseguiu amar, ao menos um pouco, um ou outro, dos seus sete maridos, ficará com nenhum e com todos ao mesmo tempo, porque o amor não será mais somente de um para com um outro, mas com e para todos, mergulhados no único e grande amor de Deus. Infelizmente, entre namorados, entre marido e mulher, ainda são muito usadas as palavras “meu” e “minha”. Cheira muito a ciúme, a chantagem, a querer mandar.
Se ao menos entrasse um pouco do amor de Deus, outros entrariam também: os filhos, os amigos, os pobres. Na liberdade do amor a dois está o caminho para amar a todos, que também o caminho para chegar ao amor perfeito de Deus.
*dom Pedro José Conti, 58, é bispo de Macapá (AP) - Ir para o Inicio |
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Finados - dom Benedicto de Ulhoa Vieira *
segunda: 29 de outubro de 2007 – www..cnbb.org.br
Amanhã, as peregrinações ao cemitério se intensificam. Todos querem levar uma flor à sepultura daquele que partiu, deixando um vazio de tristeza aos que ficaram. Pode, para muitos, ser um dia de saudade e de recordação. Para nós, cristãos, a visão da morte é diferente. Não que não nos traga tristeza. Mas há, na recordação dos mortos, um luminoso raio de alegria.
No prefácio da Missa dos mortos, a Igreja lembra esta confortadora esperança: “Aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Para os que crêem, a vida não é tirada, mas transformada. E desfeita a nossa habitação terrestre, nos é dada no céu uma eterna mansão”. |
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O mesmo nos diz São Paulo (2° Cor. 5,1): Se nossa tenda for destruída, teremos no céu morada eterna, feita não por mãos humanas. É que para nós, cristãos, a morte não é o fim. É passagem, como o é a do nascimento da criança, que passa do escuro do seio materno para a luz do dia.
Não é possível fugir da morte. A vida, na visão do salmista (Salmo 89) é como a flor viçosa na madrugada que reabre em sorrisos para a aurora, mas que à tarde fenece e fica seca. Há, no culto dos mortos, talvez o desejo inconsciente de que eles estivessem vivos, bem perto de nós. Enfeitam-se os enterros de flores. Erguem-se monumentos nos cemitérios com afetuosas inscrições. Conservam-se nas paredes os retratos dos entes queridos. Temos medo de esquecer os nossos, que partiram. E eles não voltam para nos falar.
O Senhor Jesus já nos avisou. Por isto, é oportuno lembrar, no dia dos mortos, a colorida parábola, que São Lucas registra (Lc. 16,19) do homem rico e do pobre mendigo que vegetava na sua porta. Os dois morreram. Quando o rico pede ao Senhor para que o pobre volte à terra a fim de advertir os descuidados sobre o perigo de serem também eles castigados, a resposta divina é peremptória: a distância é intransponível. Não pode quem lá está voltar nem sequer para advertir os incautos. É a palavra do Mestre.
O que fazer pelos mortos? O 2º livro dos Macabeus (2º Mac. 12) responde: rezar por quem morreu, que é sinal de fé na ressurreição dos mortos. Dia dos finados – dia de oração em favor dos que partiram.
*Dom Benedicto de Ulhoa Vieira, 87, é arcebispo Emérito de Uberaba (MG) |
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FESTA DE TODOS OS SANTOS
Mateus 5,1-12.
Celebrar a festa de todos os santos trata-se de lembrar daqueles e daquelas que nós acreditamos já estarem no céu, pessoas unidas plenamente ao Deus Santo. Mas Jesus nos convida a ser santos na história, na vida presente. A santidade é nossa vocação. Ser santo é ser feliz As Bem-aventuranças são o caminho da felicidade que Jesus nos propõe.
Ele revela que Deus faz felizes aqueles que são vítimas do desamor. O centro do amor não está em nós, mas o próprio Deus, escondido nos não-amados do mundo. É identificando-nos e solidarizando-nos com esses prediletos de Deus, vivendo os valores do Reino em nossa vida cotidiana, que estaremos trilhando o caminho da santidade.
As bem-aventuranças estendem-se a todos que, de algum modo, entraram em contato e participam da vida de Jesus: os pobres e misericordiosos, os aflitos e promotores da paz, os que têm fome e sede de justiça e são perseguidos. Quem, mais que Jesus, foi puro de coração, promoveu a paz ou foi misericordioso? Quem, mais que Jesus, foi perseguido e sofreu aflições (o ver a multidão - que parecia ovelhas sem pastor - de famintos, os doentes e desorientados?)
Deus quer ver todos felizes. Buscar ou não essa felicidade é uma decisão que compete a cada um. Há os que trilham esse caminho, que se sentem amados e felizes, fazem felizes a outros, se desdobram em ações que buscam o bem dos outros.
O amor de Deus os capacita e impulsiona a amar os irmãos com gestos concretos.
Porém, há os que não acolhem a proposta de Deus e trilham outros caminhos, tentando ser feliz de outras maneiras, ou simplesmente se perdendo no caminho do mal, do pecado, do afastamento de Deus e dos outros.
O convite desta celebração de todos os santos e santas de Deus é para que não tenhamos medo nem dúvida de escolhermos esse caminho que nos leva à felicidade.
Respondamos todos este chamado ao Amor e à Felicidade: deixemo-nos amar por Deus e façamos-nos instrumentos do seu amor aos irmãos. Sejamos todos santos e santa de Deus!
*Antes da Comunhão:
A santidade é uma experiência que fazemos permanentemente através da celebração do Mistério Pascal de Jesus na comunidade, da qual fazemos parte, pois a santidade de Deus age em nós através da nossa participação no pão e no vinho eucaristizados. A Eucaristia nos faz “felizes” e “benditos, bem-aventurados porque desfrutamos da semelhança com o Senhor. Por isso, a Eucaristia vai ser o Sacramento que nos iniciará continuamente na vida de Cristo e se sua comunidade. Recebemos Cristo em nós.] ( Equipe de Liturgia da comunidade de Nª Srª da Dores de Lamounier)
Oração a São José:
Ó glorioso São José que morrestes nos braços de Jesus e Maria, eu vos rogo humildemente, assisti-me na hora da morte com a presença de Maria Imaculada, Vossa Virginal esposa e com vossa bênção que eu adormeça em paz sem medo, sem aflição, sem prolongada agonia e muito confiante em Deus. São José pedi a meu anjo da guarda que também me assista naquele instante e me conduza à presença do Senhor, rogando por mim perdão e misericórdia. (Dom Antônio Carlos Mesquita)
“....Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores, agora e na hora da nossa morte.” Amém! |
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Feriadão e Finados - D. Demétrio Valentini*
sexta: 02 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
Neste início de novembro vivemos um final de semana emblemático. Ele serve de divisor de águas entre a tradição de longa data e a modernidade imposta pela globalização avassaladora. Depende de como este final de semana é encarado.
Para alguns é um feriadão a mais, para ser aproveitado da melhor maneira possível, de preferência na praia, para esquecer os problemas e aproveitar o que a vida tem de bom.
Para outros, é o momento tradicional de lembrar os falecidos, visitar o cemitério, rezar pelos “entes queridos”, no “dia de finados” que a tradição lhes reserva com respeito e devoção. |
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Alguns poucos conseguem ir mais longe. Além de finados, celebram “todos os santos”, como manda a liturgia, estabelecendo assim a visão harmônica que a fé cristã oferece, integrando dimensões do destino humano que parecem contrastantes, mas que o mistério de Cristo ilumina e concilia.
Assim a fatalidade da morte, lembrada pelos finados, acaba se compondo bem com a certeza da ressurreição, simbolizada pelos santos. A perspectiva final da vida humana recebe um desfecho motivador, e integrador de todas as dimensões de nossa existência.
A obsessão de viver com intensidade o momento presente, sem relacioná-lo com o passado que pode lhe explicar a origem, nem com o futuro que pode lhe indicar o rumo, expõe a vida humana à precariedade de suas limitações.
A vida, que se quer viver com tanta voracidade, fica exposta ao perigo da banalização. Os exageros do álcool, e outros excessos, ultrapassam os limites da responsabilidade. Ficam criadas as condições para os acidentes que ceifam vidas, na maioria das vezes jovens e em plena exuberância de seus desejos de viver, que assim ficam frustrados para sempre. A extensão desta fatalidade é mensurada pelas cifras que no final de cada feriadão as autoridades do trânsito fornecem, numa liturgia que já se tornou indispensável. Fica esquecida a sábia advertência de São Paulo: “trazemos este tesouro em vasos de argila!”.
O feriadão acaba sendo reflexo do cotidiano da vida das pessoas. Quando faltam referências transcendentes, a vida fica exposta à precariedade dos seus impulsos. Se eles não são iluminados por valores que os conduzem, ficam sem critério de orientação.
Este o drama atual, que os professores experimentam diante dos alunos, os pais sentem diante dos filhos, e a própria Igreja vivencia diante de sua missão evangelizadora. Como oferecer razões de viver, para impregnar a vida com verdadeiras motivações, que levem à sua plena realização, como Cristo nos convida a fazer?
Celebrar o dia de finados não é deixar de viver com intensidade. Ao contrário, é acolher o mistério da vida em sua plenitude, integrando já agora o que parece contradizer a vida, como nos revela o mistério pascal de Cristo. Trata-se de compreender que a fé cristã não vem cercear a vida. Ao contrário, vem abrir as portas de sua plena realização.
A fé vem ao encontro dos anseios humanos, e se mostra muito coerente com eles. Já humanamente vislumbramos horizontes longínquos, que convidam a ultrapassar os limites da existência humana. Sentimos como é bom viver, como é harmonioso o universo, e como nele somos acolhidos. Já esta vida desperta o desejo de viver para sempre.
Toda a mensagem de Cristo se volta para nos garantir este projeto de vida plena. “Eu vim para que todos tenham vida, e vida em abundância” (Jo.10,10). “ Na casa de meu Pai há muitas moradas...Quero que onde eu estiver, estejais vós também” (Jo.14,2-3). Por sua vez S.Paulo, refletindo a convicção dos primeiros cristãos, afirma com esperança: “Se morremos com Cristo, com ele viveremos” (Rom.6,8).
Neste feriadão, deixemos entrar com suavidade e persistência a luz da fé cristã, com o bálsamo de consolo e de esperança que ela traz, tanto para nós como para os falecidos. E sintamos desde já a alegria de ver-nos incluídos na assembléia dos santos, para a qual Deus nos convida a participar desde agora!
*Dom Demétrio Valentini, 67, é bispo de Jales (SP) - Ir para o Inicio |
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Deus é Santo - Dom Geraldo M. Agnelo*
terça: 06 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
Novembro nos reserva o Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados, logo ao início do mês. São marcos que se colocam ao longo da caminhada para lembrar-nos o sentido de nossa vida. Na época do consumismo tudo serve para satisfazer o imediatismo e cultivar sensações.
No primeiro domingo de novembro, ou no próprio dia primeiro do mês, celebramos a festa de Todos os Santos. Falar de todos os santos não é buscar conhecer todos os santos do calendário ou das imagens de nossas igrejas que lembram heróis proeminentes da santidade, como personagens especiais, particularmente os proclamados nas canonizações. |
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A santidade possui algumas chaves. Cristo Jesus nos diz: “Sede santos como meu Pai é santo!” Santidade de Deus é a Verdade, é a Justiça, é a sua Misericórdia, é o seu Amor. Todo cristão é chamado à santidade no dia de seu batismo: é programa para toda a vida.
“Quando tiveres um Deus em ti, terás um hóspede que nunca mais te deixará em paz”. A advertência é de Paul Claudel. E Deus, ao hospedar-se na vida de uma pessoa, passa a ser um hóspede incômodo e exigente, mas também adorável e irresistível. Chamado certa vez a qualificar a identidade de Deus, o filósofo Vicente Ferreira da Silva não teve dúvida: “Ele é o Sedutor, o grande Sedutor que fascina para sempre o ser humano”.
Conta-se de um santo muito simples que um dia, ao passar diante do altar, caiu em êxtase e ficou com o peito ardendo de amor, como se estivesse pegando fogo. De dentro do sacrário veio a voz de seu amigo Jesus: “Doidinho, você não se emenda e não tem jeito e fica fora de si quando me vê!” A resposta do santo foi imediata: “Doidinho é você, mais doido que eu, que fica aí preso dentro de um sacrário, dia e noite, por amor de mim.” Este era o grau de suas relações pessoais com o hóspede permanente de todas as suas horas.
O Evangelho nos diz: “Este é o meu mandamento: amai-vos uns aos outros, assim como eu vos amei. Ninguém tem amor maior do que aquele que dá a vida por seus amigos. Vós sois meus amigos, se fizerdes o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu Senhor. Eu vos chamo amigos, porque vos dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai. ... O que vos mando é que vos ameis uns aos outros” (João 15, 13-15.17). Deus amou tanto a humanidade, que enviou o próprio Filho, e o Filho deu a sua vida por nós, (cf. Romanos 5,8). O mesmo Paulo nos diz: “Quem nos separará do amor de Cristo? Tribulação, angústia, perseguições, fome, nudez, perigo, espada?
A religiosidade popular, como manifestação popular da piedade, é considerada, por alguns intelectuais ou teóricos e planejadores, com desdenho e censura por não se enquadrar nas regras do bom senso pastoral ou social. Sem fazer concessões à desordem de ecletismos desvairados, é preciso reconhecer a legitimidade religiosa de devoções populares. Essas devem merecer sempre a atenção e cuidados para se alimentarem da própria fonte da palavra de Deus na história da nossa salvação.
“Não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande idéia, mas através do encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá novo horizonte à vida e, com isso uma orientação decisiva”, como recorda Bento XVI na sua primeira encíclica Deus é Amor. Isso é justamente o que, com apresentações diferentes, todos os evangelhos nos têm conservado como sendo o início do cristianismo: um encontro de fé com a pessoa de Jesus (cf. João 1,35-39).
A festa de todos os santos não pode resumir-se em pura celebração ou em simples pedido de ajuda. Falando dos santos, São Bernardo dizia: “Não sejamos preguiçosos em imitar aqueles que somos felizes de celebrar”. É portanto ocasião ideal de refletir sobre o “chamamento universal de todos os cristãos à santidade”. Na Primeira Carta de Pedro 1,15-16, lemos: “À imagem do Santo Deus que vos chamou, fazei-vos santos porque está escrito; vós sereis santos, porque eu sou santo”.
A santidade pode comportar fenômenos extraordinários, mas não se identifica com eles. Se todos são chamados à santidade, é porque, compreendida retamente, ela está ao alcance de todos, faz parte da normalidade da vida cristã. Deus é santo. A santidade é a síntese, na Bíblia, de todos os atributos de Deus.
*Dom Geraldo M. Agnelo, 74, é Cardeal Arcebispo de Salvador - Ir para o Inicio |
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As duas vias – dom Eduardo Benes*
segunda: 05 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
Só existem dois modos de estar no mundo. Ou se vive no amor, ou seja, na busca permanente da comunhão com os outros ou se vive no egoísmo, fazendo das pessoas instrumentos, meios para a satisfação dos próprios interesses. Os que professam a fé no Deus Uno e Trino estão convencidos de que as pessoas só são pessoas de verdade quando fazem sempre intensa comunhão com os outros. Deus é Três em Um só ou Um só em Três. Três pessoas, realmente distintas, na infinita comunhão de uma só natureza. Pessoa em Deus, ensina-nos a tradição cristã, é relação amorosa, de modo que as pessoas subsistem voltadas umas para as outras com a totalidade do |
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próprio ser. Nada é de uma pessoa que não seja ao mesmo tempo da outra. A essa compreensão a tradição teológica chamou, em grego, de pericorese - e em latim, circuminsessão. A doação recíproca das pessoas faz com que cada pessoa esteja inteira na outra e se desfrutem uma da outra em eterna alegria. É próprio de todas as religiões ter um referencial transcendente e intocável, fonte e modelo de toda a realidade. O Deus Trindade é, no cristianismo, a origem de todas as coisas e o modelo, a causa exemplar, de todo o criado. Jesus afirmou: "Eu e o Pai somos Um". E orou e deu a vida para que a humanidade pudesse espelhar em sua convivência o mistério de sua comunhão com o Pai no Espírito Santo: "Pai, que eles sejam Um como eu e tu somos Um e assim o mundo creia que me enviaste." A experiência de Deus, no cristianismo, inspira um tipo de sociedade onde a realização do indivíduo-pessoa consiste precisamente nisto: viver um permanente processo de interação amorosa com os outros. A pessoa não é solidão, uma mônada isolada, mas é dinamismo de comunhão. Na relação reside a experiência da identidade, a alegria de ser alguém. "É dando que se recebe". Ou a pessoa se volta para o outro em atitude de oferecimento ou ela está fadada irremediavelmente ao fracasso. A verdade de Deus - Uno e Trino - revela-nos nossa própria verdade. Ou vivemos em comunidade, em clima de participação amorosa e serviçal, ou seremos infelizes. Mesmo que muitos não o desejem, aqueles que experimentaram de verdade o Deus de Jesus Cristo estarão sempre buscando a comunhão com os outros até a morte, como Jesus mesmo o fez, como o testemunham suas palavras: "Pai, perdoai-lhes porque não sabem o que fazem". O testemunho de comunhão é sinal distintivo do discípulo de Jesus. Por isso nos ensinou João Paulo II: "fazer da Igreja a casa e a escola da comunhão: eis o grande desafio que nos espera no milênio que começa, se quisermos ser fiéis ao desígnio de Deus e corresponder às expectativas mais profundas do mundo".( n. 43).
Ora, nosso mundo oscilou, no século passado, entre um individualismo exacerbado e um coletivismo sufocante. O individualismo egoísta se consolidou de forma cruel no capitalismo "selvagem". A reação ao capitalismo foi a tentativa de impor, à força, um sistema de igualdade, como se as estruturas pudessem dar a vida. Hoje prevalece o individualismo cego que produz uma imensa e impiedosa exclusão. O cristianismo não propõe uma terceira via, ele propõe a via do amor, da solidariedade, assumida na convivência social, único jeito de dar vida às leis justas. Aqui e acolá ouço, quando me refiro a essa via, pessoas dizerem ser ingenuidade. O ponto de partida, entretanto, da construção social não pode ser o adágio "hobbiano": "o homem é lobo para outro homem". Os cristãos apostam na via do amor porque crêem que Deus não abandonou a humanidade, pelo contrário, veio a seu encontro em Cristo e pelo Espírito a conduz pelas vias do amor. Jesus nos enviou como cordeiros para o meio de lobos. Ele mesmo, o Cordeiro de Deus, ofereceu sua vida para que todos se tornassem cordeiros, amigos uns dos outros. Esta verdade obriga-nos - ó feliz dever! -, a nós cristãos, a apostar no diálogo e na cooperação como método e como realização dos ideais de justiça e de paz social. O bem não se impõe, propõe-se, em contexto de testemunho. Bento XVI ensinou-nos que não se evangeliza por proselitismo, mas por atração. A persistência no caminho do diálogo e do serviço desinteressado é que convence e multiplica os obreiros da justiça e da paz. Traem sua fé os cristãos que dizem acreditar na proposta do evangelho e se recusam a vivê-lo no terreno da política e no interior das instituições sociais. O que todos nós esperamos, e devemos agir em conseqüência, é que todas as instituições sociais, sobretudo as explicitamente educacionais, não só se estruturem para a comunhão, mas funcionem, pela adesão convicta das pessoas, em clima de diálogo e participação, motivadas pela sincera busca do bem de todos. Esse caminho exige conversão permanente. As tendências egoísticas e a volúpia do poder constituem para todos nós uma tentação permanente. È preciso acreditar no outro. O outro pode mudar. Mas para acreditar que o outro pode mudar, é preciso que eu mesmo tenha feito a experiência da mudança, pois o outro, eu o vejo com os meus olhos. Esse caminho não é tão rápido como o caminho das decisões não participadas, por ele o processo é mais lento, mas é o único caminho que, de fato, leva à construção da comunidade humana.
*Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues, 66, é arcebispo de Sorocaba (SP) - Ir para o Inicio |
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A ressurreição final - Dom Benedicto de Ulhoa Vieira*
terça: 06 de novembro de 2007 – www.cnbb.org.br
Após a comemoração dos mortos e a festa de todos os Santos, a Igreja coloca o Evangelho dominical, neste quase fim do ano litúrgico, sobre a luminosa verdade da ressurreição como recitamos na profissão de fé: “Creio na ressurreição dos mortos”.
No crematório de São Paulo, certa vez, o responsável, explicando-me o processo de cremação, entregou-me uma pequena caixa com as cinzas de alguém que fôra cremado. Ao tomá-la nas mãos, disse ao senhor, que me recebera: “Creio na ressurreição dos mortos”. E ele, talvez meio cético, me advertiu que era necessário ter fé muito forte, para afirmar que aquele punhado de cinzas pudesse voltar a |
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ser uma pessoa humana. Pelas leis da natureza de fato seria impossível. Mas pela fé – isto é, pela palavra de Cristo – devemos aceitar esta verdade religiosa: a ressurreição dos mortos. São Paulo, na 1ª Carta aos Coríntios (15,12), lembra que “se Cristo ressuscitou, como pode alguém dizer que não há ressurreição dos mortos?”
Naquela cena, que São Lucas narra (20,27-38), dos saduceus que propuseram ao senhor a dúvida sobre a vida matrimonial no céu, temos a resposta apodítica de Cristo: os mortos ressuscitam, como Moisés já o dissera no Velho Testamento. E acrescenta: “Deus não é Deus dos mortos, mas sim dos vivos”.
No Velho Testamento, o livro de Daniel (12,2) anunciava a ressurreição futura: “Os que dormem no solo poeirento despertarão, estes para a vida eterna, aqueles para o horror eterno”. Mais claramente o profeta Isaías (26,19): “Teus mortos reviverão, pois seus cadáveres ressuscitarão. Despertai, gritai de alegria, vós que morais no pó, pois o teu orvalho é um orvalho de luz”.
Há um hino litúrgico, em versos latinos rimados e ritmados, que procura descrever o juízo final, após a ressurreição universal. Nele se diz que a morte se assusta e a natureza também no momento em que os mortos ressuscitarem para o julgamento de Deus. E descreve o juiz supremo, assentado, com o livro de nossa vida aberto em que tudo está escrito até o que é oculto. No final, o autor, confiado na piedade de Jesus, pede a paz e o descanso.
É esta paz, repleta de alegria, que a ressurreição nos há de dar, se formos fiéis ao Senhor nosso Deus.
*Dom Benedicto de Ulhoa Vieira, 87, é arcebispo Emérito de Uberaba (MG) - Ir para o Inicio |
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Solenidade de Todos os Santos
O vocábulo “santo” designa aquele que é separado de toda maldade e pecado, de tal modo que se torna uma nova criatura. As pessoas, vestidas com roupas brancas, referidas pelo texto do Apocalipse, simbolizam, no espírito de liturgia, as novas criaturas que são os santos. Elas alvejam as suas vestes no sangue do Cordeiro. De fato, foi o sacrifício redentor de Cristo que nos remiu dos pecados. É, no seu sacrifício redentor, que os santos encontram forças para afastar-se de toda maldade e pecado.
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Ser santo é ser semelhante a Cristo, pois é pela semelhança com Cristo que nos tornamos imagens de - e semelhantes a - Deus. Os santos são pessoas que de tal modo seguiram Cristo que se tornaram suas imagens vivas. A título de exemplo, podemos pensar em São Paulo: “Já não sou eu que vivo, é Cristo que vive em mim”. Dizia o Apóstolo que estava crucificado com Cristo. Podemos pensar ainda em São Francisco. Todos viam nele uma cópia fiel de Jesus Cristo.
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A Sagrada Escritura ensina que ser santo é praticar as bem-aventuranças do Evangelho. Elas são a sua síntese. Constituem o programa do Reino, ou seja, do mundo novo que Jesus veio construir na terra. Para usarmos a expressão de Santo Agostinho, elas constituem o programa da Cidade de Deus, que deve ser construída no mundo.
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Os santos foram as pessoas das bem-aventuranças. Ser santo, portanto, é ser misericordioso. No comentário que faz ao Sermão da Montanha, ensina Santo Agostinho que misericordioso é aquele que sofre com a fraqueza do irmão. Portanto, ser misericordioso é ser solidário. Misericordioso, ainda em Santo Agostinho, é procurar retribuir o mal com o bem, a fim de salvar o próximo, e jamais retribuir o mal com o mal, o que seria simples vingança. Ser misericordioso é preferir ser vítima da iniqüidade do que cometer a iniqüidade; ser vítima da injustiça do que cometer a injustiça. Misericordioso é pois aquele que procura ser solidário com o irmão que sofre, que procura ajudá-lo e salvá-lo. Ser santo é construir a paz. Não é sem razão que o Evangelho reserva a mais bela das bem-aventuranças aos construtores da paz: “Bem-aventurados os construtores de paz, porque serão chamados filhos de Deus”.
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Recorda Santo Agostinho, que além da paz exterior existe a paz interior. Ambas estão em correspondência. A paz interior consiste em submeter os nossos impulsos, sentimentos, instintos ao império da razão. Quem não governa seus impulsos, mas é por eles governado, não pode ter paz interior. Consiste também em submeter a nossa vontade à vontade de Deus, que é transcendente e superior. Sem este ponto de referência transcendente, não é possível construir a paz por inteiro. E completando o pensamento de S.Agostinho: a paz integral consiste na tranqüilidade de consciência. Quando a consciência nos condena, não é possível ter paz interior. Ora, a paz exterior é, de certo modo, um reflexo da paz interior. Quem não a possui, dificilmente poderá construir a paz em torno de si, na família, com os vizinhos, no lugar de trabalho, na sociedade.
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É necessário, ainda, recordar que a santidade não é uma coisa para a elite, isto é, para um grupinho que se julga seleto, dentro da Igreja. Na leitura que a liturgia faz do texto do Apocalipse, há uma multidão imensa de santos de todos os povos, nações, de todas as culturas. Podemos acrescentar: santos velhos, jovens e crianças; santos homens e mulheres. Mais: a santidade não é coisa do passado. Por isso, não passa um só ano em que a Igreja não canonize diversos de seus membros. Ao fazer isso, ela quer ensinar que a santidade é um apelo universal, que Deus dirige a todos. Que a santidade deve ser a condição normal de todo ser humano e cristão, pois a santidade é humanizada, enquanto a maldade e o pecado desumanizam. A Igreja quer ensinar, de acordo com a teologia de São Paulo, que cristão deve ser sinônimo de santo.
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O texto do Apocalipse, usado pela liturgia da festa de todos os santos, afirma que os servos de Deus, herdeiros do seu Reino, possuem uma “marca”. Esta marca é a santidade. É ela que distingue os verdadeiros filhos de Deus.
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Dom Benedito Beni dos Santos
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E-mail: aaa@aaa.com.br
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